Uma mulher no Escuro |Raphael Montes

Depois de um enorme suspense em torno do lançamento de Uma mulher no escuro, enfim o quinto livro do escritor brasileiro Raphael Montes foi lançado.

No cenário thriller, suspense, romance policial e até mesmo terror, nenhum escritor contemporâneo nacional é tão expoente quanto o carioca Raphael Montes.

Ele  tem apenas 28 anos e já escreveu cinco livros, além de colaborações e outros trabalhos para jornais, revistas e roteiros de cinema e televisão.

O cara tem talento de sobra e sabe muito bem como deixar o leitor fascinado, agarrado às páginas. Eu mesma já virei madrugada lendo Suicidas, que para é de longe o melhor livro do autor.

Em junho, Raphael lançou sua obra mais recente, Uma mulher no escuro, um livro relativamente curto e que estava matando de ansiedade todos os fãs do escritor, eu mesma fui correndo comprar.

Raphael fez um enorme suspense em torno da obra, divulgando trechos pra leitores que se inscreveram no e-mail e uma enorme campanha de lançamento. 

Sobre a história: 

Victoria Bravo é uma jovem mulher de 24 anos que tem em seu histórico de vida uma enorme tragédia. Quando tinha apenas 4 aninhos, a família de Victória, pai, mãe e irmão mais velho, foram brutalmente assassinados, com requintes de crueldade e de sadismo, por um assassino que recebeu a alcunha de “O pichador”, porque ele pichou com tinta preta os rostos de suas vítimas.

Victoria foi a única sobrevivente, porém carrega sequelas físicas e, claro, psicológicas. Vinte anos depois, o assassino está de volta e está atrás da sobrevivente. O motivo? Ela vai ter que descobrir destampando o baú que encerra seu passado e encarando estarrecedoras verdades nunca ditas e histórias nunca contadas. Além é claro, de seus maiores medos, razão dos seus pesadelos diários.

Pra começar eu vou ser clara, eu não gostei do livro, mas ele tem pontos positivos e, por isso, eu indico a leitura. E vamos ao primeiro ponto que me incomodou. Uma mulher no escuro não me parece Raphael Montes, parece um livro feito para cumprir contrato com a editora. Sabe, quando nos filmes os autores estão sem inspiração, com o famoso bloqueio criativo, mas têm que entregar um livro por obrigação contratual? Foi essa sensação que o livro me transmitiu. E não entenda que eu acho o livro pouco criativo, não é isso que estou dizendo, apenas que o livro tinha muito potencial que não foi explorado.

Outro ponto que me incomodou durante a leitura foi a sucessão de clichês. Victória é uma menina que sobreviveu a uma grande tragédia no passado, então é óbvio que ela: tem pesadelos toda santa noite, é reclusa e odeia contato com outros seres humanos e qualquer tipo de intimidade, não conhece/ não acredita no amor, nunca beijou ou transou com ninguém porque tem aversão a contato físico de qualquer natureza, mora sozinha em um micro apartamento, não estudou e trabalha adivinhem onde: se você chutou cafeteria/lanchonete acertou. Agora fala se você já não viu isso por aí em uma diversidade de livros e filmes. Poderia ter optado por justamente construir algo que fugisse disso, mas não, caiu no mais do mesmo. E preste bem atenção: não estou falando que uma sobrevivente de tragédia tinha que estar vivendo por aí leve saltitante, dançando num campo de girassóis floridos. Mas também não acho que todas as vítimas de tragédias têm sempre esse mesmíssimo perfil. 

Os personagens:

Outro ponto que me incomoda na leitura é a própria protagonista. E como eu esperei pela primeira protagonista mulher do escritor. Mas me veio uma moça apática, e totalmente sem graça. Victória causa zero empatia. Você (eu pelo menos) não torce por ela. Ela não te causa amor, nem raiva. Não causa nada. É chata!

Os outros poucos personagens do livro são Arroz, único ‘amigo’ de Victória. Que mesmo assim, não sabe nada da vida dela e nem ela da dele. Dr. Max, seu psiquiatra, sua tia-avó Emília e Georges, um escritor que passa os dias no café onde ela trabalha e de quem ela começa a se aproximar romanticamente.

O outro personagem da história é o vilão Santiago, o jovem adolescente que no passado foi acusado de matar os pais de Victória, pois foi encontrado sujo de sangue próximo ao local do crime. Conhecemos um pouco sobre ele nas páginas de um diário que o assassino envia para a garota. Santiago é o personagem mais intrigante de todos, mesmo que sua narrativa se passe enquanto ainda era adolescente. É o personagem mais profundo da história, mas não imagine as profundezas de um oceano não. 

Além disso, a narrativa não tem fluência, vai indo e para, vai indo e para de novo. Quando a gente acha que vai engrenar num frenesi de situações, loucuras, descobertas… o livro acaba. O livro não esquenta verdadeiramente em nenhum momento e não nos causa aquela vontade de ler até acabar sabe? Como acontece, por exemplo, no espetacular Suicidas e Dias Perfeitos. Até mesmo um dos maiores plot twists da história, que diga-se de passagem é muito criativo, não empolga e é pouco desenvolvido. 

Os pontos positivos são que o livro tem uma escrita muito objetiva e clara com o leitor. Além disso, ele é curto então não chega a se tornar cansativo, daqueles que você tende a abandonar.

Aconselho a leitura sim, mas confesso que Uma mulher no escuro ocupa agora o último lugar na minha lista de favoritos dele. E entenda bem, eu não necessariamente estou dizendo que o livro é ruim, mas sim que ele não parece ser um ‘Raphael Montes’ e que a história tinha um mega potencial que não foi explorado. 

Somos tão fãs do Raphael Montes que ele já foi nosso autor do mês. Conheça mais sobre ele e suas obras clicando aqui

Resenha: Dias Perfeitos

Resenha: Jantar Secreto

Resenha: O Vilarejo

Resenha: Suicídas

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