Uma pausa para apreciar a capa do livro Céu sem estrelas

Céu sem estrelas, da escritora carioca Iris Figueiredo, é um livro que você se encanta pela capa, e se apaixona por todo a obra.

Após a leitura é possível observar detalhes que passam despercebidos num olhar menos atento. Uma mulher contempla o céu, completamente estrelado, mas que contrasta com o título “sem estrelas”.

O que aflige essa mulher sozinha, à noite, em um local alto e aparentemente deserto? A silhueta dela já entrega que é gorda, suas dobrinhas caem sobre a roupa, e talvez esse seja o spoiler que a capa entrega.

A mulher é Cecília, protagonista de Céu sem estrelas, uma jovem com o emocional bem abalado pela indiferença da mãe e a gordofobia que está sempre ali à espreita nas expressões mais “comuns” do dia a dia.

“Eu não tinha autoestima suficiente para lidar com os holofotes… Era difícil ser espirituosa quando você mesma achava que gordas eram uma aberração para a humanidade.” (pág.178)

De autoestima prejudicialmente baixa, Cecília tem problemas de aceitação, de conviver com outras pessoas e de sair da sua zona de conforto, que é bastante restrita.

O romance nacional destaca a vida de Cecília, porém levanta debates importantíssimos com temas atuais e ligados ao dia a dia da maioria dos brasileiros. Durante o livro, a autora fala sobre gordofobia, autoestima, autoaceitação, racismo, alcoolismo, infidelidade, depressão, automutilação, relacionamento abusivo e acessibilidade.

Todos esses dramas são vividos por personagens com estereótipos nacionais, gente como a gente. A protagonista é gorda e de cabelo cacheado, tem uma amiga cadeirante e outra amiga negra, que luta para vencer o preconceito e ser aceita em um estágio pela sua técnica e competência e não pela cor da pele e o jeito que arruma seu cabelo. O livro conta ainda a história da prima de Cecília, Taís, que, após se assumir homossexual, tem que lidar com os comentários maldosos da própria família.

Entre todos esses dramas, enxergar estrelas no céu parece um ato simples, porém impossível para alguém que está em sofrimento mental.

Veja a resenha completa do livro Céu sem estrelas clicando aqui. 

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