Imagem de um jovem autografando a camisa de uma criança.

Uma quarta-feira no Estádio Municipal de Ribeirão das Neves

Quarta-feira à noite, na beirada do campo do Estádio Ailton de Oliveira, final da Copa Brasileirinho Internacional — Sub 15, Cruzeiro x Chapecoense, ouço uma voz infantil:

Moça, moça, cê tem uma caneta?

Olho pra baixo e vejo um garotinho de uns 10 anos com os olhos cheios de lágrimas e com aquele ar de “estou vivendo um sonho” e respondo:

Não, pra quê?!

O garotinho não conseguiu responder, mas com a minha negativa, a feição dele mudou de “estou vivendo um sonho” para “estou perdendo uma oportunidade”. No lugar das lágrimas de emoção, agora estampava o desespero. Aí entendi que o que ele queria mesmo era um autógrafo dos jogadores em sua camisa, que inclusive era maior que ele.

Aí foi minha vez de ficar desesperada! Saí feito louca atrás de uma caneta. O garotinho não ia sair dali sem as assinaturas de jeito nenhum.

Fui atrás do juiz que apitou o jogo, consegui a caneta e na hora que entreguei tive que engolir o choro.

O garotinho não me agradeceu, não teve tempo! Ele saiu correndo atrás dos jogadores que eram pouca coisa mais velho que ele, já que era um campeonato sub 15, e aquele ar de “estou vivendo um sonho” voltou a estampar o seu rosto. A única coisa que ele conseguiu falar, com lágrimas nos olhos, foi: 

É meu sonho conhecer um jogador do Cruzeiro. 

Aí entendi que NUNCA SERÁ SÓ FUTEBOL! 

Pra mim era apenas uma partida de futebol, para aquele garotinho era a personificação de um sonho.

 Os meninos que estavam jogando no time do Cruzeiro, estavam representando o sonho dos outros meninos que gritavam enlouquecidamente na arquibancada. 

O grito de “É Campeão” ecoava pelo estádio, mas dentro dos corações, além da alegria pela vitória, tinha esperança de futuro. Para os meninos que jogaram, o desejo de que algum olheiro tenha notado e reconhecido o seu talento. Para os que assistiram, aquela inspiração de: se eles conseguiram, eu posso conseguir também. 

E foi assim que eu encerrei minha noite de quarta-feira em um estádio. Aprendi com um garotinho de uns 10 anos, que os sonhos nos mantem vivos. Aquele garotinho me lembrou dos meus sonhos de adolescência. Daqueles que me davam brilho nos olhos e muita garra para viver! 

Nunca será só futebol!

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