Um amor para recordar desmistifica o câncer e celebra o amor

Um dos principais best-sellers do escritor Nicholas Sparks, Um amor para recordar, completa 20 anos arrancando muitas lágrimas de leitores e espectadores.

Em 2002, a história ganhou uma adaptação para os cinemas protagonizado por ícones jovens da época, a cantora teen Mandy Moore (17 anos) e o ator Shane West (23 anos).

Sucesso de bilheteria, o filme, que arrecadou pouco mais que U$ 47 milhões de dólares, impulsionou a venda do livro, e foi além, ao popularizar uma das histórias mais tocantes do escritor americano.  

Para além do romance, a história de Um amor para recordar, traz vários ensinamentos implícitos, sobre vida, fé, perdão, redenção, e sobretudo o amor em sua forma mais pura. Contudo, no centro da história está uma doença devastadora, que não tem preconceito, atingindo a todos, independentemente de condição financeira ou eventuais pecados.

A história:

Um amor para recordar, conta a história do jovem Landon Carter, um garoto americano de 17 anos, estereótipo bem tradicional, que não é bom em nada que faz, não tem perspectiva de futuro, e se destaca apenas por fazer parte de uma turma popular.

No livro, para fugir das aulas de química, ele acaba se inscrevendo nas de teatro e com isso, convivendo mais com a doce Jamie Sullivan, a garota brega, nada popular, filha do reverendo Hegbert de uma linhagem tradicional na Igreja Batista, no qual Landon já teve alguns desentendimentos.

“Eu não era o melhor dos alunos da sala – droga, eu não era o melhor em nada. Cada vez mais desanimado, comecei a fazer uma lista das coisas em que realmente era bom, mas, para ser honesto, não havia muitos itens nessa lista”. (pág.33)

O que Landon não esperava é que viveria uma das mais lindas histórias de amor e redenção que a cidade de Beaufort, na Carolina de Norte, e o mundo jamais esqueceriam. Aos poucos, ele se apaixona por Jamie, que cruelmente carrega uma sentença de morte prestes a ser cumprida, uma leucemia incurável.

“… Deus sempre está zelando por nós, mesmo quando estamos longe de casa, e que, se confiar em Deus, tudo vai dar certo no final. Era uma lição que eu acabaria aprendendo com o tempo, mas não seria Hegbert que a ensinaria para mim.” (pág17)

A geração anos 80 e 90, viveu a descoberta da Aids e a “popularização” do câncer, uma doença até então pouco falada, mas que já causava inúmeras mortes mundo afora. Acompanhamos os avanços da medicina para controlar a AIDS, amenizar o tratamento do câncer, e por fim, curá-lo, principalmente quando diagnosticado precocemente.

Contudo quem é dessa época se lembrará que ignorando todos os informes científicos, popularmente o câncer, esteve por muito tempo, na crença e imaginário popular, associado a castigo divino.

O julgamento popular impiedoso, associava os efeitos da doença, a algum pecado cometido pela vítima de câncer, quando a pessoa era considerada “boa”, invariavelmente ela estaria pagando por um ato cometido por seus antepassados.

Como então explicar a doença em Jamie Sullivan?

“Jamie levava sua Bíblia para qualquer lugar que fosse… Ela sempre estava ocupada com a organização de algum evento para angariar fundos, ajudando a todos, desde os escoteiros até os grupos de pais e filhas, e eu sabia que, aos 14 anos, passou uma parte do verão ajudando a pintar as paredes externas da casa de um vizinho idoso. Jamie era o tipo de garota que tirava as ervas daninhas do gramado de alguém sem que lhe pedissem, ou que parava o trânsito para ajudar crianças pequenas a atravessar a rua. Ela guardava sua mesada para comprar uma nova bola de basquete pra os órfãos, ou simplesmente colocava o dinheiro na caixa de doações da igreja durante o culto de domingo. Em outras palavras, era o tipo de garota que fazia com que todos os outros sentissem vergonha de si mesmos.” (pág.27)

A história de Um amor para recordar veio como um paliativo trazendo uma personagem a beira da morte com a doença, tendo testado todos os remédios e cuidados sem sucesso. Com uma fé inabalável, Jamie é uma moça sem defeitos, sem pecados! Extremamente religiosa, bondosa, amorosa, está sempre ajudando o próximo, seguindo retamente os ensinamentos divinos.

Assim, a história de Jamie ajudou a desmitificar o câncer, jogando por terra as crenças populares. 

Na mesma época no Brasil, o assunto foi abordado na novela Laços de Família. Um momento marcante foi a icônica cena da atriz Carolina Dieckmann raspando seus belos cabelos loiros ao som da música Love by Grace da cantora Lara Fabian. Sucesso de audiência, acompanhamos a luta da personagem Camila, contra a leucemia. Diferentemente da trama de Sparks, Camila consegue vencer a doença e alcançar a cura. 

Um Amor para Recordar celebra o Amor!

Apaixonadíssimo por Jamie, Landon incessantemente fará de tudo para que ela realize todos os seus sonhos antes de morrer, entre eles, se casar na mesma igreja que seus pais. E o principal deles, presenciar um milagre, que por fim, é a redenção do próprio Landon.

A história do livro foi inspirada na irmã de Sparks, também pedida em casamento, após descobrir um câncer. Infelizmente ela faleceu.

A celebração do amor é viva e intensa nesta história. O amor de Jamie pelo seu pai, por Deus e ao próximo. Landon que amou intensamente Jamie, mesmo sabendo que ela não viveria por muito tempo.

Um amor para recordar é uma história inspiradora que mexe com a gente, levando-nos a refletir sobre vários aspectos da vida, mas sobretudo como temos vivido e qual sentido temos dados ela. Lembra que o amor e o perdão andam de mãos dadas, e são a inspiração para uma vida melhor, sem rancor e consciência tranquila.

Livros x Filme:

São produções que seguiram caminhos fiéis e que impactam em qualquer escolha, pois ambas se completam perfeitamente.

O livro é narrado por Landon, que 40 anos depois, relembra os fatos de sua adolescência, mas sem focar muito em sua vida. Já o filme traz mais sobre ele, as amizades tóxicas, o relacionamento conturbado com o pai que justifica sua rebeldia e a falta de perspectiva, se encaixando assim perfeitamente num modelo pronto para a redenção. A relação dele com a mãe também chama atenção pelo carinho e cumplicidade.

Já Jamie é a descrição fiel do livro. Desde o figurino, aos trejeitos, é impossível não imaginar Mandy Moore no papel. Assim como Peter Coyote, no papel do reverendo Hegbert. As cenas dele com Landon são ótimas.

O filme não segue fielmente todas as cenas do livro, mantendo sua essência, mas inserindo novos elementos, focando principalmente no bullying que já aparece na primeira cena, quando um garoto para ser aceito no grupo popular da escola precisa mostrar “coragem” arriscando sua vida ao saltar de uma plataforma. É justamente esse fato que leva Landon a ingressar no grupo de teatro. Para o diretor da escola, seria legal para Landon, ter outras experiências e andar com outro “tipo” de gente.

Há ainda o bullying sofrido pelo jeito Jamie de ser, por suas roupas, comportamento recatado, e por estar sempre com a bíblia.  A propósito, a Jamie do filme é mais espirituosa e dá umas tiradas ótimas no clube dos populares.

Mesmo depois de duas décadas, Um amor para recordar segue sendo um drama ultrarromântico, com mensagens e ensinamentos atuais.

Sabe aquelas listas deliciosas que só BuzzFeed sabe fazer? Pois bem, veja aqui 30 coisas que você não sabia sobre o filme Um amor para recordar.

A editora Arqueiro lançou nesse ano uma edição comemorativa da obra. Clique para ver. 

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