Tudo o que nunca contei é um drama pesado sobre aparências

“Tudo o que nunca contei” da escritora americana Celeste NG é daqueles dramas que te fazem refletir sobre tudo, como um flashback de todos os momentos que você já viveu, seja sozinho ou com os seus amigos e principalmente, sua família. É um livro que por conter uma morte misteriosa somado a revelação de segredos familiares, vai te envolvendo a cada página e quando você menos espera, já o devorou todo.

A trama gira em torno de uma família carente de afeto e fria, que se vê exposta e ferida após o desaparecimento da peça fundamental da casa, a filha do meio Lydia. Como já sabemos pela sinopse, Lydia é encontrada morta dentro de um lago. A grande dúvida é o que a fez sair de casa de madrugada e entrar na água, seu grande medo desde a infância. Enquanto as várias hipóteses como suicídio e assassinato vão sendo construídas, vamos acompanhando o sofrimento individual de cada membro da família e conhecendo mais a fundo o que cada um realmente está sentindo diante da morte dela e como era o relacionamento entre eles.

Lydia é a segunda filha do casal Marilyn e James. Ela, uma americana sonhadora que na década de 70 tinha como ideal quebrar preconceitos em torno da mulher e cursar medicina. Ele, um solitário professor universitário de origem chinesa que sempre viveu nas sombras do preconceito racial, apesar de ser americano. Os capítulos são narrados na perspectiva de todos os personagens, inclusive da Lydia, e o leitor vai conhecendo o desdobramento e as consequências da morte dela na vida de cada um. Vamos entendendo o porquê dessa família ser tão distante, ao mesmo tempo em que compreendemos a importância do diálogo, do afeto, da compreensão dentro do ambiente familiar. Temos uma mãe que projetou para a Lydia a realização dos seus sonhos. Vemos uma filha que ainda quando criança prometeu fazer tudo que a mãe quisesse. Um pai que sofre preconceito/ discriminação por ser asiático. Jack, o irmão mais velho que cresceu à sombra da irmã. E a caçula Hannah [a mais sensata] que vive nas sombras, literalmente esquecida pelos demais membros da família. Uma família que existe, mas não há convivência afetiva entre eles.

“Tudo que nunca contei” é um drama pesado sobre aparências [até mesmo dos personagens secundários], todo mundo tem um segredo. Todo mundo tem algo que nunca contou e que faz muita diferença na vida de alguém. É um livro sobre perdão, obediência e frustrações. Daqueles que mesmo depois de lido, ainda vai ser lembrado porque é marcante. As razões da morte de Lydia, as atitudes do pai ainda depois do enterro, as fracassadas tentativas de investigação do irmão, as fraquezas da mãe e a força da irmã mais nova. É um livro que te faz pensar e muito, sobre a forma como conduzimos nosso dia a dia.

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