Mercado Negro?

Por: Samuel Reis

Aproximadamente 642 pessoas. Esse número poderia se referir a algum público numa peça de teatro, numa exposição ou um evento qualquer. 

Mas esse foi o número aproximado de vítimas do atentado que ocorreu na Somália, cerca de 7 dias atrás e considerado o maior atentado do ano. De acordo com o balanço mais recente do portal de notícias UOL, 358 pessoas foram mortas, 56 estão desaparecidas e os feridos somam 228.  Talvez você já tenha ouvido falar a respeito, mas a verdade é que provavelmente a maioria não procurou saber detalhes do que houve. E é essa a pergunta que fica: “O que houve?” Não com eles, mas com a humanidade. Atentados onde um número muito menor de pessoas foram atingidas geraram comoção mundial, com documentários em horário nobre voltados para humanizar todos e dramatizar as histórias de cada personagem morto, a história de suas famílias, seus históricos e planos futuros interrompidos. França, EUA, Turquia, Bélgica, entre tantos outros países vítimas de infortúnios como esses fizeram com que o restante do mundo voltasse seus olhos através da mídia criadora e influenciadora de opiniões e conceitos.

No caso da Somália, não houve a visibilidade mínima em comparação aos acontecimentos dos outros cenários de atentados terroristas. Não houve iniciativa de comoção em massa pela classe artística como de costume, nenhuma mobilização viral das redes sociais, e muito menos a tão famosa hashtag solidária do “#somostososfulano”. O que houve? Será que foi pelo simples fato de ser em um país pouco influente, localizado na parte “pobre e preta” do planeta? O fato é que, sendo descuido da mídia ou não, as famílias atingidas pelas perdas, as histórias interrompidas, as casas e prédios destruídos se tornam simplesmente algo comum e corriqueiro. Talvez pra você eu esteja dizendo muito de suposições e não te colocando a par de todos os dados exatos, e isso é proposital.

Procure saber. Tenha empatia. Humanize-se. São pessoas que saíram de casa e tinham planos de voltar, como todos nós fazemos diariamente. Não há quem valha mais que o outro. No fim desse comércio onde quem tem mais vale mais, todas as mercadorias terminam enterradas debaixo da terra, sem status, sem riquezas, esquecidos com o tempo. Ironicamente ou não a Somália, um país de pouquíssima ou nenhuma influência sofre sozinho as perdas de sua história, mesmo tendo visto o mundo inteiro se curvando diante das tantas vítimas que sofreram os mesmos ataques no passado e até mesmo recentemente. Uma terra onde negros livres no passado foram submetidos à escravidão para serem exportados a tantos países, se tornando na maioria os principais responsáveis pela sua construção com o trabalho duro e condições precárias, merece sim todo o respeito. Hoje são livres entre si, mas para o resto do mundo são livres até que ponto? A carne mais barata do mercado continua sendo a carne negra.

Agradecimento especial ao Samuel Reis. Se você também tiver uma crônica, historieta ou conto envie para contato@literalmenteuai.com.br

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