Eu tinha em torno de 13 anos. Tava naquela fase em que assistimos filmes e novelas compulsivamente, e, a partir do que assistimos e gostamos, vamos criando o nosso futuro de vida perfeito!
Essa fase é boa porque já saímos do período dos contos de fadas, mas ainda não entramos na vida real, ou seja, é o melhor momento para usar a imaginação.
E foi bem assim, flutuando entre realidade e ficção, que o filme Diabo Veste Prada virou o meu primeiro manual de vida.
Não entendeu nada né? Calma, vou explicar! 😅
É que nessa fase eu já tinha entendido que meu futuro estaria na comunicação. Escrever e ler sempre foram as minhas maiores paixões.
🥰 A leitura me transportava para mundos perfeitos!
Também é importante dizer, que bem nessa fase da pré-adolescência, fui apresentada às revistas. E eu era uma consumidora voraz, lia desde o editorial até a última palavra da última página.
Sou de uma época em que as revistas e os jornais estavam entre as principais fontes de informação e não era uma coisa muito acessível, como a internet é atualmente. Tinha que ter assinatura ou ir até uma banca de jornais para comprar.
Para uma garota que morava em uma cidade pequena ou como alguns dizem: suburbana, ter revista em casa era quase um luxo. Mas esse capricho os meus pais tinham.
Eu sempre ganhava edições da Atrevida e às vezes conseguia persuadir minha madrinha para comprar a Capricho também. E essas já faziam os meus olhos brilharem. Mas as minhas favoritas eram a Marie Claire (minha mãe sempre tinha), Vogue Brasil, Caras, Elle e algumas de casamentos.
Nessa época não existia cama box. E se existia, eu não conhecia. Lembro que a Marie Claire tinha aquelas dicas de: “o que fazer na hora H” ou seja, às vezes um conteúdo avançado para a minha idade. Então, eu escondia debaixo da cama para ler em paz, sem ninguém me atrapalhar ou perguntar: o que você está lendo aí? 🤯
Mas enfim, vamos voltar para o filme, porque acabei me perdendo nas minhas lembranças…
Quando assisti o Diabo Veste Prada pela primeira vez, não consegui decidir quem eu queria ser ali. Eu amava a Andy e, como nunca tinha trabalhado na vida, pensava que ter essa vida agitada era na verdade um sonho e não um convite ao Burnout. Já a Miranda era o símbolo do poder feminino e de tudo que sonhava: fazer a minha própria revista e do jeito que eu quiser.
Enfim, nos primeiros minutos do filme eu nem piscava. Finalmente alguém conseguiu entrar na minha cabeça e traduzir o meu roteiro de vida perfeito.
Até que o filme continua e você começa a entender que o diabo chega trazendo algumas verdades e que para realizar o sonho de vestir Prada, tem que abrir mão de algumas coisas, inclusive da própria vida.
Ai eu senti saudades dos contos de fadas. Lá estavam os “felizes para sempre”. Já o filme deixava claro que para ser a editora-chefe da revista você tinha que escolher uma vida de privações. Essa história de príncipe encantado então, esquece! Não cabe isso na vida de uma mulher profissionalmente bem sucedida.
Mas porque diabos a mulher não pode conciliar os dois? Se temos o lindo dom de conciliar até mais que isso. Será que isso não é só uma forma da sociedade limitar os acessos e reconhecimentos que podemos ter. Lembro de uma parte do filme em que a Andy Sachs fala: “Tudo bem, ela é durona, mas se Miranda fosse um homem, ninguém iria reparar em nada em relação a ela a não ser quão boa é no que faz.”
Eu, com 13 anos, chorei! 🥲😪
Chorei porque queria ser a Miranda, mas não queria ser (ou parecer ser) amarga, odiada e nem pisar em ninguém. Eu queria ser a Andy, mas não queria ter que ficar em uma posição de escolher.
Eu queria ser uma mulher incrível, que é reconhecida pelo seu trabalho, que veste roupas legais, que é amada por todos, que ninguém questiona suas decisões e que não tem que se provar o tempo todo.
Mas também é muito importante dizer que acho que não teria feito a escolha da Andy, mesmo porque achava o namorado dela um invejoso (falei, tô leve😅). E, não sei porquê, do meio para o final do filme acabei pegando um tiquim da maldade da vida real e nada me tira da cabeça que esse homem não vale a pena e ia deixar ela. E hoje, 20 anos depois, finalmente vou descobrir se valeu a pena ou não. Enfim, estou ansiosa e está quase chegando o dia de descobrir.
p.s: dispenso spoiler!
Bjs e volto para contar a segunda experiência com o filme. 😘💋
2 comentários
Arrasou ! A melhor escritora, ansiosa pra quando você ver o filme
Ameeei o ponto de vista e o felling que teve. Acredito que a cada vez que assistirmos de novo e de novo e de novo, iremos aprender um pouco mais da vida com esse filme incrível!