A trilogia Redenção faz parte do acervo picante do fenômeno das plataformas de leitura digital, a brasileira Nana Pauvolih, referência em romance erótico, para nenhum 18+  botar defeito. 

Com uma escrita descomplicada, Nana tem o poder de seduzir e capturar o leitor para dentro da trama, seja pela força do ódio ou amor, (nessa trilogia eu vivi esses dois sentimentos), instigando nossa curiosidade rumo ao desfecho de cada história. Ela traz para suas obras muito além das cenas detalhadíssimas de sexo, mas histórias com protagonistas nacionais autênticas, referências a cultura brasileira, e claro, casais com muita, mas muita química. 

Leia a resenha de Pecadora um dos grandes sucessos de Nana Pauvolih. 

É importante lembrar que quando falamos neste estilo literário, em sua maioria, falamos de homens machistas ao extremo, até mesmo abusivos, casais totalmente opostos que se atraem e o desejo é maior que as diferenças, e problemas que poderiam ser resolvidos, muitas vezes com uma simples conversa. Mesmo sabendo de todos esses clichês, as leituras são gostosas, que entretém, bons para curar uma ressaca literária e criar o hábito de ler. 

O nome da série é Redenção, os personagens são três amigos de infância (Arthur, Matheus e Antônio), frequentadores de um Clube de BDSM no Rio de Janeiro, o Catana. Homens ricos, bonitos, acostumados a terem tudo o que sempre desejaram, logo, esses clichês que citei lá em cima estão fortemente presentes e mais, pela primeira vez não torci por um casal, e odiei tanto o Arthur, que sinceramente quase abandonei a leitura, não há redenção possível para este sujeito. Mas segui firme, e gostei demais dos livros seguintes, especialmente do último. 

Redenção de um cafajeste 

O plano do Arthur era conquistar a bela Maiana, moça virgem, honesta e trabalhadora, totalmente o oposto da sua irmã Juliane, com o qual Arthur se relaciona livremente em orgias. Fascinado pela beleza de Maiana, a ideia dele era transar com ela até “enjoar”, depois recompensá-la (como fez com tantas outras), descartá-la e seguir vivendo sua vida como sempre fez. Inclusive ele compra o apoio da Juliane para garantir o sucesso desse plano. 

Arthur é machista, preconceituoso, possessivo, intempestivo e mimado. Foi criado debaixo da asa da avó, que simplesmente apelida o neto de reizinho, por ser rico, bonito e poderoso. A família dele carrega o trauma da morte do pai, em razão da traição da mãe de Arthur. Isso vai fazer toda a diferença na história dele com Maiana. 

“Minha mente trabalhava, incansável. A palavra “apaixonado” martelou em minha cabeça e me assustou. Era esse o poder que Maiana tinha sobre os homens. Se ela quisesse, poderia fazer um deles comer em sua mão. Mas não eu. Lutaria com unhas e dentes contra aquele poder. Não ficaria cego e tolo. Não seria como meu pai.” (pág.327)

Por outro lado, Maiana é uma menina inteligente, esperta, focada, que estuda e trabalha, fugindo totalmente do que a mãe dela sonha para as filhas: “encontrar um homem rico pra casar”. 

Maiana é doce, educada e encanta a todos, o que vai despertar a ira de Arthur, especialmente com a aproximação do seu melhor amigo Matheus. Sem se dar conta de que está apaixonado e cego por acontecimentos do passado, ele vai colocar tudo a perder e da maneira mais escrota possível. Poderiam ter sentado e conversado, evitado todo o sofrimento da trama.

Um cafajeste em busca da redenção, rendição total ao amor de uma única mulher, mas antes disso, ele vai aprontar muitas, tantas que sinceramente, não dá pra torcer para que Arthur fique com a Maiana, ela não merece realmente, ainda mais porque temos Matheus, fofo e apaixonado à espreita. 

Mas eles têm seu final feliz, bem razoável, e seguimos para o próximo livro, vendo a formação dessa família e sem saber como Matheus vai lidar com a reconciliação do casal. 

Redenção e Submissão 

Quem viu Matheus Sá de Mello no livro anterior, todo fofinho e romântico, não sabe o que ele apronta no Clube Catana.Matt é um exemplo singular de dominador, e todas as frequentadoras do clube querem ser suas submissas. 

Ele continua apaixonado por Maiana, mas entende que o amigo Arthur chegou primeiro e que ele precisa seguir com sua vida. 

“_ Acho que Matheus percebeu que eu amava de verdade e tinha me arrependido. Isso o segurou. Não sei se faria o mesmo no lugar dele. Mas uma coisa é certa, Sophia. Eu, ele e Antônio somos amigos há muitos anos. E Matheus sempre foi o melhor de nós três, o mais centrado e honesto, cheio de valores. Ele pensa antes de agir. Não é precipitado como eu, nem frio e controlador como o Antônio, que acha que tudo tem que ser à sua maneira. E o caráter dele pesou…”  (pág. 3O4)

E é no clube que ele vai conhecer Sophia Marinho, uma mulher incrível, espirituosa, poderosa, lindíssima e… também dominadora. O que é uma surpresa para os leitores de romance hot, acostumados com protagonistas lerdas e inexperientes. 

Então temos um romance de pegar fogo, com a disputa de dois dominadores, especialistas em chicote. Algumas cenas de sexo haja malabarismo pra entender o que está se passando. 

A autora reserva mais surpresas. Aqui, o Matheus é romântico e quer amor, casar e formar família, já a Sophia tem aversão e este será o empecilho. É legal ver o amor entre os dois fluir, e os percalços que encontram são justificáveis. 

É um livro que traz bastante informações sobre o BDSM e as técnicas que cada personagem aplica, algumas são bem chocantes, inclusive as descrições sobre os frequentadores submissos/escravos do clube. Não sei se poderia ser diferente, afinal é totalmente fora da nossa realidade, mas algumas técnicas e situações descritas são preconceituosas e humilhantes. 

Matheus e Sophia formam um casalzão autêntico, livre, e o amor entre eles é natural, diferentemente do outro casal da trama, Antônio e Ludmila, protagonistas do livro que fecha a trilogia.

Redenção pelo amor 

Se os dois amigos já vivem o seus felizes para sempre, agora é a vez do empresário frio e autoritário, Antônio. 

Na leitura dos livros anteriores, Antônio sempre aparece fechado, triste e literalmente mal amado, apesar de ser casado com uma socialite famosa, Ludmila Vernere. Ninguém sabe de fato porque são casados, não demonstram afeto nenhum, ao contrário, parecem se odiar dia após dia. 

A revelação desse mistério enfim é que Antônio já teve seu grande amor, a Cecília, e a perdeu por pressão do pai e armações de Ludmila, uma vilã no melhor estilo mexicano, que a autora trabalhou super bem e carregou na maldade. 

Em Redenção pelo amor, conhecemos o início da história do triângulo Cecília, Antônio e Ludmila, a destruição do casal, e a redenção com o reencontro 9 anos depois. Com Cecília, Antônio viveu os melhores momentos da sua vida. Com Ludmila, a luz se apagou e ele vive em uma escuridão, que já respinga em seu filho. 

“Nunca foi assim com mais ninguém, só com ela. Como pude ficar tanto tempo sem aquilo? Como pude sobreviver sem minha alma, sem meu amor, sem minha vida?” (pág. 31O)

Antônio e Cecília são um casal que a gente torce demais para que fiquem juntos.  A separação é dolorida e muito triste, apesar de que Antônio poderia ter resolvido o BO, ao invés de viver uma vida dupla. É inevitável odiar a Ludmila, apesar de que o destino dela foi bem cruel e machista. 

É um livro mais emocional e afetivo, a primeira fase é embalada por músicas nacionais que marcam o momento de amor entre Cecília e Antônio. Mas também é um livro com cenas pesadas de violência, todas envolvendo a Ludmila, ora provocando, ora provando do seu próprio veneno.

Se na primeira fase, Antônio peca pela omissão e falta de atitude, no reencontro ele vai com tudo. Temos um homem apaixonado e determinado, lutando fortemente pelo amor de sua vida, e contará com a ajuda de Arthur e Maiana, Matheus e Sophia, seu irmão Eduardo, que merecia também um livro só dele. 

Redenção pelo amor, fecha bem a trilogia, dando um spoiler legal de como os casais formaram suas famílias e criaram seus filhos, sempre unidos, e ainda com direito a um plot twist fofo, a formação de um casal entre os filhos de Antônio e Matheus.  

A trilogia é uma publicação da Editora Fábrica. 

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