O dilema das redes sociais coloca em xeque a possibilidade do uso saudável das redes 

E não é de hoje que vários estudos apontam para os perigos do uso das redes sociais, sobretudo a dependência que elas causam, privando seus usuários do convívio da vida real, e destacando uma vida de aparências, que acarreta em vários problemas de saúde, como ansiedade, depressão e outras.

Afinal, tudo aquilo que usamos em excesso, cedo ou tarde nos trará algum dano. E é exatamente esse o objetivo do documentário da Netflix – O Dilema das redes, ao reunir especialistas e criadores das principais redes e seus botões de engajamento, em uma tentativa de “alerta geral” sobre os perigos que você corre quando clica em uma simples notificação.

Nesse sentido, o documentário é muito interessante ao mostrar os rostos por detrás dessas invenções. Por outro lado, o DOC choca ao apontar os danos causados pelas redes, trazendo dados, estudos (como citei anteriormente) e depoimentos de especialistas, destacando como a dependência tem causado danos a autoestima dos jovens, aumento os casos de suicídio, e como essas ferramentas têm sido usadas mundo afora para manipular a população. Temos aqui o dilema!

Quem tem redes sociais sabe que é vigiado. E lá no fundo tem uma pequena noção dos riscos que corre com a exposição pessoal e de dados. Por isso, o documentário pode não apresentar tantas surpresas assim…

Mas assusta!!

Principalmente o ponto intencional de te fazer ficar ali, cada vez mais conectado, cada vez mais suscetível. Assusta saber que alguém tem acesso aos seus gostos, suas preferências, seus dados. Assusta mais ainda quando esse monopólio não está totalmente nas mãos de humanos, mas de algoritmos descontrolados e independentes.

De todas as distopias literárias (corre aqui George Orwell) que já lemos, essa do “controle tecnológico” tem se aproximado cada vez mais da nossa realidade.  

Veja o trailer

Ao reunir essas mentes criadoras dos botões e estímulos das principais redes sociais, a produção quer te mostrar que nada ali é por acaso ou despretensioso. E pode ser usado para o bem (ou que se entende por bem) ou para o mal, muito mal.

A ideia de tentar sensibilizar as pessoas é interessante, os depoimentos são fortes e a simulação contundente, principalmente associada ao uso de frases impactantes, como:  “Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software”

De fato colocou uma pulga atrás da orelha de quem assistiu. As buscas no Google pelos termos “como excluir o Facebook”, “excluir conta”, “desativar notificações” tiveram crescimento relevante após a estreia do Doc da Netflix.

Experiência com as redes

É possível usar as redes sociais e ainda tirar proveito delas, sim! E cabe a cada um decidir o que deseja entregar nas mãos dos temidos algoritmos. Mas não é possível fugir da manipulação.

Eu raramente uso redes sociais, a propósito, não tenho Instagram e Facebook uso apenas pela demanda do meu trabalho. Mas recentemente precisei comprar uma cadeira de escritório. O home office e a dor nas costas, exigiram de mim mais conforto. Claro que não tenho costume de comprar cadeiras de escritório, e não tinha ideia do valor e de qual seria a melhor.

Peguei indicações com amigos (Whatsapp), fiz algumas pesquisas e deixei os links patrocinados cumprirem sua função. Recebi uma chuva de propaganda de cadeiras em todos os sites que abria, inclusive no aplicativo de idiomas. Por fim, comprei uma cadeira confortável e paguei um preço relativamente justo. Após concluir compra no site do vendedor, nunca mais recebi notificações e promoções de cadeira novamente.

É assustador, sim! Mas é possível usar as redes sociais em seu favor, embora a exposição não seja menor que postar uma foto e esperar as curtidas.

Desativar as notificações, autorizações de uso de aplicativos, limitar seu perfil a pessoas que conhece na vida real e tentar reduzir o tempo que passa nas redes é um passo importante.

E depois de assistir o DOC, o dilema permanece por muito tempo, e não dará mais pra dizer que não sabia dos riscos ou que não foi avisado.

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