Virginia Froes  – Um amor pelos desenhos desde a infância

Com o objetivo de valorizar a literatura nacional, a coluna autor do mês já apresentou vários autores e seus mais diversos gêneros literários.

Já passaram por aqui literatura policial de qualidade, com Raphael Montes e Victor Bonini; Fantasia, com o escritor Eduardo Spohr; O incrível jornalismo literário da autora Daniela Arbex; E Lavínia Rocha foi nossa representante da literatura infanto-juvenil.

Para os adultos, obras densas e instigantes das autoras Leida Reis e Gisele Mirabai. Beth Timponi e Pedro Antônio foram os representantes da literatura infantil. Já para os jovens, indicamos Marina Carvalho e Livia Brazil.

E claro, não nos esquecemos das histórias em quadrinhos. A nossa representante da arte sequencial foi a mineirinha Rebeca Prado. Para o mês de fevereiro, os quadrinhos estão de volta, com a também mineira Virgínia Froes.

Considerados por muitos a porta de entrada para a literatura, os quadrinhos teve seu dia comemorado no último dia 30 de janeiro, data instituída  em 1984 pela Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) para celebrar o Dia do Quadrinho Nacional. Desde então, o país tem uma longa relação com os quadrinhos. Saiba mais sobre a história dos quadrinhos aqui.

Quem é Virginia Froes?

É ilustradora, quadrinista, designer e professora de artes. Formada em Artes Visuais pela UEMG, Virginia é uma das mulheres que vêm se destacando no cenário mineiro de história em quadrinhos e já possui cinco quadrinhos publicados:

Dinastia dos Magos (2015)Concorreu ao prêmio HQ Mix, na categoria “quadrinhos para crianças”, em 2016. A história é sobre o príncipe Eiri que, prestes a assumir o trono, ele é transformado em gato pelo seu irmão, e exilado na terra, mais precisamente em BH. Aqui Eiri conhece Sonne, uma menina humilde e voluntariosa que acolhe o bichano sem saber que ele na verdade é um humano, embora ele seja um gato falante e reclamão, literalmente com um rei na barriga. Leia a resenha completa aqui

Lollipop Vol. 1 (2016) – Quadrinho mangá que conta uma história ambientada no período colonial brasileiro.

Trovão, o Supercão (2017) – O quadrinho conta a história de Gabriel e o cão trovão, que ganhou superpoderes após ser atingido por um raio durante uma forte tempestade. No dilema de ficar ou não com o doguinho, Gabriel descobre que um terrível plano de sequestro e morte dos bichinhos está em andamento por um super vilão.

Lollipop Vol. 2 (2018) O segundo volume do mangá contará a história de Jonas, um jovem determinado que ganha a vida vendendo doces nos transportes públicos de Belo Horizonte. Diante dos preconceitos sociais, ele vê sua vida tomar um novo rumo no dia em que ele conhece a misteriosa Abgail.

Mochilão (2018) – Conta a história de um grupo de amigos que se aventuraram em uma trilha a procura de uma cachoeira. 

Como tudo começou

Apaixonada por desenhos desde criança, Virginia começou sua carreira desenhando um dinossauro em uma das portas da casa onde morava. E, de lá para cá, sua mãe percebeu que se a deixasse sem algum material para rabiscar, ela rabiscaria a casa inteira.

O verdadeiro incentivo para que Virginia procurasse o desenho como profissão veio no início da década de 1990, com a chegada dos animes no Brasil. A quadrinista comprava diversas revistas que ensinavam a desenhar e, cada vez mais, descobria sobre os autores de mangá japoneses que tanto admirava, como Naoko Takeuchi e o estúdio Clamp.

Terminou sua graduação em artes visuais em 2013, o que contribuiu para que tivesse uma visão mais artística sobre seus desenhos, aliados a sua trajetória como ilustradora.

Trabalha ilustrando livros infantis para empresas de Belo Horizonte e São Paulo, e também ministrando oficinas de desenhos e quadrinhos em escolas de Minas Gerais. Atualmente tem ilustrado livros para a Editora Cora de Belo Horizonte e para o Lineart estúdio.

Personagens de Riverdale

Confira a entrevista completa e conheça um pouco mais sobre Virginia.

Como os quadrinhos entraram na sua vida?

O primeiro quadrinho que eu li foi um quadrinho do pato Donald, que minha mãe havia ganhado em uma rádio de BH. Eu tinha 6 anos de idade… Aliás, tenho ele até hoje.

Qual quadrinho marcou a sua vida?

Já li muitos quadrinhos que me marcaram bastante, seja pelo enredo ou pela arte. Por exemplo, me emocionei muito ao ler ‘Maus: a história de um sobrevivente’, de Art Spiegelman

Qual a sua principal marca, o que não pode faltar nas suas histórias?

Relações humanas. Adoro escrever e desenhar sobre o comportamento humano.

Como você busca inspiração, existe algum processo especial?

Vendo séries, lendo livros, acompanhando as artes de artistas que eu gosto, no Instagram, na natureza…

O que os leitores vão encontrar nos seus quadrinhos?

Já escrevi duas aventuras para o público infanto-juvenil, que foi o Trovão – Supercão e Dinastia dos Magos. Mas também já escrevi um conto sobre o período colonial brasileiro e um sobre sonhos, ambos no quadrinho Lollipop.

Quais temas você mais gosta de abordar em suas histórias?

Eu ainda não consegui concluir minha história de romance, mas este é o tema que eu mais gosto.

Tem alguma história que você gostaria de ter ilustrado?

O pequeno príncipe, pois é meu livro preferido.

O que é melhor: criar a história ou somente ilustrar?

Gosto de ambos! 🙂 Mas, escrever demanda mais tempo do que ilustrar.

Como os quadrinhos podem desencadear o gosto pela literatura?

Essa mistura de imagem e texto contribui para que você tome gosto também pela literatura. Eu comecei lendo quadrinhos, mas depois continuei seguindo pelos quadrinhos e dividindo com a literatura.

E a sobre a sua relação com a literatura?

Eu amo livros! Desde o cheiro até o envolvimento do leitor com a narrativa.

Qual livro marcou a sua vida?

A Revolução dos Bichos, do george Orwell. Amei!

Qual livro você indicaria para quem nunca leu por prazer?

Eu indicaria O pequeno príncipe pela leitura ser fácil e gostosa, mas a pessoa tem que ir muito pelo tipo de história que ela gosta.

Ser quadrinista no Brasil hoje significa?

Muita determinação! Não dá para parar, mesmo que não tenha um bom retorno financeiro. Eu faço quadrinhos por hobbie. Amo contar minhas histórias aos outros por meio dos desenhos. Mas o quadrinista no Brasil precisa ter uma segunda profissão. Por exemplo, eu ilustro livros infantis como profissão (gosto muito também). Em meus quadrinhos, eu consigo trabalhar nas horas vagas.

De todos os seus personagens, qual o seu favorito?

Gosto do Hari, do quadrinho Dinastia dos Magos. No primeiro, ele é o vilão, mas acho que todo vilão tem seu propósito… Ele não é necessariamente mal.

O que teremos de Virginia para o futuro? Quais projetos?

Estou escrevendo o segundo volume de Dinastia dos Magos e um quadrinho de romance inspirado em um folclore brasileiro.

::Ping-Pong::

  1. Ler é… Vida.
  2. Escrever é… Um momento para eu compartilhar o meu “eu”.
  3. Ilustrar é… Meu combustível.
  4. Quem é seu artista favorito? A quadrinista coreana Sang Sun Park. Conhecê-la pessoalmente, no FIQ de 2011, foi a realização de um sonho.
  5. Cite um livro/quadrinho que te marcou. Eu citei a revolução do Bichos, mas vou aproveitar aqui para citar outro quadrinho: Na Vida Real, de Cory Doctorow e Jen Wang.
  6. Uma frase que te inspira: “O essencial é invisível aos olhos”.
  7. Se pudesse escolher apenas um argumento para as pessoas lerem mais, qual seria? Ler traz conhecimento, e conhecimento é poder. Conhecimento é uma coisa que ninguém pode tirar de você.

Confira outras feras que já passaram por aqui!

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