A música popular brasileira e a literatura sempre caminharam próximas, trocando forma, ritmo e sentido. Poucos artistas encarnam esse encontro com a mesma profundidade de José Miguel Wisnik, pianista, compositor, ensaísta e professor aposentado de literatura brasileira pela Universidade de São Paulo, que participa da próxima edição do Divinas Conversas. O encontro será uma das ações do “Dia D” na Fundação Torino, evento que celebra o nascimento de Carlos Drummond de Andrade.
Wisnik dedicou anos de pesquisa ao poeta itabirano e é autor de Maquinação do mundo: Drummond e a mineração (2018), obra que se tornou referência ao revelar como a história da mineração em Itabira atravessa, de ponta a ponta, a poesia, as crônicas e a própria biografia de Drummond. É esse mesmo olhar, capaz de unir erudição e emoção, rigor e beleza, que o público de Belo Horizonte poderá acompanhar de perto no dia 29 de outubro, às 19h30, em um encontro gratuito e imperdível na sede da Fundação Torino.
Não é a primeira vez que Wisnik leva essa relação com Drummond para o grande público. Convidado frequente das principais feiras literárias do Brasil, ele já esteve à frente de debates sobre “o legado de Drummond” no Flitabira, Festival Literário Internacional de Itabira, e assinou o show de abertura da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, a mais importante do país. Em 2024, foi um dos debatedores da Mostra Drummond e o Cinema, realizada em Belo Horizonte, na Sala Humberto Mauro.

José Miguel Wisnik
Wisnik chega a Belo Horizonte em um momento especial de sua trajetória musical. Em abril, lançou o EP “Mais Simples”, que reúne cinco canções de seu repertório revisitadas por intérpretes de diferentes gerações, entre eles Caetano Veloso, Djavan, Arnaldo Antunes e Renato Braz. A faixa-título trouxe um desfecho para uma história de mais de trinta anos: Caetano, que já pensara em gravar “Mais Simples” ainda nos anos 1990, finalmente a registrou ao lado do filho, Tom Veloso, ao violão. Sobre o encontro, Wisnik comenta: “Quase aconteceu há muitos anos, mas a gravação veio afinal quando tinha que ser: Caetano cantando ‘Mais Simples’. Por uma conjunção, difícil de resumir, de desejos, de pessoas e dos astros. Fico sem palavras ao ouvir essa interpretação, mas confesso que não sinto necessidade delas, pois foi o próprio indizível que compareceu, e disse tudo”.
Autor de obras fundamentais para o pensamento sobre música e cultura no Brasil, Wisnik leva ao Divinas Conversas essa mesma capacidade de transitar entre linguagens, aproximando o universo da canção popular, da poesia, da crítica literária e da reflexão sobre a formação cultural brasileira. José Miguel Wisnik nasceu em 1948, em São Vicente (SP). Pianista e compositor, é professor aposentado de literatura brasileira pela Universidade de São Paulo. Publicou, entre outros livros, O coro dos contrários: A música em torno da Semana de 22 (1977), O som e o sentido: Uma outra história das músicas (1988, 2017), Sem receita: Ensaios e canções (2004), Maquinação do mundo: Drummond e a mineração (2018) e Viagem do recado: Música e literatura (2025).
O Divinas Conversas é um ciclo de conferências criado em 2016 pela Biblioteca Dante Alighieri da Fundação Torino, com o objetivo de fomentar o diálogo entre a literatura e outras áreas, integrando as culturas brasileira e italiana.
Serviço:
Divinas Conversas
Com José Miguel Wisnik e mediação de Rogério Faria Tavares (curador do Divinas Conversas)
Quando: 29 de outubro, quinta-feira, às 19h30
Onde: Fundação Torino – Rua Jornalista Djalma Andrade, 1300, Belvedere – Belo Horizonte/MG
Quanto: Entrada Gratuita – https://www.sympla.com.br/evento/divinas-conversas-jose-miguel-wisnik/3602862?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com