Vilões da vida real: Rick Craig e Samuel Skinner, personagens do livro Tudo aquilo que eu não disse

Os vilões da vida real, assustam e machucam muito mais do que os seres mágicos da literatura fantástica.
Rick Craig e Samuel Skinner são exemplos de vilões que agem constantemente na vida real. Homens e responsáveis por barbáries contra mulheres com quem convivem.

Os dois personagens do livro Tudo aquilo que eu não disse não apenas alteraram o rumo da história como, com sua crueldade, interferiram diretamente na felicidade e na vida das personagens, representando fielmente a realidade de muitas mulheres, que, muitas vezes, têm suas vidas interrompidas pelo machismo.

Além de muito triste, a narrativa é de extrema importância para alertar e mostrar que essas histórias infelizmente existem e os sinais são praticamente os mesmos. Nunca se falou tanto em relacionamento abusivo seja na internet ou em rodas de conversa, e também na literatura.

Em Tudo aquilo que eu não disse, os sinais de uma relação abusiva são claros e todos estão presentes na relação entre Rick Craig e Tina, desde a primeira página. Assim como na toxicidade da família Skinner.

Rick Craig é um alcoólatra que vive um relacionamento extremamente abusivo com Tina. As cenas deles são permeadas por diálogos e ações chocantes. Tudo em Rick gera repulsa e tensão imediatas. É um cara que se rendeu ao álcool, não trabalha e vive apostando o pouco que tem em corridas de cavalos. Explora e até rouba a mulher bem como a espanca constantemente.

As cenas da agressão e a tensão de Tina em qualquer ação do marido salta das páginas, nos atingindo em cheio. São sufocantes. Detalhe importante: Tina começou a apanhar de Rick ainda durante a lua de mel e quatro anos se passaram na esperança de que ele iria mudar.

Ela trabalha para sustentar o marido. Convive com um medo frequente, acuada em sua própria casa. É vítima de constantes estupros por parte do parceiro e de agressões físicas, uma delas enquanto está grávida. Com sua vida sempre em risco, ela vive a ilusão de que um dia ele vai melhorar, mas obviamente esse dia nunca chega. A iminência de uma tragédia ronda cada página em que ela aparece.

É um comportamento repetitivo: agressão, perdão e pazes; grosseria, agressão, perdão. Até que um dia tudo se transforma em tragédia, assim como ocorre com inúmeras mulheres fora dos livros.

Os dados de violência contra a mulher aumentam a cada ano. Ao abordar essa temática e apresentar não apenas as consequências de um relacionamento abusivo como também a ação das famílias abusivas, as obras literárias prestam um serviço de utilidade pública. Há famílias, por exemplo, tradicionais, vizinhas nossas, tementes a Deus, mas que guardam em seu seio segredos abomináveis.

Samuel Skinner é um pai “protetor”, médico e influente na cidade em que mora. Um homem respeitado, “de família”, que construiu um lar na base da opressão e violência com a mulher e a filha Chrissie.

Detalhes como não questionar a autoridade do pai ou aceitar tudo o que faz, mesmo que seja moralmente errado, e não responder, são só algumas das situações desta família. Soma-se a isso a imposição das regras sociais, seu peso sobre as mulheres e o pavor da perda de uma reputação em uma sociedade patriarcal e machista.

Tudo piora quando Chrissie conhece e se apaixona pelo jovem Billy, rapaz pobre, humilde, alvo de preconceitos por ser adotado. Isso desperta a ira do poderoso Samuel que, em sua visão, não é digno da filha. E, assim, promoverá um verdadeiro inferno na vida dos dois, em nome da família, das aparências e de uma reputação.

Tudo aquilo que eu não disse é um livro com uma capa bonitinha, um título convidativo, mas a história é pesada e, consonante a isso, fundamental por trazer vários recortes e levantar pautas que precisamos discutir. Mesmo que não haja espaço para elas no dia a dia, a literatura se encarrega de apresentar homens como Rick Craig e Samuel Skinner, vilões que devemos combater diariamente.

Veja a resenha do livro Tudo aquilo que eu não disse clicando aqui

Violência contra a mulher no Brasil

Em fevereiro de 2019, a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou dados assustadores relacionados a violência contra a mulher no Brasil. São eles: 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no país.

Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico e 76,4% das mulheres que sofreram violência disseram que o agressor era alguém conhecido. Mulheres pretas e pardas são as mais afetadas.

Desde o último dia 10 de junho, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançaram a campanha Sinal Vermelho para a Violência Doméstica.

Com um “X” vermelho na palma da mão, que pode ser feito com caneta ou mesmo um batom, a vítima indica no atendimento de diversas farmácias e drogarias brasileiras que está em situação de violência, a partir daí o farmacêutico reportará a situação a polícia.

Veja aqui a lista com as redes de farmácia que assinaram o termo de adesão à campanha.

Você também denunciar ligando no 180 ou 190. 

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