‘1922’ – Conto incrível, excelente filme 

Não é segredo para ninguém que de uns anos pra cá a Netflix vem se tornando uma verdadeira máquina de fazer filmes e, salvo exceções, vem cumprindo esse papel com grande maestria. Também é sabido que se tem um escritor que não brinca em serviço é o nosso mestre do terror, Stephen King. Todo mês, praticamente, a gente encontra um livro novo do autor no mercado (exagerando um pouquinho). Faço um miojo e pronto, livro novo! E aí reside a genialidade dele, pois, mesmo sendo um autor de massa, que lança livros com tanta frequência, ainda assim, consegue entregar produtos diferenciados e de ótima qualidade. Ele não seria o que é hoje caso isso fosse diferente não é mesmo?

Hoje o nosso papo envolve Netflix e Stephen King. O assunto é a adaptação do conto ‘1922’, integrante do livro Escuridão Total Sem Estrelas.  Em ‘1922’, primeiro e maior conto do livro, o fazendeiro Wilfred James fica numa situação complicada após sua mulher herdar 100 acres de terra do pai e decidir  vendê-las para uma empresa de criação e abate de porcos e se mudar para a cidade.  Wilfred quer muito anexar as terras recebidas pela esposa às da sua fazenda e aumentar a produção. Mas a mulher está irredutível. O fazendeiro fica em uma batalha interna, pois abomina a ideia de se mudar para a cidade tanto quanto abomina a ideia de ter que conviver com a “granja”. A única saída que ele enxerga para seu dilema, é assassinar a esposa. E assim ele o faz, com a ajuda do filho adolescente.

É daí em diante que toda história do conto vai se desenrolar, porque Wilfred vai começar a ser corroído pelo sentimento de culpa, que, aos poucos, vai se materializar de formas distintas e LiteralMente o assombrar. Sua vida também começa a ir ladeira abaixo, bem no estilo ‘aqui se faz aqui se paga’. Este é um conto excelente e eu gostei muito da história pelo seu teor psicológico e pelos subtextos que ela nos entrega, exigindo muita atenção. É um conto de terror psicológico escrito com maestria pelo escritor. Ao longo da narrativa você vai acompanhando a decadência de Wilfred e até mesmo sente certa pena dele, mesmo após seu horrível feito. Minha vó sempre me dizia que o que se faz em vida, se paga em vida também. E acho que essa frase é a perfeita definição para essa história.

O filme homônimo, produzido pela Netflix, e lançado no último dia 20,  entrega de forma muito bem feita a adaptação de uma história tão complexa, a direção ficou a cargo do iniciante, Zak Hilditch. Thomas Jane interpreta Wifred de modo convincente e conseguiu imprimir toda profundidade do personagem, com suas camadas e o remorso e loucura crescentes. O ator personificou muito bem o Wilfred que eu tinha imaginado lendo o conto. Outra coisa muito bem feita no filme foi o fato de construírem uma narrativa ágil, que não dá muito tempo para delongas. Os acontecimentos vão se sobrepondo um ao outro em uma sequência rápida e bem construída. Dylan Schmid também está muito bem como Harry, filho de Wilf, em sua rápida degradação.

Um caso a parte, que não posso deixar de comentar com vocês, é a fotografia incrível do filme. Suas cores não vão passar despercebidas, com tons de rosa, laranja e cinza, como o crepúsculo. Parece nos contar que sairemos do dia para entrar na escuridão da noite, e isso tem muito significado. O fato de a narrativa começar no verão e terminar no inverno também te fará pensar. 

Conto e filme se complementam de maneira excelente, deixando sua experiência completa. Se você não leu Escuridão Total Sem Estrelas, é um livro incrível e vale super a pena. Além de ‘1922’, ainda tem outros três contos arrebatadores. E, recomendo tirar um tempinho do seu final de semana e conferir esse filmão.

 

 

Assista ao trailer: 

Já falei sobre a capa de Escuridão Total Sem Estrelas aqui!

Se você já leu o livro ou já viu o filme, me conta aqui nos comentários o que achou.

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Beijos e até semana que vem!!!! =)

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