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Artista mineira Efe Godoy assina capa de clássico uruguaio recém-publicado no Brasil

por Josy Santos
3 minutos de leitura

Uma obra-prima do surrealismo, do erotismo e da crítica social que continua a desafiar os limites da literatura latino-americana, “A mulher nua”, clássico transgressor da uruguaia Armonía Somers de 1950, chega agora ao Brasil.

 

O que acontece quando uma mulher decide abandonar absolutamente tudo, cortar a própria cabeça com um punhal, colocá-la de volta, e caminhar nua em direção ao desconhecido? Em seu livro de estreia, a uruguaia Armonía Somers constrói uma fábula sombria e hipnótica. A nudez absoluta da protagonista atua como um espelho e um catalisador para um vilarejo rural, expondo a luxúria, o fanatismo e a hipocrisia de toda uma sociedade. Romance visionário e avassalador, A mulher nua teve sua primeira edição lançada em 1950 – a publicação do texto repercutiu como um escândalo literário e sacudiu o Uruguai.
Com uma prosa sensorial e onírica, Armonía Somers subverteu a moralidade de sua época ao narrar a jornada de Rebeca Linke — uma mulher que, no dia de seu trigésimo aniversário, despe-se das roupas e das amarras sociais para vagar pelos bosques.

 

Armonía Somers é o pseudônimo de Armonía Liropeya Etchepare Locino. Nascida no Uruguai em 1914, foi pedagoga, arquivista e escritora. Estreou na literatura de forma estrondosa com A mulher nua e, ao longo de sua vida, consolidou-se como uma das vozes mais originais e transgressoras do século XX, escrevendo romances e contos que exploram a crueldade, o erotismo e o fantástico.

 

A edição da Relicário conta com tradução e apresentação de Mariana Sanchez, design de Ana C. Bahia e ilustração de capa assinada por Efe Godoy, oferecendo ao público brasileiro a oportunidade de (re)descobrir uma das mentes mais brilhantes e marginais da Geração de 45 uruguaia (a mesma de Juan Carlos Onetti, Ida Vitale e Mario Benedetti). Mergulhando no insólito e no grotesco, a prosa de Armonía Somers é densa, poética e beira ao desconcertante. A autora utiliza o corpo feminino não como objeto, mas como o próprio território da insurreição. A mulher nua dialoga com vertentes do surrealismo e antecipa debates urgentes sobre gênero, liberdade e o peso das estruturas patriarcais.

 

A artista visual mineira Efe Godoy assina a ilustração de capa do livro. Conhecida por sua pesquisa que transita entre variadas linguagens (vídeo, objeto, desenho, pintura, performance), com ênfase em memória e fabulações espontâneas, em nossa edição de A mulher nua, o trabalho de Efe encontrou terreno livre para misturar esses elementos de forma única e magnética — compondo uma capa que dialoga diretamente com a força de transfiguração presente na obra e nas pesquisas visuais da artista.

Efe Godoy

“Fazer imagens que misturam corpo, memória e
natureza tem sido a minha maior paixão, pois também somos
misturas de naturezas. Tudo que a gente vive, sonha,
imagina pode resultar em uma imagem. Sou uma fazedora
de imagens incansável, já é natural pra mim resolver meus
problemas secretos em imagens que depois de um tempo
me dizem coisas que eu não sabia, isso pra mim é magia.
Para a capa usei essa mesma lógica”, declara Efe Godoy.

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