Resenha as cores do amor Camila Moreira

 

As cores do amor: romance nacional expõe racismo estrutural no Brasil

As cores do amor é um spin-off de um dos meus livros nacionais favoritos, 8 Segundos, da escritora goiana Camila Moreira. Suas histórias trazem a nossa brasilidade e destacam a cultura da região centro-oeste, música, festas, costumes e tradições. 

O legal de ler spin-off é acessar um pouco da continuidade da história dos personagens que marcaram a leitura. Aqui, Pietra e Lucas estão juntos, felizes e realizando os sonhos planejados em 8 segundos. É justamente a preparação do centro de reabilitação para crianças idealizado pela Pietra que vai levar a nossa protagonista, Sílvia, à fazenda Girassol.

Sílvia e Pietra se conheceram na faculdade de fisioterapia e se tornaram grandes amigas. Unidas para a realização desse grande projeto, Sílvia aceita o desafio de se mudar e ajudar a amiga na construção do centro. Sílvia vai em busca de uma vida nova, independência e paz. É uma mulher independente, totalmente desacreditada do amor, mesmo quando o coração bateu um pouquinho diferente depois do beijo em Henrique na festa de casamento de Pietra e Lucas.

Henrique já é um velho conhecido nosso. Em 8 Segundos ele já tem seu protagonismo, mas agora é hora de desfazer a imagem de bad boy e mostrar aos leitores sua real faceta. Ele é filho do rei da soja, mas não usufrui da riqueza do pai e vamos entender os motivos disso ao longo da história. O Coronel é o principal responsável por impedir o amor entre Sílvia e Henrique. Para ele, Sílvia, uma mulher negra, não está à altura do seu filho, branco. 

O coronel vai fazer de tudo para impedir esse amor. Não apenas nas ofensas mais cruéis, mas em ações que vão levar Sílvia para longe do seu amor. Mas quando duas pessoas se gostam, nada é capaz de deter esse amor, mesmo que se concretize nas últimas linhas e o leitor sofra a cada virada de página.

“Relacionamentos são caixinhas de surpresa. Talvez você abra e encontre um palhaço saltitante rindo para você — ou de você. Mas talvez um casal dance ao som de uma música linda e te faça acreditar que o amor ainda existe. Porém, não há como saber sem abri-la. Você só conseguirá descobrir se arriscar. Podemos passar a vida inteira ao lado de uma pessoa sem amá-la de verdade. Da mesma forma, podemos viver poucos momentos e descobrir que eles foram insuficientes para mudar nossa vida para sempre. Foi assim com o Henrique.” (pág.225) 

Os dois são lindos juntos. Tem muita química e o romance aflora logo nas primeiras páginas. Apesar do casal ser maduro, há aqueles dramas que poderiam ser resolvidos com uma conversa ou simples busca no Google. A gente torce por eles, sofre junto com eles e vibra quando, enfim, conseguem ficar juntos. 

Nos romances modernos, os escritores têm usado diversos artifícios para amarrar suas histórias e prender a atenção dos leitores até os últimos capítulos. Muitos são os impedimentos para o felizes para sempre, como doenças, triângulos amorosos, em sua maioria diferenças entre classes sociais, entre outros. Lançar mão de um problema do dia a dia, como o racismo, contribui para a educação social, conscientizando que é um dever de todos combater o racismo em nossa sociedade.

Camila Moreira como sempre brilhante na sua escrita. As cores do Amor é uma publicação da editora Paralela.

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