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Filme sobre o serial killer Ted Bundy impressiona, mesmo sem mostrar o assassino em ação

Ted Bundy: A irresistível face do mal estreia nos cinemas brasileiros em 25 de julho

O ditado “quem vê cara não vê coração” nunca foi tão assertivo ao abordar a história de um dos maiores serial killers dos EUA, Theodore Robert Bundy, popularmente conhecido como Ted Bundy.

Isso porque Ted, supostamente, não apresentava o estereótipo ou perfil determinado pela sociedade a um criminoso. Esse pensamento, aliado à capacidade impressionante de manipulação de Ted, fez com que, mesmo diante de todas as evidências, ainda houvesse quem acreditasse em sua inocência.

A história de Ted Bundy prova que o horror não apenas não tem face, como pode estar mais perto do que se imagina.

Quem foi Ted Bundy?

Os fatos monstruosos e cruéis da história do serial killer já foram exaustivamente explorados em diversas produções de cinema e TV, que apresentaram, em sua maioria, o lado mais monstruoso da história, com muito sangue, imagens reais das cenas dos assassinatos, restos mortais, depoimentos de peritos, jornalistas, testemunhas, sobreviventes e parentes das vítimas.

Tudo é muito chocante, desde as artimanhas usadas para abordar as vítimas, a audácia de agir em público e em locais movimentados, o horror da execução dos crimes e o cinismo de um homem bem articulado, extremamente inteligente, que passou mais de dez anos zombando de autoridades, vítimas, e de uma sociedade aterrorizada. Bundy se mostrava tão convicto de sua inocência que chegou ao ponto de fazer sua própria defesa, o que por si só já desperta a atenção e o interesse pelo caso.

Imagem real Theodore Robert Bundy

Um episódio do canal Investigação Discovery relembra e dá um panorama do caso Ted Bundy. Clique aqui.

O que mais chama atenção no caso Bundy é a forma como ele ficou conhecido, e como a imprensa o descrevia. Um homem charmoso, bonito, extrovertido, carismático e sempre bem vestido. Um cidadão de bem, de família. Isso levantou questionamentos acerca da real culpa de Bundy, endossadas pelo discurso veemente de sua inocência, tanto na imprensa quanto em sua atuação nos tribunais. Seu julgamento na Flórida foi o primeiro na história americana a ser transmitido ao vivo.

O poder de convencimento e manipulação do ex-assistente social e ativista político o qualificaram para a categoria inocente, acima de qualquer suspeita. Uma pessoa incapaz de matar, estuprar, sequestrar, decapitar, praticar necrofilia e outras atrocidades. Mesmo condenado, Ted conseguiu angariar fãs que acreditavam piamente em sua inocência. Ted se tornou uma lenda americana.

O filme:

Confira o trailer: 

O grande desafio de levar para as telas uma história tão conhecida e trazer algo de novo, quase 50 anos depois, é praticamente impossível. Contudo, foi o grande acerto da produção Ted Bundy: A irresistível face do mal (2019), que optou por apresentar os fatos sob o ponto de vista de alguém que viveu ao lado de Ted, o amou e, obviamente, questionou o quanto pôde suas acusações, sua noiva Liz Kendall, vivida pela atriz Lily Collins.

Ao optar pelo lado “dia a dia” do serial killer, a produção suprimiu as mortes, nos poupando de cenas horrendas, apesar disso não perdeu em nada. Uma sacada genial, porque além de mostrar a outra face do monstro, vivendo em família, amoroso, brincando com a enteada, trouxe também os dilemas de um familiar que precisa seguir em frente, sem culpa nem medos. Afinal, todo psicopata tem uma família. 

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Imagina viver ao lado de alguém, fazer planos, e, de repente, perceber que essa pessoa é um assassino impiedoso, que age com os piores requintes de crueldade?

Mostrar esse aspecto familiar do Ted Bundy, principalmente mesclando as notícias do desaparecimento das mulheres, a situações corriqueiras com a família, planejando um futuro, escolhendo o cachorrinho de estimação, é tão chocante e angustiante quanto vê-lo cometer os crimes.

Zack Efron:

Encarnar um personagem psicopata midiático, perverso e sarcástico é realmente um grande desafio. E ele se saiu muito bem.

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Esqueça aquele ícone adolescente cantando belas canções de amor. Efron está irreconhecível e, brilhantemente, perfeito no papel. Em alguns momentos, é difícil discernir se é cena do filme ou um flashback com imagens reais. A caracterização, aliada à mudança na voz do ator, deram o tom real e sombrio que o personagem exigia.

Do sorriso cínico à expressão presunçosa, ao olhar maquiavélico, como na cena da adoção do cachorro, Zack teve uma atuação primorosa e, literalmente deu vida ao personagem.

Mais do filme:

O filme destaca o drama de Liz ao saber das terríveis acusações contra o noivo. Os dois levavam uma vida feliz e próspera. O longa mostra o impacto da descoberta em sua rotina, o quanto isso a afetou, inclusive levando-a ao alcoolismo.

Já na história de Ted, a produção focou nos principais acontecimentos que levaram à sua condenação, como as fugas, o julgamento na Flórida, e o seu relacionamento com Carole Ann (Kaya Scodelario). Com o lema “Nunca perder a esperança”, para convencer Liz de sua inocência, Ted cita o livro Papillon, cujo personagem foi condenado injustamente por assassinato.

Mesclando imagens reais de noticiários com fotos, uma boa trilha sonora, que, aliás, poderia ser mais explorada, e referência às principais vítimas do serial killer, inclusive com um tributo a elas nos créditos do filme, Ted Bundy: A irresistível face do mal apresentou com competência e sagacidade uma história macabra e intragável, que marcou os anos 1970. Vale a pena assistir!

Ted Bundy: A irresistível face do mal é um drama angustiante e impactante, que afeta o espectador e, ao mesmo tempo, cumpre sua missão de alertar quanto aos estereótipos criados pela sociedade. As pessoas podem ser ruins, independente do rosto, profissão ou status social .

Para quem quer conhecer mais sobre o serial killer, a Netflix tem vários documentários mostrando o horror do caso em todos os mínimos detalhes. 

Ted Bundy: A irresistível face do mal estreia nos cinemas brasileiros em 25 de julho.

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comentários

2 Replies to “Filme sobre o serial killer Ted Bundy impressiona, mesmo sem mostrar o assassino em ação”

  1. Sim, impressiona mesmo, mas pelos motivos errados. Não assista esperando algo de qualidade. Mas é costume da Netflix fazer esses roteiros rasos e porcos em todas as suas produções.

  2. Ual, adorei a crítica. Adorei o filme… tanto que foi minha segunda vez assistindo o danado. Achei Efron brilhante! O rapaz tem jeito pra coisa. Virou um baita ator.
    Ah, e foi um prazer enoooorme assistir (e comentar algumas coisas) ao seu lado. Beijão

    Carol, do Coisas de Mineira

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