7 aprendizados do livro A diferença invisível | Mademoiselle Caroline e Julie Dachez

Muito mais que uma grafic novel, A diferença invisível é um tutorial de como não ser um idiota, sabendo o mínimo possível para entender o autismo e respeitar o espaço dos outros e as diferenças.

Veja o Booktrailer:

Parece muita coisa para uma obra de menos de 200 páginas, mas essa é também uma função primordial da literatura, conscientizar e esclarecer sobre qualquer assunto. A leitura de A Diferença Invisível é primordial.

A grafic novel literalmente te insere no dia a dia de Marguerite, uma jovem de 27 anos, que apresenta alguns comportamentos diferentes dos demais colegas de trabalho e esses comportamentos a incomodam muito. Marguerite tem dificuldades nas interações sociais, demonstrando verdadeiro pavor ao dar continuidade a atos simples, como um simples “oi, tudo bem?”. Ela é hipersensível ao barulho cotidiano. Um ambiente de trabalho, por exemplo, causa um verdadeiro pânico na nossa protagonista.

Apesar da idade, Marguerite não entende o que sente e até tenta se encaixar no mundo dos outros, mesmo que o desconforto causado por essas tentativas a deixe bem mal. É tão sufocante vê-la passar por tantas situações constrangedoras, desnecessárias e humilhantes, pelo simples fato de não interagir, e as pessoas ao seu redor simplesmente não deixá-la em paz.

Ao mesmo tempo, trazendo para a nossa realidade, conseguimos enxergar quantas pessoas no nosso dia a dia, autistas ou não, passam pela mesma situação e são impiedosamente taxadas pelo padrão comportamental imposto. E triste saber que muitos de nós, em algum momento da vida, fazemos parte deste sistema inquisidor. Me lembrou muito o trecho da música “Admirável Chip Novo” da Piti.

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva

E quem não se encaixa automaticamente é esquisito.

Contudo, Marguerite se sente incomodada com o que ocorre a sua volta. Por isso, decide procurar ajuda para entender o que acontece com ela. Claro que o diagnóstico não é fácil e a escritora Julie Dachez, que também é autista, insere uma passagem crucial que mostra como é difícil esse diagnóstico, sobretudo em adultos.

Marguerite tem Síndrome de Aspenger, uma forma leve de autismo

Quando falamos em autismo sempre vem à mente, crianças. O assunto é sempre voltado para os pequenos, tentando ajudar os pais no diagnóstico e hoje a escola tem um papel fundamental nesse diagnóstico. É tudo ainda muito recente e não começou agora. Estudos apontam para as primeiras descobertas ainda na década de 1960. 

Portanto, muitas pessoas vivem entre nós, adultos ou idosos, sem sequer desconfiar de que sejam autistas. Essa constatação cai sobre nós com o peso da reflexão do que essas pessoas já passaram para conseguir viver em paz.

Como será a vida de um adulto?

O livro dá essas respostas. Focando principalmente nas interações sociais, mas com uma boa pincelada nos sinais característicos da condição do desenvolvimento neurológico, apresentando algumas curiosidades, que variam conforme cada pessoa.

A importância do lugar de fala é evidenciada quando, Julie Dachez, insere em sua obra tudo o que a incomodava ao mesmo tempo em que as situações relatadas sejam familiares a todos. Principalmente as relacionadas ao ambiente de trabalho.

A diferença invisível com toda a sua carga de ensinamentos é uma obra espetacular. Com a predominância de mais imagens, os textos são contundentes ao passar sua mensagem proporcionando uma narrativa perfeita que te prende no mundo da Marguerite.

As ilustrações de Mademoiselle Caroline são lindas e expressivas, desde a captação dos mínimos detalhes dos cenários, a evidência da personalidade dos personagens que saltam aos nossos olhos como se fossem vivas.

Uma leitura essencial para conhecimento, empatia, quebra de preconceitos e também entretenimento, afinal acompanhar a jornada de descoberta da Marguerite é especial, aquece o coração e o final feliz compensa tudo.

O que aprendi com A diferença invisível

  • Diagnóstico é difícil seja por preconceito ou por entendimento dos sinais
  • Autismo não é doença
  • Autismo não atinge somente crianças
  • Atinge mais homens que mulheres
  • Elas são capazes de se adaptar melhor que eles
  • Os autistas são intensos
  • Eles não mentem

O Brasil tem mais de 2 milhões de autistas. Você sabe lidar com eles? Principalmente respeitá-los? Mesmo que a resposta seja sim para todas as perguntas, a leitura vale a pena demais!

A Diferença Invisível é uma publicação da Nemo – selo da editora mineira Gutemberg.

Leituras para aquecer o coração e abrir sua mente. 

Racismo: A cor da ternura 

Síndrome de Down: Não era você que eu esperava

Respeito às diferenças: Flicts 

Doenças mentais: Alucinadamente Feliz 

Ensinamentos leves sobre a vida: CEM 

No Resenhando você encontra resenhas de todos os gêneros literários.

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