30 de janeiro – Dia do Quadrinho Nacional

Que atire a primeira pedra aquele que não se divertiu lendo as aventuras da Turma da Mônica quando criança. Que não podia passar próximo a uma banca de jornal que logo pedia aos pais uma edição nova só para folhear o Cebolinha trocando o R pelo L, a Mônica rodando o Sansão pelas orelhas, a Magali comendo horrores, o Cascão correndo da água, ou pelo menos se satisfazer com aqueles três quadrinhos na última página. Para muitos brasileiros, as histórias construídas em quadrinhos começaram com a obra de Maurício de Souza, mas essa forma de arte sequencial, narrada por meio de desenhos, surgiu muito antes dele.

Como surgiu

A primeira história em quadrinhos brasileira é sobre Nhô Quim, um caipira que se muda de Minas Gerais para o Rio de Janeiro e se espanta com a civilização da cidade. “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte” foi publicado pela primeira vez em 30 de janeiro de 1869, no Jornal Vida Fluminense, pelo cartunista Angelo Agostini, um italiano radicado no Brasil. Desde 1984, a data de 30 de janeiro foi instituída pela Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) para celebrar o Dia do Quadrinho Nacional.

Desde então, o país tem uma longa relação com os quadrinhos. A produção nacional passou por altos e baixos em seus mais diversos gêneros. Porém, desde o início da década de 2010, o cenário de quadrinhos brasileiro tem se desenvolvido rapidamente, em quantidade e qualidade do material publicado. Para se ter uma ideia, a edição de 2015 do FIQ (Festival Internacional dos Quadrinhos), que acontece a cada dois anos, em Belo Horizonte, contou com o lançamento de mais de 250 obras feitas por brasileiros. Hoje, vive um momento de explosão criativa, com mais e mais obras sendo publicadas tanto por editoras quanto de maneira independente e atraindo um público diversificado.

A evolução das histórias em quadrinhos

As histórias em quadrinhos, também conhecidas como HQs, foram ganhando seu espaço pelas revistas e jornais, pois, através deles foram criadas linguagem própria e histórias que hoje foram adaptadas para o cinema, televisão, e até mesmo a publicidade utiliza-se dessa linguagem para faturar milhões todos os anos. Porém, é impossível falar da evolução dos quadrinhos sem lembrar dos lançamentos dos EUA. Nesse contexto, a história das HQs costuma ser divididas em três eras: a era de ouro, a era de prata e a era de bronze.

Era de ouro

Situada entre o final dos anos 1930 e meados dos anos 1950, durante o qual o estilo obteve grande popularidade. Nesse período foi inventado e definido o gênero dos super-heróis. Alguns dos mais conhecidos foram criados nesse período, como Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão Marvel e Capitão América, e as revistas acabaram se tornando um divertimento barato.

Era de prata

Compreende as publicações lançadas entre 1956 e 1970. Foi um período de avanços artísticos e sucesso comercial para as HQs produzidas nos Estados Unidos, predominantemente no gênero de super-heróis. Teve início em 1956, com a publicação, pela DC Comics, de Showcase #4, que introduziu uma versão modernizada do personagem Flash.

Era de bronze

Para alguns pesquisadores, a era de bronze começou em 1969, quando Robin deixa o Batman para ingressar na faculdade. E teria terminado em 1985, com a série de histórias em quadrinhosCrise nas Infinitas Terras”. Como características gerais são citadas as várias reformulações de grupo de super-heróis, o maior erotismo das histórias, o surgimento de super-heróis das minorias e os anti-heróis, a alusão a temas então banidos, tais como o uso de drogas e a morte de personagens importantes.

Já a era moderna é uma nomenclatura informal usada pelos fãs das HQs, que caracteriza o período da publicação de quadrinhos norte-americanos da metade da década de 80, até o presente. Durante este período, a caracterização das histórias e personagens, tanto da Marvel quanto da DC, acabou se tornando algo mais sombrio e opressivo, primando mais pelo realismo e por cores escuras. Muitos entendem que esta é uma evolução natural do que começou a ser desenvolvido há mais de uma década pelos artistas que desencadearam a era de Bronze.

Dia do Quadrinho Nacional em BH

Para comemorar o Dia do Quadrinho Nacional na capital mineira, a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte recebe nos dias 31/01 (quinta-feira), 01/02 (sexta-feira), de 17h30 às 21h, e 02/02 (sábado), das 9h às 18h, diversas atrações, como palestras, debates, oficinas e uma feira de quadrinhos independentes voltada para o público de todas as idades.

Com o tema “A Importância do Conhecimento no Ensino, na Comunicação e na Criação das Histórias em Quadrinhos”, o objetivo do evento é aproximar quadrinistas e leitores, e promover a produção de quadrinhos locais. Os painéis buscarão ser um espaço de debate com temas relacionados ao universo dos quadrinhos nacionais, levando autores e especialistas a expor suas vivências e  interagir com o público.

Para o ilustrador e um dos organizadores do evento, Régis Luiz, o quadrinho é uma linguagem artística que durante muito tempo no Brasil foi considerada apenas um tipo de produto de entretenimento infantil. “Na última década, essa visão do quadrinho tem ganhado uma outra face. O público tem descoberto cada vez mais o mercado independente de publicações autorais. Quadrinistas, roteiristas, desenhistas e editores de todos os gêneros e estilos tem se apresentado para o cenário nacional”, afirma. “Ter uma data, reservada para exaltarmos os quadrinhos, é mais que festejar. É o momento para recordarmos todas as dificuldades e superações que essa arte já passou. É um exercício de análise e discussões do que acontece agora, no presente momento de ebulição. E um vislumbre do que poderá acontecer no futuro do mercado de HQs”, completa. Para saber mais sobre o evento, clique aqui

5 quadrinistas mineiros que você precisa conhecer

Rebeca Prado

É ilustradora e quadrinista, formada em cinema de animação pela UFMG. Trabalha com ilustração para os mercados editorial e publicitário, é roteirista na Mauricio de Sousa Produções e professora na Casa dos Quadrinhos em BH. Na sua bibliografia, Beca tem 2 livros solo, uma publicação coletiva e três zines. Confira a entrevista completa com Rebeca aqui

Virginia Froes

Virgínia é graduada em Artes Visuais pela UEMG. Como ilustradora, fez trabalhos de segmentos infantis e didáticos para a Associação Educore, Completa Educacional e outras. Atualmente ela é professora de mangá, quadrinista, ilustradora de livros infantis e colaboradora da editora Cora. Virgínia já tem 5 quadrinhos: Inkuadrinhos (2013); Dinastia dos Magos (2015); Lollipop (2016); Trovão, o supercão (2017); Mochilão – Cachoeira não da XP (2018). Sendo Inkuadrinhos e Mochilão feito em parceria com um grupo de amigos. Nos autorais, além dos desenhos, ela também faz os roteiros, ilustração e projeto gráfico. Dinastia dos magos concorreu ao prêmio HQ Mix, na categoria “quadrinhos para crianças” em 2016. Leia a resenha sobre Dinastia dos magos aqui

Ricardo Tokumoto

Mais conhecido como Ryot, o quadrinista e ilustrador Ricardo Tokumoto nasceu em São Paulo, mas hoje mora em Belo Horizonte. Ele ficou conhecido por sua webtira Ryot IRAS, publicada diariamente desde 2007. A série já foi compilada em publicações independentes e, em 2017, em um livro chamado Ryotiras – Um pouco de cada, publicado pela editora Draco. Em 2016, Ryot ganhou o Troféu HQ Mix de melhor webquadrinho por Ryot IRAS. conheça mais sobre o trabalho de Ryot aqui (http://ryotiras.com/)

Eduardo Damasceno

É quadrinista e co-criador, junto com Luís Felipe Garrocho, do projeto “Mundo Aberto” e dos livros “Achados e Perdidos”, “Cosmonauta Cosmo” e “Quiral”. Trabalha com desenvolvimento de projetos gráficos e direção de arte para animação. É editor de quadrinhos e assistente de coordenação do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Em 2012, ganhou o 24º Troféu HQ Mix na categoria “Homenagem especial” pela graphic novel Achados e Perdidos, feita em parceria com Garrocho e Bruno Ito. Em 2013, foi convidado, junto de Garrocho, para participar do projeto Graphic MSP, criando uma HQ com o personagem Bidu.

Danilo Aroeira

Conhecido como Dan Arrows, Danilo Aroeira  é diretor de arte, ilustrador e quadrinhista. Autor de Samurai Boy, Danielo é formado em Artes Visuais – Cinema, pela UFMG, e especializado em adaptação cinematográfica de quadrinhos e bacharel em publicidade. Conheça mais obre o trabalho de Dan Arrows aqui

Novidade

O aplicativo Social Comics fez uma parceria com o Senado Federal, disponibilizando na íntegra uma versão digital das primeiras histórias em quadrinhos brasileiras. O app trata-se de um serviço de streaming de quadrinhos com mais de 5 mil obras em seu acervo e permite que o leitor crie contas gratuitas ou por assinatura. As primeiras HQs brasileiras estão disponíveis para todos os tipos de conta, mas outros conteúdos podem ser conferidos a partir de R$14,90 ao mês.

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