Beth Timponi é a autora do mês de Janeiro

Maria Elizabeth Timponi de Moura ou simplesmente Beth Timponi, nossa autora do mês de janeiro, é formada em psicologia e filosofia pela UFMG.

Em sua área de formação, Beth Timponi já publicou diversos artigos em jornais e revistas dedicados a temas que relacionam a psicanálise com a cultura, cinema e educação.

A psicanalista fez sua estreia na literatura infantil com o “O sabiá e a menina”publicado pela editora Crivinho em 2017. A história remete aquela música “Sabiá lá na gaiola”, de Hervé Cordovil e Mário Vieira, eternizada na voz de Carmélia Alves, que traz os dilemas da menina e o seu sabiá que foge da gaiola. Na literatura, Timponi dá nome a menininha e também um final feliz para essa história. Leia a resenha aqui.

A simplicidade é a marca mais singela da escrita da Beth Timponi. E, na sua segunda obra infantil, essa marca é evidenciada em um conto lindo e muito prazeroso de ler. “A fada que bordava na seda” (2018),  também é uma publicação da editora Crivo Editorial e traz uma história linda amizade, respeito, resiliência, empatia, sensibilidade e companheirismo. Leia a resenha aqui.

 

Quero destacar o capricho do projeto editorial gráfico da editora nos dois livros da Beth, pois as histórias são lindamente ilustradas com direito a muitas cores e ilustrações impecáveis. Os livros da Beth têm outro diferencial: o tamanho das publicações em 15 x 30, que garantem uma distribuição justa entre o texto e a ilustração, proporcionando uma narrativa visual limpa que só favorece a leitura e a imaginação do leitor.

 

A literatura de Beth é sensível, reflexiva e inteligente, que agrada não apenas os pequenos, mas sobretudo os adultos, responsáveis por incentivar e incutir neles o gosto pela literatura.

Conheça um pouquinho sobre a psicanalista mineira, que abraçou a literatura infantil e tem nos brindado com histórias lindas que vão te tocar profundamente.

 

Como a literatura entrou em sua vida?

A literatura entrou em minha vida com Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll. Foi a primeira (e inesquecível) experiência de fascínio sem compreensão que vivenciei. É muito importante não compreender.

Ler ou escrever?

São coisas que não se comparam. Dois processos diferentes. Embora, em minhas leituras, tenho o hábito de reescrever mentalmente as frases que não considero bem construídas. Então leio e escrevo.

Ler é deixar-se levar; é entrar no universo apresentado por um outro; é experimentar a perspectiva que um outro olhar apresenta. Não há nada melhor do que isso: ler e deixar-se transportar.

Já escrever envolve uma construção que tem etapas muito laboriosas e desafiadoras. Impasses e limites surgem continuamente num processo que está longe de ser confortável. Acho que toda escrita é em parte autobiográfica, requer um certo tipo de superação e por isso algumas vezes é muito gratificante.

Sua bibliografia

Minha bibliografia acabou ficando bem vasta porque bate em três frentes: a literatura, a psicanálise e a filosofia. “O Banquete”, onde Platão discorre sobre o amor, é um dos textos mais bonitos que já li.

A psicanálise dialoga com a literatura muito de perto. Freud trabalha o texto de Dostoiévski, explorando o tema culpabilidade e autopunição inconscientes. Lacan segue esta tradição. Faz, por exemplo, um seminário dedicado exclusivamente a Hamlet. A literatura ajuda a apontar dimensões humanas que os conceitos psicanalíticos ou outras categorias do entendimento alcançam com mais dificuldade.

Reli recentemente “Os Meninos da Rua Paulo”, livro de Ferenc Molnar, que vem atravessando séculos. Li como se fosse a primeira vez.

Qual a principal marca da escrita da sua escrita, o que não pode faltar nas suas histórias?

Afeto e emoção.

O que os leitores vão encontrar nos seus livros?

Não faço a mínima ideia, porque, apresentar um texto ao público não é um tipo de comunicação simétrica: o plano proposto pelo emissor de uma narrativa não é o plano que o outro vai apreender. Algumas crianças choram quando leem “O Sabiá e a Menina”, alguns adultos também, mas já recebi respostas de indiferença sem comentário algum (o que não deixa de ser um comentário e tanto!)

Sobre a responsabilidade de escrever para o público infantil

É um assunto bem controverso. A história do “Chapeuzinho Vermelho” hoje não teria a menor chance de ser publicada, entretanto, acho que é uma história que ajuda as crianças. Elas estão às voltas com impulsos e fantasias ainda em estado selvagem que a vida afetiva familiar e social vai aos poucos ajudar a conduzir (Ou não…).

Então, para elas é perfeitamente natural que o lobo devore pessoas pois fantasias que envolvem a oralidade fazem parte do universo infantil. O fato de que possa haver possibilidade de resgatar a vovozinha de dentro da barriga do lobo é muito importante. A psicanalista inglesa Melanie Klein mostrou a enorme importância da reparação na vida afetiva infantil.

Como você busca inspiração, existe algum processo especial?

O documentário de Kazuo Hara (1994) sobre o escritor japonês Mitsuhary Inoue foi muito importante. O escritor japonês faz a interessante observação de que nos acontecimentos mais corriqueiros e banais existem um bom montante de dramaticidade. Podemos concordar com ele, se tivermos algum tempo e disponibilidade para observar não somente fatos e pessoas que nos rodeiam, mas também o que vai se passando conosco.

Como é a relação autor / ilustrador?

Os ilustradores se relacionam com o texto de uma forma imprevista. Percebi que a relação que eles estabelecem é com o texto e com o editor, e não com o autor.

As ilustrações de Walter Lara no livro “A Fada que bordava na Seda” surpreendeu. Especialmente a figura em que a fada acena para a vizinha da soleira de sua porta. No contexto da história essa figura quer dizer muito.

Se pudesse escolher apenas um argumento para as pessoas lerem mais, qual seria?

Quando aprendi a ler, cheguei da escola em casa gritando:

  • Já sei ler! Já sei ler!

Desde então nunca mais parei de ler. Foi a coisa mais importante que me aconteceu. Os livros são desde então meus melhores amigos. Não saberia como estimular alguém a gostar da leitura a não ser escrevendo.

::Ping-Pong::

 Ler é…

Ultrapassar, expandir

Escrever…

Um processo  

 Ser escritor hoje no Brasil significa?

Incerteza

Quem é seu autor (a) favorito

Freud

Cite um livro que te marcou.

A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler

Qual livro você mais releu?

A Psicologia das Massas e análise do eu.

Qual seu livro de cabeceira?

Atualmente “Cadernos de João de Aníbal Machado”

Livro que você sempre dá de presente.

Frankenstein ou o Prometeu Moderno, de Mary Shelley

Uma frase que te inspira.

Feliz aquele que encontrou seu trabalho!

Os livros da Beth foram publicados pela Crivo Editorial. Siga nas redes sociais clicando aqui

Literatura infantil muito bem representada com os autores: 

Pedro Antônio de Oliveira

Lavínia Rocha

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