A menina nunca gostou de abraços, demonstrações de carinho e declarações de amor. “Coisa chata, piegas!”, pensava ela. Ainda aos 15 anos, se achava superior a tudo isso. Insensibilidade? Talvez! Mas ela acreditava que era sua forma de se proteger do mundo, era como um escudo invisível. Era medo? Talvez!

A menina sempre contou os anos pela primavera. Sempre dizia que era a estação mais iluminada do ano e que podia ver a luz emanar de cada ser humano que cruzasse seu caminho naqueles três meses de flores e cores. Se passaram cinco primaveras desde o dia em que a menina disse odiar o “modo carinho em público”. A certeza agora era que ela esperava que aqueles abraços, aqueles beijos e aquele “eu te amo” viessem dele. A menina não mais se reconhecia. Aquilo que considerava clichê e desprezava por ser “meloso demais” era agora o sonho da menina apaixonada.

A menina sonhou em receber flores de primavera, aquelas flores que sempre julgou desnecessárias! Sonhou em passar tardes de inverno assistindo filmes, sempre alternando entre comédias românticas e filmes escolhidos por ele, comendo pipoca e trocando carinhos entre um filme e outro. Sonhou em passear de mãos dadas nas bonitas tardes de outono e viajar para ver o mar no verão. Que feliz seria a vida se ela pudesse escolher ser escolhida por ele. Se os corações escolhessem o amor de maneira recíproca, sem o medo de um “não”, de um final (ou um começo) infeliz, de um sofrimento ainda maior externado por palavras. Sempre que pensava no assunto, ela imaginava como os sonhos acordados eram bons e tinha a certeza de que contar o que sentia não seria uma boa ideia. Depois de um “não” dito, ele não pode ser retirado. Covardia? Talvez! Provavelmente! Mas a menina decidiu que seria assim. Seria assim até que um dia, quem sabe, a vida lhe mostrasse que existem caminhos alternativos para ser feliz! E, neste dia, ele seria uma boa lembrança, uma lembrança do que não foi vivido, do que poderia ser seu “final feliz”, mas não foi. Foi apenas um sonho de menina apaixonada! Covardia? Sim! Com certeza!

 

“O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece”. (Charles Bukowski)

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