Josie Jensen | Correndo descalça

Josie Jensen é aquele personagem gente como a gente, facilmente identificável em qualquer parte do mundo.

Amy Harmon tem um incrível dom de criar crushs literários. É impossível não se apaixonar e se identificar com os seus personagens. Uma marca da autora é criar histórias com dramas de pessoas normais, comuns a nós mortais.

Em suas duas histórias publicadas no Brasil: Correndo Descalças e Beleza Perdida, seus personagens são em sua maioria pobres, que precisam trabalhar, pegar ônibus, comprar e fazer comida, e totalmente factíveis. Nada aqui é fantástico ou impossível.

Gosto muito da construção das personagens femininas, são mulheres fortes, batalhadoras que lutam pelo que querem, embora tenham a vida como principal vilão. Leia aqui sobre a crush do livro Beleza Perdida, Fern Taylor.

Em Correndo descalça, nossa crush é Josie Jensen. Após perder a mãe, aos 9 anos ela assumiu as tarefas domésticas, e os cuidados do pai, dos irmãos e dos animais da fazenda. Era praticamente invisível, ao passo que extremamente importante em casa.

Acostumada a viver sem a presença de uma figura feminina, ela se apegou a Sonja Grimaldi, uma professora de música aposentada, que ensinou a arte da música clássica no piano, dividia leituras, e sanava as principais dúvidas da menina. Josie amadurecia praticamente sozinha, sem amigos, e tentava passar despercebida onde quer que fosse.

 “As roupas masculinas disfarçavam a silhueta, e eu encurvava os ombros para esconder a altura e os seios e estava sempre constrangida e desconfortável. ” (pág.27)

Josie era quieta, tranquila e muito inteligente, sonhava em sair de Levan, a pequena cidade em que morava, e se tornar uma musicista de sucesso. Para isso ela se dedicava aos estudos da música, e também na escola, para conseguir uma bolsa em uma grande universidade. Aos 13 anos, Josie não aparenta a idade que tem, nem no físico, nem no comportamento. Ela é já é uma mulher adulta e isso desperta a atenção dos colegas de classe.

Foi numa troca de lugares no ônibus escolar, após ser vítima de bullying, que Josie conhece Samuel Yates. Um garoto mestiço, filho de pai branco e mãe índia, que saiu da reserva onde vivia com a mãe, para morar com a avó, concluir os estudos e entrar para o corpo dos fuzileiros navais, seguindo os passos do pai. Samuel é um garoto deslocado nos dois mundos, introspectivo, violento e revoltado, completamente diferente de Josie, que apesar de não se conformar com a sua vida, ela a segue com otimismo e perseverança.

Josie percebe a fachada de Samuel e age para ajudar Samuel a se encontrar no mundo. Ela o transforma. E é lindo os dois lendo e ouvindo músicas juntos. Crescendo e vivendo bons momentos. Até que Samuel, cinco anos mais velho que ela, lhe dá um fora, antes de ir embora da cidade. A vida não é nada sensível com Josie, e nessas voltas que a vida dá, quando Samuel retorna, quase 10 anos depois, encontra uma Josie devastada e precisando exatamente daquilo que ele recebeu dela quando eram adolescentes.

A gente se simpatiza imediatamente com ela. Pela doçura, carinho e sobretudo o modo como encara a vida e lida com as constantes perdas, seja de pessoas que ama, ou apenas de possibilidades de ser diferente ou viver algo diferente. Me compadeci e aprendi muito com a sua história.

Leia a resenha completa aqui e se delicie com a história de Josie Jensen em Correndo Descalça.

Quem nunca teve um crush literário. Listamos vários deles na coluna  “Meu crush literário”

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