Acervo pessoal

Vamos conversar sobre autismo e amor?

Essa semana trago um texto muito especial, da nossa querida leitora e publicitária Pollyanna Alves, sobre autismo e amor!

A Polly é mamãe da Maria Luiza e tia do Heitor que aos 2 anos foi diagnosticado com autismo. Ela é uma pessoa que transmite amor em todas as publicações que faz sobre seu sobrinho, e esse mês ela compartilhou uma história ainda mais linda sobre a festa de aniversário dele.

Como essa coluna é um espaço de troca de experiência e amor, convidei a Polly para nos contar um pouco sobre essa história e ajudar a espalhar mais informações sobre um assunto tão importante e que merece muita visibilidade.

Autismo, família e amor!

Acervo pessoal

Domingo, 15 de setembro… 

Ainda emocionada e inebriada pela festa de 6 anos do meu sobrinho, faço um post despretensioso no Facebook sobre o imenso orgulho que senti da minha família ao escolher como tema da festa a condição do Heitor: O autismo.

Heitor foi diagnosticado aos dois anos de idade, quando percebemos que ele não fazia contato visual, não respondia quando chamávamos por seu nome, não tinha desenvolvido a fala e fazia alguns movimentos repetitivos. 

Não podemos negar, foi um choque. Tínhamos poucas informações, muitos medos. Ele era o primeiro neto, meu primeiro sobrinho, filho da caçula.

Com o nascimento dele nasceram também muitas expectativas e por um momento elas foram quebradas ali, diante daquele diagnóstico. Passado o susto, toda família se empenhou para saber como lidar com essa condição, que pode ser leve, moderada ou severa. 

Sim, o autismo não é uma doença, é uma condição neurológica que afeta a comunicação e interação social. Se não é doença, não tem cura. Mas existe tratamento, e é esse tratamento, no caso dele, multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, terapia, psicoterapia, atividade física, entre outros, que permite que ele tenha qualidade de vida. 

Com o tratamento em andamento, fomos atrás de informações que nos ajudassem a dar a ele uma base sólida e forte para que pudesse se desenvolver e atingir todo seu potencial. Ele foi matriculado em uma escola regular e desde então é acompanhado pela professora de inclusão, fundamental para que nosso menino estude e tenha sua vida como as outras crianças de sua idade.

Ainda estamos aprendendo sobre o assunto e a cada dia é uma nova descoberta. Buscamos apoio nas comunidades em redes sociais, lemos artigos e vemos reportagens. O universo do autismo é amplo, existem muitos estudos divergentes, muitas opiniões, mas o que mais ajuda mesmo são os depoimentos de quem vive isso no dia a dia.

Aprendemos com as vivências do outro e entendemos que não estamos sozinhos. Um alento para o coração. 

O tempo foi passando e como fisicamente o autismo não é perceptível no Heitor, reparamos que muitos familiares e amigos não entendiam muito o que ele “tem”. Não se falava às claras, mas a gente sabia que a dúvida estava ali. Com os 6 anos se aproximando, do vovô veio a ideia brilhante: o tema da festa vai ser autismo! Ótima forma de quebrar o gelo, falar de um assunto tabu de uma forma lúdica em um momento de descontração.

Faz enfeites daqui personalizados dali, todos os itens da festa com o símbolo internacional do autismo. Pensamos, “mas as pessoas ainda não vão entender direito”. Então, escrevo um texto muito simples, com algumas informações e com um convite para que todos se informem mais, que pesquisem sobre o assunto. Afinal, precisamos respeitar essas crianças, acolher e apoiar seus pais, trocar nossos olhares de julgamento e pena por olhares de compreensão e afeto.

A festa foi um sucesso e ficamos com a sensação que plantamos uma sementinha de conscientização nas pessoas. Voltando ao domingo e a postagem no Facebook, mal podia imaginar que tudo tomaria uma proporção imensurável. As pessoas começaram a curtir e compartilhar. Na segunda já estávamos em um jornal da cidade. Pouco depois, em uma grande revista do segmento materno-infantil e no final da tarde, a matéria estava na capa de um dos principais portais de notícias do país. 

O amor que sentimos e demonstramos pelo Heitor nos levou a lugares inimagináveis. A semente cresceu, se espalhou e me trouxe até aqui.

Na festa tinha 40 convidados, e nossa intenção era que ao menos 1 saísse dali querendo saber mais sobre o assunto. Com tamanha repercussão, esperamos alcançar o coração de mais pessoas. 

Para a grande festa da vida, convidamos todo mundo a viver a inclusão, para que os autistas tenham um mundo mais empático, amoroso, acolhedor e aberto às diferenças.

Agradecemos imensamente Polly por compartilhar conosco sua história. Informação para conhecer, aprender e ajudar!

A coluna LiteralMente,mae! é publicada quinzenalmente aos domingos. As opiniões e fatos não refletem necessariamente a opinião de todas as mães, mas sim a vivência da colunista.

Quer trocar experiências comigo? Envie e-mail para gabriela@literalmenteuai.com.br

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