Resenha do último livro lançado pelo nosso autor do mês Raphael Montes.

Em um livro de tirar o fôlego, o autor brasileiro Raphael Montes mostra a que veio. E mais uma vez, para chocar seu público. “Jantar Secreto” é um romance pra lá de especial com seus personagens marcantes e seus diálogos um tanto coloquiais, uma linguagem bem jovial e divertida. Veja o booktrailer

São quatro os personagens de maior importância no livro. É quase inevitável não se identificar com algum deles. Eu me identifiquei muito com o Miguel (com certeza, muitas pessoas vão achá-lo um cara chato, mas ele sou eu! rs). Moral desse comentário: nunca me chamem para fazer um “Jantar Secreto”. Com certeza, serei a pessoa negativa e dramática que irá tentar atrapalhar o esquema de todas as maneiras. (Ops… um pequeno spoiler)

Voltando ao livro. A história tem uma pegada divertida e atual, apesar de ser bem macabra e de lembrar as exageradas e geniais cenas dos filmes de Quentin Tarantino. É absolutamente normal que os jovens de hoje tenham uma visão de futuro sonhadora, com seus planos de dar certo na vida e conseguir feitos extraordinários. Entrar na faculdade é o primeiro passo de uma libertação. O primeiro passo de uma liberdade financeira, de uma independência da família. Certo? Pelo menos, é o que se espera. Esse ponto é o que abre as portas para este romance. Dante, Miguel, Hugo e Leitão veem na faculdade, na mudança de uma cidade do interior (no Paraná) para a cidade grande (Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa) a chance de se tornarem independentes, adultos promissores e de terem a vida dos sonhos.

Depois de um tempo, quando os quatro amigos veem parte de seus sonhos desmoronarem, eles precisam encontrar uma maneira de reverter a situação, evitar um despejo e se livrar da eminente necessidade de assumir aos pais que precisam de ajuda e que fracassaram. A ideia que surge é a de preparar um jantar comum para arrecadar dinheiro, mas Leitão resolve reformular as coisas e propõe que o jantar tenha um ingrediente especial: as melhores carnes humanas do mercado do Rio de Janeiro. Chocante, não?

“Jantar Secreto” tem ainda umas referências bem interessantes à cultura pop. Por exemplo, para quem já leu o livro ou assistiu ao filme “O Clube da Luta” sabe que a primeira regra do clube é: “não se fala sobre o clube da luta”. A primeira regra do “Jantar Secreto” é: “não é permitido falar sobre o jantar”. Além disso, o carro compartilhado pelos personagens se chama Bukowski (que, “apesar de velho e beber bastante, ainda era capaz de longas aventuras”), uma clara referência ao escritor alemão Charles Bukowski, cujas obras são marcadas por temas como alcoolismo, prostituição e erotismo. O livro também é marcado por “poemas de banheiro público”, frases que pessoas que passam por esses lugares deixam registradas em portas e paredes; além de enigmas que servem de “norte” para o desenrolar da história. Pode se encontrar de tudo em “Jantar Secreto” humor, drama, poesia, excentricidades, aventura e recursos inovadores como a reprodução de memes de uma conversa dos jovens no Whatsapp, além da receita de como preparar e temperar um belo pedaço de carne

De maneira inteligente e divertida, este romance de Raphael Montes é incrível, chocante, viciante e vale muito a pena ser lido. Em meio a tantas crises e o medo do desemprego eterno que atinge o país, o livro mostra até onde o instinto de sobrevivência, o desespero e a incerteza de um futuro melhor e mais promissor pode levar o ser humano.

Raphael Montes é o nosso autor do mês de novembro. Veja mais aqui!

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