– Eu tenho gostos peculiares, você não entenderia.

– Então me mostre.

Nesse momento eu abro o meu quarto e, lá está, minha coleção de filmes antigos.

Gosto e coleciono filmes antigos. Coleciono aqueles filmes bem antigos, antigos mesmo, quanto mais antigo, melhor. Adquiri esse gosto na adolescência, na época, eu tinha vergonha de falar que gostava. Tinha receio que me chamassem de esquisita, por causa disso. Bom, me chamaram de esquisita por vários outros motivos, não por causa disso. Com quase 30 anos, não tenho mais vergonha, ao contrário, posto fotos, curto, compartilho links e se bobear, falo disso o dia inteiro, nas minhas redes sociais.

Normalmente, escolho algum filme da minha coleção, pra assistir com meus pais. Escolho o filme com todo cuidado. Quando coloco o filme Casablanca no dvd, já estou animada. Empolgada, por ser um dos meus filmes preferidos, logo penso: Esse filme aqui, meu pai vai adorar!

Quando chega na parte do filme, que eu acho maravilhosa, viro pro meu pai, com um sorriso no rosto, e lá está ele, cochilando. Do nada ele acorda, e começa a me encher de perguntas ou simplesmente, constatações aleatórias.

– Elizabeth Taylor é a atriz mais bonita de todos os tempos _ Ele me disse isso, entre um cochilo e outro.

– Concordei, ela era muito bonita, sim.

– Você já viu o Alain Delon? Esse era galã. Procura aí na internet.

Poxa, ele tinha razão. Alain Delon era, realmente, um “galã legítimo”.

– Mas ela bebia demais.

– Quem? – pergunto.

– Elizabeth Taylor. Na época dela também tinha uma loira que era muito famosa. Esqueci o nome dela… _ele me fala isso, com cara de dúvida.

– Marilyn Monroe? Pergunto.

– Não. Era uma atriz que virou princesa.

– Grace Kelly! Essa era bonita mesmo. _ respondo satisfeita, porque não havia como errar.

– Por que ele está bebendo? – Meu pai pergunta, olhando para o filme.

– Essa moça é uma paixão do passado, e do nada, apareceu no bar dele. – respondo.

– Esse foi eleito o melhor ator de todos os tempos. _acrescento, orgulhosa, por saber essa informação.

– Sério? Prefiro o Charlton Heston! – meu pai disse isso, com toda convicção.

– Esse também era bom, mas não conheço muitos filmes dele – respondo.

– Já que você gosta muito de filme antigo, procura o filme “El Cid”. Tive um álbum de figurinhas desse filme. _meu pai recomenda, com ar de nostalgia.

 

Depois de uma hora e quarenta e dois minutos de filme e toda essa conversa, Casablanca chega ao fim e, a clássica cena do final, me emociona novamente. Talvez, no passado, eu ficaria irritada pelos cochilos e pelos cortes, realizados durante o filme. Afinal, se você parar para pensar, os atores Alain Delon e Charlton Heston, ou, as atrizes Elizabeth Taylor e Grace Kelly, nada tinham a ver com o filme Casablanca.  Mas, atualmente, isso não me incomoda. O tempo vai passando e você aprende a valorizar conversas e presenças. Coisas desse tipo, se tornam prazerosas. Sem falar que, recebi uma indicação fodástica, de um filme épico, que por sinal, já assisti. Fiquei maravilhada, por causa da superprodução e por causa da atuação de Charlton Heston que, devo acrescentar, hoje, é um ator tão querido pra mim, quanto o Humphrey Bogart, galã principal do filme Casablanca.

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