Gisele Mirabai

A mineira Gisele Mirabai é a autora do mês de maio

“Viva e atenta, neste mundo, aqui e agora”. É assim que Gisele Mirabai, nossa autora do mês de maio, se define.

Mineira de BH, Gisele cresceu com o incentivo literário dos pais e padrinhos. A presença da literatura dentro de casa foi um importante impulso para que ela se tornasse uma amante dos livros. “Tive a sorte de crescer numa casa com livros. Meu pai lia muito jornal e minha mãe fazia parte do Círculo do Livro, então havia sempre uma leitura nova nos dois criados mudos que ficavam ao lado da cama dos meus pais”, conta a escritora.

Na adolescência, Gisele passou a se deliciar com a literatura mineira: Fernando Sabino e sua geração, os poetas Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado. Conheceu Clarice Lispector e passou a frequentar a Biblioteca Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, para pegar os livros da autora. “Em seguida, vieram os franceses, Sartre, Camus, literatura russa, Dostoievski, Tolstoi, que me levou ao teatro, e aí veio a faculdade de Artes Cênicas e toda a leitura no mundo da dramaturgia, e por aí vai. Hoje, leio muito literatura brasileira contemporânea e gosto bastante de literatura fantástica”, destaca Gisele.   

Além de escritora, Gisele também é atriz e roteirista de cinema e tevê. Em seus livros, o leitor encontra um pouco de suas paixões: natureza, viagem, histórias de formação das civilizações, do planeta, das estrelas e detalhes de coisas simples que ninguém percebe. “Quando vejo ou imagino uma paisagem que me estonteia, não sossego até ao menos tentar passar esse instante de deslumbre para o leitor”, explica a autora.

Segundo Gisele, sua experiência como atriz influencia sua carreira de escritora. As profissões caminham juntas e ajudam na construção dos personagens e cenários de seus livros. “Quando estou escrevendo, não é raro me ver levantar do computador e andar pela casa, falando como os personagens, atuando na pele deles. Viver da escrita é minha grande realização e hoje em dia atuo pouco, mas quando o faço, me sinto leve e feliz. Escrever possui uma densidade que é só dele. Já roteiro, é um processo bem diferente de criar um livro, roteiro é um suporte para outra linguagem, é preciso técnica, muita experiência e saber lidar com limites de custos e tecnologias para criar universos que, no livro, são descritos inteiramente em palavras. Uma arte que quero me dedicar e aprender cada vez mais”, explica.

O desafio com o público

Em seus livros, a autora mineira dialoga com o público infantojuvenil. Para Gisele, escrever para os jovens é sim um grande desafio dos autores, mas Harry Potter foi um divisor de águas na história de leitura desse público. “Até hoje, quando vou em escolas que adotam meu livro Guerreiras de Gaia, a maioria dos alunos levanta a mão quando pergunto se gostam de ler. E o que eles gostam de ler? É claro, o menino bruxo da J.K.Rowling”, conta a autora.

Com a ascensão da tecnologia, muito se fala sobre a abordagem dos livros para atrair esse público. A autora acredita que, apesar do desafio, a tecnologia pode ser aliada no gosto pela literatura. “Sempre faço isso quando vou às escolas, conto a minha própria história de leitora, com o intuito de passar a eles um universo de leitura múltiplo e diverso. E a tecnologia também deve ser aproveitada para estimular o processo de leitura. Há a possibilidade de interagir com o autor online, participar de grupos de leituras, encontrar novos amigos que possuem o mesmo hábito. Costumo ser otimista quanto a isso e percebo que, com o passar dos anos, a tecnologia não precisa substituir a leitura de livros, mas somar-se a ela. O desafio sem dúvida é criar o hábito de leitura. Depois de criado, tudo pode servir como estímulo”, explica.

A mudança do nome artístico

Antes Werneck, Gisele mudou seu sobrenome artístico para Mirabai e a história para essa troca é bem interessante. “Estava passando uma temporada em um ‘ashram’, uma espécie de comunidade espiritual no estado de Kerala, no sul da Índia e, sem que eu pedisse, uma líder humanitária conhecida mundialmente como Amma, me deu este nome, Mirabai, para que eu pudesse escrever, criar, compor e, através da minha arte, construir um mundo novo, melhor e mais consciente. É o que, como uma pequena gota do oceano, tenho tentado fazer”, explica.

Gisele indica

Gisele Mirabai ainda indicou um livro para que as crianças sejam introduzidas no mundo da literatura: “Ida e Volta”, do catarinense Juarez Machado. “Um livro perfeitamente narrado apenas por imagens. Estudei esta obra na pós-graduação que fiz em ‘Literatura Infantil e Juvenil’ na UFF e me encantei. Há todo o processo de se envolver com as páginas, cores, formas e cheiros, antes de chegar nas palavras. Melhor estímulo para engajar um novo leitor no mundo da leitura”, destaca Gisele.

Os livros de Gisele Mirabai

Guerreiras de Gaia

O que uma jovem de 16 anos, uma mãe de família, as gêmeas mais bonitas do Planeta Terra e uma professora de Física têm em comum? A resposta para essa pergunta começa a se revelar naquele meio-dia do mês de dezembro, quando um pacote é deixado no assento de um ônibus lotado e vai parar nas mãos de Kitara, a única garota do mundo que poderia recebê-lo. Assim começa a aventura das Guerreiras de Gaia. Kitara e suas amigas embarcam numa jornada para o maravilhoso mundo de Gaiatmã, onde Mestres ancestrais e cientistas sofrem pelo futuro do planeta, seres elementais se embriagam, a paisagem muda de um passo para o outro… e tudo isso em três semanas. Ou terá sido em apenas um dia? Numa dimensão onde tempo e espaço são relativos, elas passarão por um treinamento de guerra para defender a Terra das mãos dos Metazeus. Resenha completa aqui. 

 

Onde Judas Perdeu as Botas

Gisele Mirabai foi a primeira a embarcar na Coleção “Que Viagem”. Ela foi para “Onde Judas Perdeu as Botas” e trouxe de lá uma história cheia de humor e reviravoltas. Gisele nos conta a história de Rey Malacarne, um sujeito que só tem um defeito: está cansado de existir. Nem morrer serve, morrer é coisa repetitiva, feita por todo mundo há milhares de anos. O que ele quer mesmo é desaparecer do mapa, ser extinto, deixar de ser. Neste Guia de Viagem para uma terra tão distante que nem existe, nosso ilustre personagem conduz o leitor passo a passo rumo à sua própria inexistência. Veja a resenha completa aqui. 

 

Nasci Pra Ser Madonna 

Em forma de diário, Nasci pra ser Madonna conta os dilemas de uma adolescente do início dos anos 90 que sonha em ser a cantora pop. Em meio à separação dos pais, ao caos financeiro que assola o país e aos gritos dos jovens pelo impeachment do presidente Collor, ela acaba descobrindo quem nasceu pra ser: ela mesma.

Confira aqui a resenha completa.

 

Machamba

Machamba cresceu numa fazenda em Minas Gerais, em meio a cavalos e pés de laranja, lendo as Enciclopédias das Antigas Civilizações com o pai. Agora é uma mulher em Londres que se sente perdida. Nem ela mesma sabe o que aconteceu com a própria história. Até que começa uma viagem pelas antigas civilizações do planeta, Grécia, Turquia, Israel, Egito, e quanto mais caminha pelas ruínas do mundo, mais viaja em direção ao seu passado e ao Elo Perdido, o episódio fatídico que mudou para sempre o curso de sua vida. Resenha completa aqui. 

 

LiteralMente valorizando a literatura nacional, escolhemos a Gisele Mirabai como nossa autora do mês de maio. Ao longo do mês vamos apresentar resenhas das suas obras e curiosidades da autora. 

Veja aqui os autores dos meses anteriores. 

Victor Bonini é o representante da literatura policial. 

YA e romance fofo é com a Marina Carvalho 

Raphael Montes e o seu suspense policial e terror

Jornalismo literário é com mineira Daniela Arbex

Para as crianças e adolescentes indicamos a também mineira Lavínia Rocha

Eduardo Spohr para os amantes da fantasia

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