O encontro entre duas poetas de gerações diferentes deu origem a um livro que atravessa quase dois séculos de literatura escrita por mulheres no Brasil. Em “Círculos Onde Envelheço”, Adriane Garcia e Thaís Guimarães estabelecem interlocuções poéticas com 34 escritoras nascidas entre 1822 e 1953, construindo uma rede de vozes femininas que conecta memória, criação literária e envelhecimento.
Publicada pela Editora Tercetto, a obra foi selecionada pelo Edital Minas Literária (FEC/Secult-MG) e reúne poemas inspirados em autoras como Maria Firmina dos Reis, Narcisa Amália, Carolina Maria de Jesus, Clarice Lispector, Laís Corrêa de Araújo, Adélia Prado, Conceição Evaristo, Branca Maria de Paula e Sônia Queiroz.
O projeto nasceu há mais de três anos a partir de conversas entre as autoras sobre o envelhecimento feminino e as formas contemporâneas de negação da velhice. A partir dessas reflexões, surgiu o desejo de ampliar a discussão para o campo da poesia, criando um livro que homenageasse escritoras que contribuíram para suas formações literárias e que, em diferentes momentos históricos, também experimentaram ou experimentam o processo de envelhecimento. Dessa forma, mais do que uma reunião de homenagens, “Círculos Onde Envelheço” propõe um diálogo entre autoras separadas pelo tempo, mas conectadas pela literatura.

Capa Livro Círculos Onde Envelheço
A seleção das 34 escritoras foi construída de forma colaborativa. Alternadamente, uma autora indicava um nome e a outra acolhia a escolha, num processo guiado pela leitura, pela afinidade e pela admiração literária. Esse gesto simples deu forma a uma linhagem literária compartilhada, que atravessa todo o livro.
Os poemas são assinados individualmente, mas a obra foi concebida como um projeto conjunto. Apenas após a conclusão da escrita foi definida a ordenação cronológica dos textos, evidenciando a passagem do tempo e a continuidade das vozes femininas que compõem a publicação.
Ao homenagear escritoras de diferentes épocas, a obra suscita debates sobre o apagamento histórico da produção literária feminina, processo que a crítica feminista convencionou chamar de “memoricídio”.
No posfácio, a pesquisadora e professora Constância Lima Duarte destaca a originalidade da proposta ao abordar o envelhecimento feminino por meio de uma rede de diálogos poéticos entre escritoras de diferentes épocas. Para ela, a publicação constitui uma contribuição relevante para o resgate da literatura de autoria feminina e propõe uma leitura inédita da produção literária de mulheres no Brasil ao longo dos séculos.
Além de coautora, Thaís Guimarães assinou a concepção editorial do livro, articulando os elementos que orientaram o projeto gráfico desenvolvido pela designer Rita Davis, vencedora do Troféu Ouro no Brasil Design Award. A capa foi construída exclusivamente a partir de cores e tipografia para traduzir visualmente ideias de permanência, memória e maturação do tempo.
Ainda em processo de elaboração, “Círculos Onde Envelheço” foi finalista do Prêmio Literário Cidade de Belo Horizonte, em 2024. Posteriormente, integrou projeto selecionado pelo Edital Minas Literária, com apoio institucional do Governo de Minas Gerais, que viabilizou sua finalização e publicação.
Mais informações:
Lançamento do livro Círculos Onde Envelheço, com sessão de autógrafos e venda de livros
Quando: 27 de junho de 2026 (sábado)
Hora: das 11h às 14h
Onde: Livraria Ramalhete
Endereço: Rua Pernambuco, 1000 – Funcionários – Belo Horizonte/MG