Rebeca Prado é a autora do mês de novembro

A literatura está muito bem representada com os quadrinhos da nossa autora do mês de novembro, Rebeca Prado.

Os quadrinhos despertam aquela nostalgia boa da infância. Para muitos leitores, os quadrinhos foram os primeiros passos para a fuga prazerosa da realidade que a literatura nos proporciona. Esses leitores cresceram, muitos abandonaram esse gosto, mas para grande a maioria (tá aí a grandiosidade do FIQ que não nos deixa mentir) essa é ainda uma paixão que se mantém muito viva.

Repaginados, os quadrinhos evoluíram, e aquelas histórias de aventura infantil, heróis e ficção científica, deram espaço para algo mais próximo da realidade. A propósito, de cara nova, os quadrinhos, tirinhas e claro, as charges, retratam exatamente a realidade da vida adulta moderna, da política, economia, problemas sociais, sempre com aquela pitada de sarcasmo, muito bom humor e uma dose única de reflexão.

A Que Tempo Pertencem os Quadrinhos?

Falar sobre os quadrinhos não é apenas relembrar o passado, eles ainda se fazem muito presente, e pra felicidade infinita desta jornalista aqui, ainda vão durar por muitos e muitos anos. Tá aí a Marvel e a DC, com seus sucessos que inundam as salas de cinemas monopolizando as bilheterias, com os infinitos “Vingadores”, “Batmam”, “Homem Aranha”, “Mulher Maravilha”, entre outros.

Aqui no Brasil, impossível não lembrar da Turma da Mônica de Maurício de Sousa. As histórias criadas em 1959 perduram até hoje, e se reinventam, saindo das páginas das famosas revistinhas para as telas do cinema, por exemplo.

Recentemente foi anunciado o primeiro Live action da Turma da Mônica, e o crossover entre quadrinhos: Turma da Mônica e Menino Maluquinho (Ziraldo). Importante ressaltar a importância do Maurício de Sousa para os quadrinhos no Brasil. Ele já vendeu mais de 1 bilhão de gibis e criou cerca de 400 personagens, sem dúvida foi um dos responsáveis em introduzir o gosto pela leitura em uma geração de brasileiros.

Valorizando a literatura nacional e sobretudo para manter viva a magia dos quadrinhos na mente dos leitores, escolhemos como autora deste mês a mineira Rebeca Prado.

Quem é Rebeca Prado?

É ilustradora e quadrinista, formada em cinema de animação pela UFMG. Trabalha (brilhantemente) com ilustração para os mercados editorial e publicitário, é roteirista na Mauricio de Sousa Produções (poderosa) e professora na Casa dos Quadrinhos em BH, além de ser autora de vários volumes independentes.

Na sua bibliografia, Beca tem 2 livros solo, uma publicação coletiva e três zines. Sua estreia foi em 2013 com o zine “A raposa e as uvas”. No mesmo ano, veio o Baleia #1 e um ano depois o Baleia #2, todos com financiamento próprio.

Uma das coletâneas mais conhecidas da Beca, “Navio Dragão”, conta a história de Lif, uma viking ruiva, fofa, sarcástica, com tiradas sensacionais. A publicação de Navio Dragão veio em 2015, após um financiamento coletivo. Conheça o blog da história. 

Em 2016 veio o Baleia #3, que segue a linha do Baleia #2, trazendo tirinhas comuns ao nosso cotidiano. É um livro tão bom que dá vontade de deixar na cabeceira e fazê-lo como guia diário. Beca participou ainda de uma publicação coletiva, o livro “Realezas Urbanas” ao lado dos quadrinistas Tanan Rocha, Bianca Nazari e Barbara Morais. 

Confira a entrevista com a Beca e conheça um pouquinho dessa quadrinista fantástica:

Como os quadrinhos entraram na sua vida?

Não sei exatamente. Turma da Mônica, eu acho. Depois comecei a ler mangás, depois quadrinhos de super-heróis e depois graphic novels. Foi um processo bem natural, na verdade.

Qual quadrinho marcou a sua vida?

Retalhos, do Craig Thompson. Ele me fez querer fazer quadrinhos.

Qual a principal marca da Beca, o que não pode faltar nas suas histórias?

Acho que um pouquinho de humor e de cotidiano!

Como você busca inspiração, existe algum processo especial?

Ah, quando eu era mais nova, sim. Vários minirituais. Hoje em dia eu consigo gerenciar de um jeito menos emocional a coisa toda. Mas eu gosto muito de produzir fora de casa: em cafés, em praças e tudo mais. Acho que a coisa flui bem.

Por que abordar o cotidiano e situações do dia a dia em suas histórias?

Por que não? Acho que é só o meu jeito de me comunicar, no final das contas hahaha. Já escrevi várias outras histórias fantásticas (inclusive um livro inteiro sobre uma viking), mas também gosto de assuntos mais mundanos.

Tem alguma história que você gostaria de ter ilustrado?

Tem! Jane, a raposa e eu, da Fanny Britt com a Isabelle Arsenault.

Como os quadrinhos podem desencadear o gosto pela literatura?

Na verdade, eu acho que os quadrinhos já funcionam como um formato da literatura. A narrativa gráfica é uma forma eficiente e sofisticada de contar histórias, e me incomoda um pouco essa coisa de “porta de entrada”, porque ela é um formato complexo por si só. O conjunto de texto e imagem não simplifica uma obra, só cria uma nova forma de perceber tudo. Acho que cada um vai se encontrar no formato que gostar mais e, a partir dali, fluir nas próprias leituras.

E a sobre a sua relação com a literatura?

Eu leio muito, muito mesmo. Atualmente eu leio menos que quando mais nova, mas ainda assim consigo ler uns dois volumes por mês. Costumo alternar entre algo mais denso e algo mais despretensioso, pra não ficar muito cansativo. Mas a leitura é uma paixão antiga.

Qual livro marcou a sua vida?

Depende da época, mas “Os homens que não amavam as mulheres”, do Stieg Larsson, é bem emblemático pra mim!

Qual livro você indicaria para quem nunca leu por prazer?

Hum, acho que “A longa viagem a um pequeno planeta hostil”, da Becky Chambers! Livro lindo com uma edição maravilhosa da Darkside Books.

Ser quadrinista no Brasil hoje significa?

Pra cada autor significa uma coisa baseado na própria experiência. Pra mim, significa minha forma de me comunicar com o mundo.

De todos os seus personagens, qual o seu favorito?

Eu adoro a Olivia, dessa história aqui:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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