Capa do livro Selvageríntimo, de Fernando Jaepelt.

Selvageríntimo: Fernando Jaepelt e trágicos delírios do cotidiano

Fernando Jaepelt apresenta em seu primeiro livro, Selvageríntimo, 60 poemas selvagens e íntimos. Dividido em 6 partes, a obra trabalha com o estranhamento provocado quando palavras ou pessoas se unem.

O texto de apresentação é escrito por Bruno Gaudêncio, poeta e historiador. Acompanhe um trecho: 

Fernando Jaepelt conseguiu chegar em seu livro de estreia a essa unidade necessária, compondo parte a parte, no trato nu, excelentes poemas que em conjunto expressam ao mesmo tempo a salvação, o deslumbre, o abandono e o êxtase.

Natural de Recife (PE), Fernando Jaepel cresceu em Santa Catarina. Além de poeta, atua como psicólogo e publica poemas no Instagram. As ilustrações da capa e contracapa foram feitas pelo artista catarinense Nestor Jr

Selvageríntimo é uma produção da Isto Edições

 

Alguns poemas abaixo:

into the blue  

quando a noite azuluar

me arrasto azulento azulíntimo

peito aberto por raios de loucura 

a azulamber a dor azuletal 

percorro trágicos delírios

desmaio sono adentro azuletárgico

pálpebra tombada como escombro

acordo azulonge azulobo faminto 

saliverbo rasgado entre os dentes 

não mais azulatentes 

azulóperas cantantes 

azulove extremo azulast days of summer 

azulike I wanna die.

 

transtorno poético alimentar

migalhas de pão em pânico

nuvens de gás interestelar

 

(os outros doentes choram 

temendo as próprias iluminuras)

 

restos de matéria escura 

boiando numa taça de vinho

 

(morrem os outros doentes

os que não amam buracos negros)

 

engulo estrelas fervendo 

passo dias vomitando luzes.

 

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