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Em uma época em que as mulheres eram consideradas propriedade dos homens  Adoráveis Mulheres, quebra esse paradigma e traz quatro mulheres com muita personalidade para dividir o protagonismo. O filme de Greta Gerwig é uma adaptação do livro Mulherzinhas (Louisa May Alcott) e pode-se dizer que a obra é uma inspiração autobiográfica da autora.

Veja o trailer:

O enredo do clássico Adoráveis Mulheres  gira em torno da história de quatro irmãs crescendo entre 1861 e 1865, durante a Guerra Civil Americana.  A narrativa já fora encenada, inclusive no teatro, e agora ganha vida nas telonas com Emma Watson no papel de Meg.

Enquanto a grande preocupação das moças da cidade era os vestidos, bailes e casamento, as irmãs Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen), buscam desfrutar da juventude. Além de ajudar a mãe, enquanto o pai servia na guerra.

Jo é uma sonhadora, que quer se tornar uma escritora de sucesso. Ainda bem jovem, se muda para Nova York e começa a escrever pequenos contos para o jornal local. A evolução dessa personagem é extremamente notória, uma vez que, é possível ver diante da tela uma jovem garota ir contra todo o sistema hierárquico feito para oprimi-la. E o mais importante: ela não se importa com títulos e julgamentos alheios.

Pode-se dizer que, pela atuação brilhante de Saoirse Ronan ou a edição com requintes de sensibilidade, Adoráveis Mulheres deveria constar no currículo escolar.  O filme é um grande copilado entre flashbacks da vida das garotas, narrado por Jo enquanto escreve seu primeiro grande romance na vida e nos livros.

Mulheres e propriedades X Mulheres como propriedade

E falando em grande atuação, não poderia deixar de destacar o papel de Meryl Streep, que interpreta a tia rica da família. Tia March é uma senhora conservadora e de muita personalidade. Optou por não se casar para não perder sua fortuna. Isso acontecia,pois, no instante em que uma mulher se casa, todas as suas posses passam a pertencer ao marido.

Logo, a meta de vida de Tia March é casar bem uma das sobrinhas. E, por “casar bem”, leia-se “se casar com um homem rico.

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Por vezes, alguns personagens quebram a quarta parede, um grande diferencial para filmes que não são de comédia.

 

Trilha marcante para uma obra essencial

O longa conta com trilha sonora própria, assinada pelo compositor Alexandre Desplat. Desplat revela que teve uma forte influência de David Bowie para as composições.

Em uma entrevista à “Billboard”, Alexandre explicou como ele trabalhou para interpretar a visão de Greta do inusitado mash-up entre astros tão distintos na música. “Acho que com muita energia, pulso, melodias, alegria e ritmo. Mozart tem muito ritmo, e Bowie, é claro, puxa pelo aspecto pop que a direção de arte tem. Os atores não dançam como se estivessem em um filme de época”, destaca o francês.

Durante os quinze primeiros minutos percebi uma semelhança grande com Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Essa similaridade cai por terra no primeiro momento que as garotas descobrem a sororidade e o feminismo. Mesmo sem ter conhecimento de tais termos.

Logo, confesso que fico tentada a me render aos spoilers, mas prometo me abster. Tarefa difícil quando vemos grandes discursos de personagens marcantes. Como na cena em que Amy revela ao amigo de infância que gostaria de se casar com um homem rico. Quando questionada sobre amor, a personagem manifesta sua indignação ao revelar que a instituição do casamento nada mais é que um acordo econômico. Algo que permanece real até nos dias atuais, diga-se de passagem.

O filme segue fielmente às cenas e falas do livro. Entretanto, o livro segue muito mais ambientado, com mais riqueza em detalhes.  Se você leu vai gostar do filme, com toda certeza!

Sobre a autora

Louisa May Alcott (Filadélfia, 29 de novembro de 1832 — Boston, 6 de março de 1888) foi uma escritora norte americana, que se dedicou principalmente à literatura juvenil.

Foi educada pelo pai, o filósofo e educador Amos Bronson Alcott, tendo a oportunidade de conviver com intelectuais como Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson.

Louisa sonhava ser atriz, mas tornou-se escritora. Inspirou-se nas próprias experiências para escrever suas histórias. Mulherzinhas (1868), seu romance mais famoso, apresenta o retrato de uma família de classe média americana do seu tempo, salientado os seus valores morais: civismo e amor à pátria (que chega ao sacrifício de seus filhos) e dedicação extrema ao lar e ao próximo.

Este romance foi transformado em filmes para cinema, TV e séries muitas vezes, desde a primeira versão registada no IMDB  em 1917.

Mesmo em uma época onde os direitos das mulheres eram quase inexistente, o feminismo se faz presente colocando a mulher protagonista da sua própria história. Entretanto, confesso que houve algumas falhas na evolução da personagem Jo em alguns momentos (não posso dizer o motivo sem contar um spoiler daqueles, mas vejam a obra, ok?!).

Chega a ser assustador o quão atual é a narrativa.

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