Madame Pamplemousse e suas Incríveis Comidinhas – Rupert Kingfisher

Madame Pamplemousse e suas Incríveis Comidinhas é aquele tipo de livro modesto que não te promete nada, mas que te entrega tudo o que é preciso para uma leitura prazerosa, divertida e educativa.

A modéstia deste livro já começa pelo capricho da edição da Editora Martins Fontes. Um livrinho pequeno, tanto em tamanho quanto em número de páginas, que comportou muito bem a história e as ilustrações, no conforto do papel. Tirando qualquer ranço de quem não gosta de edições pocket.

Madame Pamplemousse é uma ficção infanto-juvenil com uma pegada de fábula, que conta a história de Madeleine e as duras penas que ela vive, sempre que é deixada pelos pais para passar férias na casa do tio Monsieur Lard. Um homem obcecado por sorrisos, mas que não era capaz de dar nenhum.  

Certa vez, quando ela disse aos pais que seu tio não tinha nada de alegre e na verdade era um gordão glutão e grosseiro, a mãe quase desmaiou e o pai a repreendeu por estar sendo egoísta. (pág.10)

O tio de Madeleine é dono de um dos maiores restaurantes de Paris, o Guincho do Porco. Um lugar que, apesar de frequentado por turistas e os ricos do lugar, servia uma comida cara, oleosa e descrita como repugnante. Tudo que Monsieur Lard queria era ser famoso e reconhecido como grande chef, mas isso nunca aconteceria porque ele era um péssimo cozinheiro, e sua comida horrenda.

“Até o cozinheiro-chefe, em outros tempos profissional talentoso, tinha se reduzido a um trêmulo frangalho depois de se submeter durante anos aos vexames de Lard, sendo obrigado a preparar pratos como Pizza de Orelha de Porco, Hambúrguer de Rim com Creme Extragorduroso, Linguiça de Visceras e Frutos do Mar ou Ravióli de Caranguejo com Calda Quente de Chocolate Branco.” (Pág.9)

Certo dia, Lard descobre um talento até então desconhecido da sobrinha: ela não só sabia cozinhar, como fazia uma sopa incrível. Com inveja e ciúme da comida da sobrinha, Lard limitou sua presença à pia, onde lavava pilhas e mais pilhas de louça, limpava geladeira e esvaziava latas de lixo. Até que um dia… Madeleine conhece a Madame Pamplemousse.

“Monsieur Lard só queria ficar famoso, fazer com que o mundo todo gostasse dele. Madeleine gostava da culinária em sí, da maneira como se gosta de uma pessoa.” (Págs. 111 e 112)

Madame Pamplemousse também tem uma loja, nada famosa e de aspecto sombrio e decadente. Ela vende as mais variadas iguarias e comidinhas deliciosas, com ingredientes exóticos como língua de Tiranossauro Rex, Tigre-Dentes-de-Sabre Defumados, patê de peixe-elétrico com alho e outras iguarias da imaginação ilimitada do escritor. Pamplemousse é uma mulher misteriosa, solitária, meio-bruxa, que vive sozinha com seu gato Camembert. O gato caolho, além de falar, protege a loja e a sua dona de presenças desagradáveis.

Pelas mãos de Madeleine, uma das incríveis comidinhas da Madame Pamplemousse vai parar no restaurante de Lard. E aí, convido a todos para ler esse conto encantador e super divertido.

Como todo bom conto, a história é curta, simples e com aqueles bons ensinamentos, que fazem falta na literatura atual. Rupert Kingfisher criou uma atmosfera poética, que aguça sua imaginação com a descrição de cada personagem, cenário e as comidinhas exóticas. O tom lúdico da história se reflete e enlaça perfeitamente com as ilustrações.

Madame Pamplemousse e suas incríveis comidinhas é aquele livro para desanuviar a mente. Para ser lido em qualquer momento da vida ou do dia e, principalmente, para relembrar e eternizar as boas histórias!

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