O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago

Falar sobre a Bíblia é um tabu, principalmente se você acredita em uma versão diferente dos fatos, e O Evangelho Segundo Jesus Cristo é exatamente isso, a vida de Jesus por outra perspectiva.

A primeira coisa que você fica sabendo sobre Saramago é que a escrita dele é muito difícil, que ele não é chegado a parágrafos e pontuações, e isso é verdade.

A primeira coisa que você vai perceber que ele tem uma maneira diferente de escrever, a narração é como se fosse um fluxo de pensamento e ele vai contando como se estivesse do seu lado lhe confidenciando uma situação. Não vou negar que no começo estranhei a escrita, mas com o desenrolar do livro eu acabei me acostumando e até gostando.

Especialmente nesse livro, o que dificulta a leitura é a intensidade e a profundidade do tema abordado. Falar sobre a Bíblia é um tabu, principalmente se você acredita em uma versão diferente dos fatos, e O Evangelho Segundo Jesus Cristo é exatamente isso, a vida de Jesus por outra perspectiva. Para muitos Saramago é ofensivo, mas pra mim foi uma maneira diferente de contar a tão conhecida história do filho de Deus.

Saramago é ateu, então era de se esperar que ele criticaria as ideias da igreja. Durante todo o texto, você percebe que ele estudou as escrituras a fundo e resolveu criar uma nova versão, que em vários momentos para mim fez muito mais sentido.

O autor vai questionar a todo momento a ideia do Deus castigador, que está sempre observando, esperando um deslize para punir o pecador, um Deus que tem sede de controle e de poder, o que me fez gostar bastante da história, uma vez que eu mesma já questionei o fato de muitas religiões pregarem um Deus carrasco.

Além de questionar a imagem de Deus, Saramago cria um novo Jesus Cristo, um homem de carne e osso, que diferentemente do descrito na Bíblia, falha, tem medo, se entrega aos prazeres da carne e é muito mais a imagem e semelhança de um homem. E acho que essa humanização não o desacredita, mas o mostra muito mais forte e real.

Um dos pontos em que o filho de Deus é mostrado como um homem é quando ele se encontra com Maria Magdala, que pra mim é uma das personagens mais encantadoras de toda a história. O amor e a devoção que ela entrega a ele é admirável, em momento nenhum a relação carnal deles atrapalha na missão que ele tem que cumprir, pelo contrário, Magdala está sempre ao lado dele, apoiando e acreditando, ela é uma das seguidoras mais fiéis do Messias.

Se por um lado temos Maria Magdala retratada de uma forma muito doce por Saramago, temos as mulheres em todo livro sendo tratadas como inferiores, o machismo é explícito, principalmente na relação de José e Maria. Claro, que acredito que isso também foi uma crítica do autor a toda a ideia da Bíblia de que a mulher tem que ser submissa ao marido.

Por fim, a crítica final fica por conta da comparação entre Deus e o Diabo, que em vários aspectos são muito semelhantes. Saramago coloca o dedo na ferida e diz que os dois têm muito em comum. Então o autor fecha o livro mostrando que as duas forças caminham lado a lado.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo é livro denso, daqueles que você termina de ler e fica por um tempo tentando absorver. Não é uma leitura fácil, você não vai ler em poucos dias ou em apenas uma sentada, porque tudo ali precisa ser refletido e absorvido. Um livrão que todos precisam ler. 

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2 Replies to “[Resenha] O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago”

  1. Saramago escrevendo sobre Jesus é mais ou menos querer que o Lula escreva sobre o combate à corrupcao. Com um discurso motivador ele diz o que pensa, descortina as entranhas da nação em sua fragilidade e reune uma dezena de loucos, uma centena de perdidos e milhares de seguidores. Os loucos são os que acham que o Lula está certo de forma inequivoca, seria a turma da “infalibidade papal”, os perdidos são os que se associam aos loucos, nao sabem o que querem mas discordam do momento atual e portanto passam a querer o que o Lula quer e prega. Pensam ser independentes, mas o desejo de defender uma causa e possuir um proposito a qualquer custo os fazem abraçar o capeta. Por ultimo vem os seguidores. Sao os que se associam aos loucos e aos perdidos…esses nao sabem o que realmente precisa ser feito. Tem uma ideia do que precisa ser feito, mas nao sabe como, quando, onde e por quem deve ser feito. Aí ouvem o Lula naquele discurso bacana e involvente e pensam que ele está certo. Mas isso ocorre pela falta de capacidade de discernirem entre o certo e errado. Por nao conhecerem o errado nao sabem como identificar o certo e abraçam o mesmo capeta. No fim das contas vao concluir que o Lula apesar de colocar terno, andar com jurista, e nomear juiz, nem sabia do que estava falando quando falava em combate à corrupcao. O Saramago como ateu deve se equiparar ao Lula…nem sabe do que está falando. Por esse motivo apenas, o livro ja me cheira a lixo. Se ganhar um de presente vou descobrir. Porque gastar dinheiro com lixo…ja nao faco isso ha tempos.

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