Em Pecadora, Nana Pauvolih entrega um romance questionador, picante e envolvente!

Eu nunca imaginei ler um romance picante (e bota pimenta nisso) que tivesse como pano de fundo a religião, justificando o nome mais que sugestivo: Pecadora. A dona dessa sacada é uma das maiores representantes do gênero hot no Brasil, Nana Pauvolih, com mais de 50 obras lançadas, especialmente nas plataformas digitais. 

O que Nana faz nessa escrita, além de entreter, é entregar uma narrativa honesta e convincente, principalmente a primeira parte da trama, em que ela contextualiza o ambiente e a criação rígida da personagem Isabel, que vão nortear suas ações ao longo da trama.

Isabel é uma jovem que cresceu dentro dos preceitos de uma igreja fundada pelo seu pai. Ela tem regras próprias criadas a partir da interpretação dele de trechos da bíblia, cujo mínimo desvio é passível de punições severas, como expulsar a própria filha grávida de casa ou, ainda, ameaçar com o fogo do inferno pensamentos impuros e tudo aquilo que não condiz com o que ele prega. Sob a constante iminência de uma punição divina, Isabel vive as descobertas da sua adolescência e do prazer, com culpa e remorso por estar desagradando a Deus e a seus pais. Ela sequer pode escolher seu marido. 

“Como muita coisa não era falada em casa, e sabendo que qualquer pergunta errada seria motivo para castigos, eu guardava tudo para mim.” (pág. 14)

A autora deixa bem claro que Isabel é uma mulher de fé, se sente bem na congregação, ama a Deus, mas quer ter respostas e mais conhecimento sobre vários assuntos, sem sentir uma pecadora. Contudo, não pode, por exemplo, dar sua opinião na presença dos pais e do marido, cortar o cabelo, usar um pijama curto, entre outros absurdos que chocam ao longo da história. Se libertar dessa opressão e manter sua fé é um desafio e tanto.

Isabel é infeliz na vida, sobretudo no casamento com Isaque, que se revela ao longo da trama um embuste e ainda mais submisso da igreja do que Isabel. Penso que os dois poderiam lutar juntos e adaptar a vida deles de maneira a viverem sua fé e serem felizes, com ele, por exemplo, não aceitando tão facilmente a proibição de ver TV ou jogar futebol. Mais um ponto a favor da autora que mostra a presença e o impacto dessa alienação na vida dos dois, porém, mais fortemente na das mulheres.   

Gostei dos contrapontos, sem confrontos com religião, que a autora inseriu por meio de personagens, como a dona Leopoldina que disse, entre outras, essa pérola: “Pecado é não se sentir bem, não ser feliz e não aproveitar a vida!”. (pág. 51)

Assim, nessa busca pela felicidade, mesmo que temporária, Isabel se envolve com Enrico Villa, objeto de luxúria e pecado, a personificação dos seus sonhos mais secretos e eróticos. Um clichezão que ostenta uma tatuagem com a frase: ”se não achar um caminho, eu faço um”, mas que esconde um homem atormentado pelo passado de tragédias e solidão. 

Mesmo com o arrependimento e a culpa martelando cada passo, com o fogo do inferno cada vez mais perto, lambendo suas saias longas, Isabel experimenta esse pecado e gosta demais. Contudo, ainda assim, precisa buscar o equilíbrio entre prazer e culpa.

Para mim, o grande ápice da trama nem foi o final feliz de Enrico (sedutor quase incorrigível/indomável) e da pecadora Isabel, cuja química perfeitamente construída com impacto e sedução emocionou e fechou a trama com chave de ouro, mas, sim, reforçar para todos os personagens e aos leitores de que Deus é amor e igreja é acolhimento. 

Esperavam por essa? Não mesmo!

Quer um romance picante, envolvente e sedutor? A dica tá aqui, lê quem quer!

Pecadora é uma publicação da Editora Essência

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