A adaptação de Os Bridgertons surpreende e encanta

Diretamente das bancas de revistas para a Netflix, os Bridgertons, já fazem sucesso entre as leitoras de romance de época desde o início dos anos 2000, data das primeiras publicações.

A série ganhou uma repaginada sob cuidados da Editora Arqueiro em 2013, que não apenas publicou todos os livros (total de 9 volumes), como também em uma ação exclusiva, trouxe a autora Julia Quinn em uma mega turnê de autógrafos que passou por vários estados brasileiros, agradando os leitores de fora do eixo Rio-São Paulo. 

A promessa da adaptação pela Netflix de focar no primeiro livro – “O Duque e eu “, foi bem recebida pelos fãs, uma vez que cada membro dessa numerosa família tem seus caminhos traçados em momentos distintos. Cada volume da série apresenta a história de amor de um dos filhos de Violet, total 8, nomeados por ordem alfabética: Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyancinth;

O Duque e eu, conta a história de amor entre Daphne Bridgerton e Simon, Duque Hasting e apresenta as peculiaridades de uma família escandalosa e numerosa, liderada pela matriarca, a viúva Violet Bridgerton, um dos ícones da sociedade Londrina nos anos 1800.

O livro

Em uma época em que fazer um bom casamento era não apenas um negócio, como o principal e único objetivo das jovens damas e claro, suas mães. É importante contextualizar que toda uma estrutura (econômica e social) se sustentava em prol desse arranjo. Temporadas sociais eram organizadas para apresentar essas jovens em idade de se casar, em eventos suntuosos como os bailes, piqueniques, reuniões sociais nas casas de campo da aristocracia, entre outros. Tudo em prol do sucesso matrimonial.

As mulheres eram preparadas para cumprir o papel de esposa, cuja obrigação, gerar o herdeiro e garantir a continuidade da linhagem nobre e dos ritos sociais. A elas também o destino cruel de serem consideradas aos vinte e poucos anos velhas demais para casar (solteironas), apesar de serem submetidas a casamentos com homens muito mais velhos, em prol da honra e do sucesso financeiro da família.

Em Duque e eu, Daphne Bridgerton e o Duque de Hasting, arrumam um jeitinho de burlar essa estrutura, em busca de objetivos completamente diferentes. Com problemas justificáveis com o pai aristocrata, Simon quer dar fim a linhagem de sua família, não quer se casar, tão pouco ter filho. Por conta do seu título e sua fortuna, Simon é alvo das mães casamenteiras que veem nele o marido ideal

Daphne é uma beldade com grande destaque na temporada, recebendo até mesmo elogios da rainha. Porém, contrariando as regras da sociedade, ela quer se casar por amor, e, por isso seu irmão mais velho Anthony, responsável legal pela família Bridgerton, tem recusado as propostas (medíocres) de casamento. Ela precisa de pretendentes e nada melhor do que ser cortejada por um duque.

Eis então o acordo: A aproximação do Duque despertará a atenção de bons partidos para Daphne, em contrapartida, afastará as mães casamenteiras da cola de Simon.

“Simon percebeu que ambos estavam presos. Presos pelas convenções e expectativas da sociedade. E foi então que uma ideia lhe veio à mente. Uma ideia estranha, louca e espantosamente maravilhosa. Talvez perigosa também, já que com certeza o deixaria numa condição permanentemente de desejo não realizado…” (pág.75)

A parceria é perfeita e o casal deslumbrante. Tanto no livro quanto na série, o casal tem química de sobra. Assim, conviver com Daphne e sua família excêntrica obviamente aproximará esse casal e sim, uma paixão ardente entre dois opostos surgirá. Porém, eles precisarão alinhar seus objetivos para viverem essa grande paixão.

Em paralelo a história dos dois, vamos conhecendo a família Bridgerton, cada irmão com sua personalidade bem definida e objetivos completamente diferentes. Além deles, há toda uma aristocracia, um núcleo de personagens com participações importantes: A fofoqueira Lady Whistledown que escreve um jornal onde expõe a sociedade londrina e suas excentricidades. O jornalzinho de Whistledown ditará as ações dos personagens, e movimentará a trama em torno da revelação de sua identidade.

Uma das principais rivais de Violet, Lady Portia Featherington, fará de tudo para casar suas filhas. Uma em especial é uma querida, Lady Penélope Featherington é uma das personagens mais marcantes da série. A minha preferida é Lady Danbury uma típica senhora da sociedade londrina que encanta os leitores com suas tiradas sarcásticas. É legal que esses personagens vão se conectando ao longo das próximas histórias.

O Duque e eu é um digno exemplar de romance de época, com todos os seus elementos característicos: Tem escândalo, tem duelo, tem bailes pomposos, tem fofoca e romance de tirar o fôlego. Além disso, levanta discussões importantes: ausência de educação sexual para as mulheres, a futilidade das convenções sociais, situação e papel da mulher na sociedade, status da nobreza mantidos por meio de um nome e pouco caráter.

A série literária é sucesso no mundo e o anúncio da adaptação pela Netflix causou alvoroço e muita expectativa nos fãs. Depois dos sucessos de séries baseadas em romance de época como When Calls the Heart (Quando chama o coração), e Anne with an E, a Netflix têm investido cada vez mais em adaptações literárias e encontrado um nicho pronto com uma base de fã já consolidada.

Veja o trailer

A adaptação:

Como já é comum na Netflix, as novidades são disponibilizadas aos assinantes logo nas primeiras horas do dia, e assim, desde às 5h de 25 dezembro, a #bridgertonnetflix e o nome de alguns personagens figuraram nos trends toppics do Twitter.

A adaptação agradou aos fãs, e como uma dessas leitoras ansiosas pela série, posso dizer que gostei muito. Manteve a pegada de grande parte da história, seguindo inclusive, algumas citações do livro à risca. 

Cena: Os Bridgertons | Netflix

O trabalho da equipe Shondaland foi impecável! Desde a caracterização, fotografia, cenário, figurino, performance dos atores e trilha sonora, que surpreendeu ao embalar os bailes com músicas de ícones POP como Billie Elish, Taylor Swift, Maroon Five, em versões clássicas. Escolhas minunciosamente pensadas para agradar não apenas aos leitores.

Como toda adaptação, as mudanças na história e antecipação de alguns fatos, foram bem-vindas e assertivas, como a revelação da identidade por trás da Lady Whistledown e a apresentação mais aprofundada dos demais irmãos Bridgertons. Por exemplo, nos livros sabemos que tanto Anthony, quanto Benedict são libertinos, mas não temos a descrição dos fatos, a imersão nessa vida pregressa. A adaptação explorou os bastidores dos famosos clubes de cavalheiros, jogatinas e prostituição, criando o ambiente perfeito para apresentar esses personagens.

Cena: Os Bridgertons | Netflix

Por falar em libertinos, não faltaram as tradicionais cenas de sexo dos romances de época, cuidadosamente exploradas e contextualizadas, trazendo mais o nu masculino, algo que já se destacou também em outra adaptação da Netflix, o polêmico 365 DNI.

A química entre os atores Regé-Jean Page (O Duque) e Phoebe Dynevor (Daphne Bridgerton) é perfeita, assim como a interação entre a matriarca Bridgerton vivida pela atriz (Ruth Gemmell) e os filhos.

Cena: Os Bridgertons | Netflix

Outro ponto positivo é que a adaptação corrigiu a ausência de diversidade da obra literária com seus personagens totalmente brancos, trazendo negros em papéis principais, e figurantes com ascendência oriental e latina, apesar de não mencionar questões como racismo ou xenofobia.

A série manteve discussões importantes como os privilégios masculinos, principalmente em relação a liberdade sexual e a submissão da mulher ao arranjo matrimonial como única opção de futuro. Termina fechando as principais pontas e levantando a bola para adaptação do segundo livro, O visconde que me amava. 

Cena: Os Bridgertons | Netflix

Quando li a série lá em 2013, não imaginei que fosse vê-la tomar forma dessa maneira incrível. A Netflix tem mostrado que é possível adaptar livros, manter a essência da história agradando os fãs e conquistando novos admiradores para o livro e série. Isso é muito importante para literatura e para os autores.

Mesmo que você não conheça a história ou tenha lido o livro, vale a pena o entretenimento. Os Bridgertons é uma série agradável e divertida, uma ótima dica para quem gosta romance com uma pegada hot. 

Seguimos na expectativa da segunda temporada.

Graças a Deus a Shonda não matou nossos personagens favoritos!

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