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Garoto 21 | Mathew Quick

Garoto 21 é o terceiro livro do best-seller americano Mathew Quick. A história já está com os direitos vendidos para o cinema, com previsão de estreia para 2021.

Mathew Quick ficou mundialmente famoso após a adaptação da sua primeira obra para os cinemas. O Lado bom da vida (2013) consagrou a jovem atriz Jennifer Lawrence com o Oscar de melhor atriz, destacou a atuação de Bradley Cooper, que também ganhou vários prêmios como melhor ator. O roteiro e a direção além de muito elogiados, também arrebataram vários prêmios. Um sucesso total.

Curiosamente em um daqueles casos raros, gostei muito mais da adaptação de O Lado Bom da Vida, do que do livro. O filme deu mais movimento e vida para a história, que em alguns momentos foi bem maçante de ler. Quando isso ocorre a tendência é desprestigiar o autor e foi o que eu erroneamente fiz, até me deparar com o Garoto 21.

Gosto muito de histórias de amizade porque elas têm o poder de nos tocar profundamente, aquecer nosso coração, e provocar transformações incríveis. Tá aí O Extraordinário (J.C Palacio); Amigos para a vida (Andrew Norris); O Fazedor de Velhos (Rodrigo Lacerda) e tantos outros que não nos deixam mentir. São leituras leves, ágeis, que te envolvem até a última página. Garoto 21 cumpre exatamente esses requisitos.

A história

Finley é um menino introvertido, que vive em função da rotina com o pai e o avô, os treinos de basquete na equipe da cidade e com a namorada Erin. O seu sonho dos dois é terminar o colegial e sair da violenta cidade de Bellmont.

A princípio, as descrições das ruas da cidade, da violência entre as gangues e até mesmo do envolvimento do irmão da Erin, passam percebido e servem como pano de fundo para reforçar o desejo do casal de irem embora do lugar. Contudo, esse é um ponto importantíssimo da história e que não deve ser descartado.

Finley e Erin vivem suas vidas e formam um casalzinho muito fofo. Os dois são perfeitos em tudo. Erin é fera no basquete e tem a expectativa de jogar para uma grande universidade. Já Finley não é brilhante, é esforçado e dedicado, e isso faz com que seja o melhor da cidade em sua posição.

Quando falamos que Finley é “introvertido”, você perceberá ao longo da história que Finley é diferente. Ele mal consegue se expressar, é compelido por uma timidez e passividade absurdas. Prefere o silêncio a qualquer formação completa de frases. Em alguns momentos temos dó dele, em outros dá vontade de entrar na história de sacudi-lo “reage homem”. É exatamente por esse jeito Finley de ser, aliado ao mistério da morte da sua mãe, que ele é escolhido pelo treinador Wilkins para acolher Russ.

Russ é um brilhante e promissor jogador de basquete, todas as principais universidades e empresários o querem em seus times. Porém, Russ agora é um menino traumatizado, após o brutal assassinato dos pais. Ele tem certeza que veio do espaço, que os pais estão vivendo lá e que ele será chamado em breve. Se autodenomina Garoto 21 e se recusa a interagir com os “terráqueos” salvo os seus avós e o treinador Wilkins que é amigo da família.

Qualquer garoto da idade de Finley ao se deparar com a missão de fazer amizade com um novato misterioso, com o psicológico bem abalado, faria inúmeras perguntas, levantaria diversas objeções. Mas não Finley, sua passividade é tamanha que ele a princípio não se dá conta de que o Garoto 21 joga na mesma posição que ele e que sua recuperação significa que ele perderá sua posição no time. A fidelidade de Finley em obedecer às ordens do treinador chama muito a atenção e diz muito sobre ele.

Finley encara o dilema de não ser egoísta e ajudar o Garoto 21, mesmo que isso possa afetá-lo diretamente. Há ainda uma dúvida que paira sobre a história, o Garoto 21 é muito inteligente, e fala com muita propriedade sobre o espaço, estaria ele de fato traumatizado? Ou ele tem usado isso para manipular todos ao seu redor.

“_Ele só me segue porque o treinador falou para ele fazer isso. Esse é o único motivo.”

Finley e o Garoto 21 se dão bem, principalmente porque Finley ignora praticamente tudo o que ele fala, não contesta, mesmo quando ele aparece na escola vestindo capa e capacete de astronauta. Isso vai moldando e fortalecendo a amizade dos dois. Essa passagem define tudo:

 (Erin) “_Não, não é, Finley. É porque você é uma boa pessoa. Porque é fácil ficar perto de você. Porque você é você. Não exige nada de ninguém nem diz qualquer coisa negativa… nunca. Há tanta gente que suga a vida de todos ao redor, mas você não. Você dá força às pessoas, apenas por ser quem você é.” (Pág.116)

Com a iminente recuperação do Garoto 21, o início da temporada de basquete, a pressão sobre Finley aumenta cada dia mais. Porém, o destino muda completamente a vida do Finley, do Garoto 21 e da Erin.

É uma história de amizade, sonhos e recomeços. Ao se envolver com os personagens é inevitável não se emocionar com o desfecho desta história.

Mathew Quick acerta em cheio ao entregar uma história tão sensível  e tocante.

Garoto 21 é uma publicação da Editora Intrínseca. Clique aqui para ver mais sobre o livro

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