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O Ano da Graça | Kim Liggett

O Ano da Graça, da autora Kim Liggett, é um daqueles livros que deixam o leitor impressionado. Neste caso, em especial, deixa as leitoras impressionadas.

No enredo, uma sociedade que trata as mulheres como seres inferiores aos homens, marcando momentos que se destacam pela crueldade, como os assassinatos de mulheres por enforcamento como forma de castigo. Vistas como sexo frágil, elas são impedidas de sonhar (literalmente) e seus futuros dependem da escolha dos homens, que se organizam por meio de um conselho extremamente misógino.

“Somos chamadas de sexo frágil. Nos martelam com isso todo domingo na igreja, explicam que é tudo culpa de Eva por não ter expelido a magia quando pôde, mas ainda não entendo porque as garotas não tem escolha. Claro, temos acordos secretos, sussurros no escuro, mas por que são os garotos que decidem tudo? Até onde sei, todos temos coração. Todos temos cérebro. Só vejo algumas diferenças, e a maioria dos homens parece pensar com aquilo, de qualquer forma”. (página 23)

O trecho acima mostra um pouco de como as mulheres são vistas no Condado de Garner. Acredita-se que elas possuem uma magia escondida e que precisam ser isoladas para conseguirem se livrar dos poderes para, em seguida, voltarem à sociedade. Esse período de isolamento é chamado de Ano da Graça.

Ao longo do livro, me deparei com trechos que me chocaram, não só pela crueldade de, simplesmente, jogarem as mulheres a própria sorte para se livrar da magia ou morrer, mas pelo fato de saber que as mulheres já foram vistas dessa maneira e (a história tá aí para comprovar), vistas como seres inferiores aos homens, e que ainda hoje sofrem com um machismo estrutural, assédios escandalosos e absurdos, índices de violência cada vez maiores. Em alguns momentos, é possível uma identificação de acontecimentos pontuais com o que nos deparamos em nosso dia a dia.

A protagonista do livro, Tierney James , é uma jovem questionadora e destemida que busca por respostas, almejando sempre mudanças estruturais com o objetivo de viver em um mundo onde as mulheres tenham voz e sejam donas de suas próprias vidas. Ao chegar ao seu Ano da Graça, aos 16 anos, ela se vê perdida no mundo, tentando uma união entre as mulheres para sobreviver, mas se depara com uma disputa feminina incontrolável.

Por mais que na sociedade abordada pela autora os homens tenham um papel de protagonismo, na história as mulheres são quem mandam. E o que se vê é o “sexo frágil” se superando a cada dia em busca da sobrevivência em uma sociedade machista e completamente excludente para elas. 

O livro é de tirar o fôlego, com uma narrativa pesada, mas uma leitura que flui muito bem.

É uma história de superação e sobrevivência para inspirar os leitores. Para quem já leu ou ficou com vontade de conhecer o livro, tem novidade chegando por aí. Em breve, O Ano da Graça chegará aos cinemas pela Universal Pictures e Elizabeth Banks e já estamos ansiosos por essa adaptação.

Antes de finalizar, preciso dar destaque para a capa do livro, que é, simplesmente linda e traz uma mensagem sobre a importância das flores ao longo da história. Para os moradores do Condado de Garner, elas possuem significados que são fundamentais para a narrativa.

Já leu O Ano da Graça? Conta pra mim o que achou? 

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