Control Z – Série mexicana da Netflix mostra o quanto o ensino médio em tempos de Whatsapp e redes sociais pode ser cruel

Control Z é uma das principais estreias de maio da Netflix e figura no Top 10 das séries mais assistidas da plataforma pelos brasileiros, alcançando o primeiro lugar durante vários dias.

A fórmula da série segue os moldes bem-sucedidos de outro fenômeno da plataforma: Elite e suas tretas estudantis. Um colégio, vários alunos com seus dramas reais e próprios à idade, que vivem despretensiosamente, como deve ser, até que veem seus mundos abalados por algo que mudará suas vidas para sempre.

Porém, em um ambiente escolar tudo pode acontecer, literalmente, desde as corriqueiras pegações às dificuldades dos professores em obter a concentração dos alunos, impulsionados pelo uso marcante do celular, a temas pesadíssimos como bullying, transfobia, drogas e depressão.

As cenas de bullying com o personagem Luís são aflitivas e, em compensação, a descoberta de uma personagem trans (apesar do que ela passa) é gratificante. A atriz Zión Moreno é linda e dá um show de interpretação.

Veja o trailer.

Conectados

O celular tem um papel de destaque na trama. Tendo, inclusive, algumas cenas transmitidas direto do celular dos personagens. Assim como na vida real, o smartphone já é uma extensão do corpo e guarda os segredos mais preciosos de alguém, para muito além dos famosos nudes.

Junte o calor jovem com os hormônios a flor da pele, adicione as interações alucinantes provocadas pelo uso dos celulares e, consequentemente, da internet na vida dessas pessoas, e coloque tudo nas mãos de hacker que começa a chantagear e expor os segredos mais obscuros de cada aluno.

Cabe a Sofía Herrera (Ana Valeria Becerril), uma garota observadora e com um passado marcado pela depressão, descobrir o responsável pelos vazamentos. Sofia é conhecida de todos apesar da sua invisibilidade. Ela não se enturma e é taxada pelos colegas de louca, pois teve uma passagem recente por um centro psiquiátrico.

Netflix | Divulgação

O passado dela explica o estereótipo e o seu jeito de ser. Esperta e inteligente, é dado a ela a missão de encontrar o hacker e impedir a revelação de mais segredos, inclusive os seus. Todo mundo tem um segredo, todo mundo é suspeito e, pasmem, todo mundo pode ser o vilão. Para cada ação há uma reação e o hacker não apenas expõe como propõe às vítimas vingança contra quem os traiu.

Intrigas, inveja, mentiras, traição e vingança são alguns dos elementos que movem a trama. Afinal, até onde vai o senso de justiça? Control Z mostra como o ensino médio pode ser mais cruel do que se imagina. Se você assim como eu sobreviveu a ele sem internet, você é um privilegiado sim!

De isolada à única esperança dos colegas, Sofía ganha ajuda de um aluno novato, Javier Williams, um garoto com senso de justiça enorme, que chega no meio do semestre e ao ver tanta “injustiça” sendo realizada, automaticamente entra na corrida para evitar mais exposições e ele mesmo pode se tornar a próxima vítima. O que começa com uma amizade improvável entre um cara que tem tudo pra ser popular e a garota que vive nos telhados, pode virar um romance embora esse não seja o foco da série.

Netflix| Divulgação

Quem é hacker e qual o segredo de cada personagem é que garante a audiência e a espera pela segunda temporada.
O diferencial

Já é uma marca da Netflix apresentar conteúdo de outros países, assim conseguimos acessar outras culturas e, portanto, fugir do estereótipo norte-americano que nos foi imposto a vida toda. Isso vai desde a escolha dos atores até a trilha sonora.

Em Control Z, os personagens são jovens com aparência mais próxima a nossa realidade. Não são personagens esteticamente perfeitos, moldados ao custo de muita maquiagem. Chama a atenção a caracterização dos personagens, com pinta de adolescentes comuns, roupas comuns, cabelos sem brilho e pouca maquiagem.

Quero destacar a atuação dos personagens Luís e Sofia. Luís é o principal alvo de bullying na escola e as cenas com ele são pesadíssimas. O ator Luís Curiel passa muita emoção ao vivenciar cada cena violenta em momentos de agonia e de ódio profundo. Já Ana Valeria Becerril, que vive a protagonista Sofía, traz a angústia no olhar perdido e desprovido de emoção, típico de quem sofreu um baque emocional muito forte com reflexos direto em sua saúde física.

Control Z é uma trama com desenvolvimento alucinante, os episódios são curtos – pouco mais de meia hora – e o roteiro não deixa margem para o tédio. Cada episódio traz uma nova revelação com reviravoltas que prendem não apenas o mistério da identidade do hacker, mas outras tramas secundárias que envolvem os alunos e outros personagens de fora do colégio.

A dinâmica da trama é consonante ao comando de teclado “Control Z”, que desfaz algo realizado no ambiente virtual, mas que pode ser refeito ou superado no episódio seguinte.

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