O sonho da sultana – Rokeya Sakhawat Hossain

Conheci O sonho da sultana, da escritora Rokeya Sakhawat Hossain, em uma thread de livros e autores que foram tão brilhantes ao criar suas histórias que acabaram prevendo o futuro, invenções tecnológicas e mudanças significativas na sociedade.

O que era para ser apenas um despretensioso sono de uma mulher com certo poder na sociedade da época, o sonho de uma sultana, tornou-se um poderoso registro da mente de uma escritora que foi além do que a sociedade permitia. Rokheya Shekhawat Hossain defendeu o direito das mulheres, lutou pela igualdade e direito à educação, e trouxe em suas histórias ideias que, à época, não passavam de mera ficção.

— Como vocês conseguiram coletar e armazenar o calor do sol? — perguntei espantada. Pag.9

No sonho, a sultana visita uma terra distante, alcançada apenas pela descrição do que seria um “carro voador”, um meio de transporte que aparece em diversas obras que pensaram um futuro distante. Na terra d’Elas, as mulheres estão no poder, enquanto os homens estão em casa cuidando da família e dos afazeres domésticos. Nenhuma mulher se casava antes dos 21 anos e todas as mulheres tinham educação formal.

Depois de me despedir da Rainha, visitei as famosas universidades e vi algumas de suas fábricas, laboratórios e observatórios. Depois de visitar esses lugares interessantes, entramos de novo no carro-voador… (pág. 15)

Sob o poder delas, as mais incríveis soluções são apresentadas para melhorar a vida da região em que vivem. Um destaque para a religião, que tem como base o amor e a verdade. “É nosso dever religioso amarmos uns aos outros e sermos absolutamente verdadeiros.” Pág. 14.

Durante o sonho, a sultana descreve as maravilhas da terra desconhecida e faz um contraponto com a realidade em que vive.

“Não temos voz nenhuma na gestão dos nossos assuntos sociais. Na Índia, o homem é nosso senhor e mestre. Ele tomou para si todos os poderes e privilégios e trancou as mulheres na zenana.” (Pág.7)

Publicado em 1905, o conto de pouco mais de 25 páginas, de fato, traz visões bem futuristas, além da defesa de mudanças na sociedade, talvez impensáveis para a época e a região de vivência da escritora Rokhaya Shekhawat Hossain, mas que hoje é comum para nós.

Rokeya Sakhawat Hossain foi escritora feminista e ativista social da região de Bengala.

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