Tudo por um Pop Star é mais uma adaptação nacional que supera o livro

Tudo por um Pop Star é uma história fofa e divertida da especialista em mundo teen, Thalita Rebouças.

Tudo por um Pop Star foi publicado pela primeira vez em 2003, narra a saga das amigas Manu, Gabi e Ritinha para conhecer seus ídolos musicais.

Quando eu digo narra é no sentido literal mesmo, um narrador onipresente super divertido que conta todos os bafos, tira sarro das meninas e ainda dá pitacos na aventura que as moradoras da cidade de Resende, interior do Rio de Janeiro, se meteram.

O trio de amigas tinha em comum, além da amizade, o amor pelo grupo Slavabody Disco Disco Boys. Agora elas precisam convencer os pais a deixá-las assistir a uma apresentação inédita da banda no Brasil. Isso implicaria quase um milagre, com pais super protetores, elas nunca saíram de sua cidade.

Uma missão quase impossível, não fosse a ajuda da Babete, prima doidinha, divertida e gente boa da Manu. Babete logo de cara se solidariza com as meninas e esquematiza tudo, desde o pedido de autorização aos pais até a viagem e a hospedagem na Cidade Maravilhosa.

Embora, o passado de Babete não seja lá muito confiável, os pais acabam deixando. Mas o que nem elas, nem os leitores imaginariam é que essa simples viagem se transformaria numa aventura com direito a barraco no banheiro, juizado de menores e destaque exclusivo no Fantástico da TV Globo.

Tudo por um Pop Star fala sobre amor, família, amadurecimento, relação entre fãs e ídolos, mas sobretudo o valor de uma amizade verdadeira cujos laços se fortalecem nos momentos mais difíceis.  

Com prefácio do cantor Júnior, o Pop Star de uma geração de brasileiros, Tudo por um Pop Star é um livro fininho, dá pra ler em algumas horas e correr pra ver adaptação em seguida.

A propósito do livro, quero destacar a edição da Editora Rocco que traz uma ilustração fofinha e bem parecida com a descrição das meninas na capa, que também tem um recurso de alto-relevo nas palavras e glitter nas estrelinhas que ilustram. Isso mesmo, glitter!!! Um luxo! Ao final da obra, a editora ainda disponibiliza um quiz para o leitor interagir e medir seu grau de fanatismo, que cá pra nós, ninguém sai ileso.

A adaptação:

A adaptação de Tudo por um Pop Star arrebatou mais de um milhão de espectadores nos cinemas, ficando em cartaz por 11 semanas e dividindo espaço com blockbusters como Nasce uma estrela, primeiro filme da Lady Gaga, e “Venon”, da Marvel.

Confira o trailer: 

Estrelado pelas atrizes Klara Castanho (Manu), Maísa Silva (Gabi) e Mel Maia (Ritinha), na pele das amigas fanáticas, a adaptação mantém o tom divertido do livro e sobressai no quesito humor, apesar de não aprofundar em nenhum tema específico.

O filme é divertido e com mais cenas de ação. Inclusive as meninas se arriscam mais e fazem de quase tudo pelos garotos do Slavabody, inclusive colocar suas vidas em risco. As consequências, claro, são as mais inusitadas possíveis.

Como toda adaptação, Tudo por um Pop Star, não sai ilesa das alterações. Mas aqui elas funcionaram bem, deram bom ritmo e atualizaram a trama, escrita há 15 anos. O mesmo ocorreu em outra adaptação da Thalita Rebouças, Fala Sério, Mãe!. Os cortes de algumas cenas, e a inserção de outras, fizeram muito bem à adaptação. Até os corinhos comemorativos das meninas, que achei chatíssimos no livro, ficaram bem legais no filme.

Cena filme | Divulgação

Aqui cabe uma ressalva: a autora assina o roteiro de Tudo por um Pop Star e colabora para o de Fala Sério Mãe. E isso essencial para manter a fidelidade da trama literária e sobretudo superar as expectativas dos leitores. Thalita que, aliás, dá uma pontinha como atriz, sendo uma das camareiras do hotel onde a banda se hospeda.

Diferentemente do livro, na adaptação as meninas são mais exigidas e precisam se esforçar bastante para realizar o sonho. Um dos responsáveis por dificultar a vida delas é Billy Bold, um youtuber gay, hater dos Slavabody, interpretado por ninguém menos que o também youtuber Felipe Neto. Inclusive gostei bastante do personagem que se destacou sem muito esforço.

Outro destaque ficou por conta da atriz Giovanna Lancellotti na pele da prima mística da Gabi, a Babete. Ela tem a aura e a leveza da personagem literária. Aliás, todos os atores ficaram bem parecidos com as descrições do livro e apresentaram também aquela sintonia gostosa que culmina em uma empatia imediata.

Mas será que vale mesmo a pena fazer Tudo por um Pop Star? Essa pergunta vai moldando a trama, entre os acontecimentos inusitados, os vários clichês adolescentes, os pensamentos pessimistas da Ritinha, a positividade da Gabi e a objetividade da Manu. Elas são amigas, mas bem diferentes também. E no fim das contas o que sobressai é a amizade, assim como no livro.

Vale a pena ler o livro e ver o filme. A adaptação de Tudo por um Pop Star não decepciona. 

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