Janelas da Alma –  Leandro Bertoldo Silva

Janelas da Alma – Uma tempestade íntima, um conflito, um retorno! é o segundo livro do escritor mineiro Leandro Bertoldo Silva, e o primeiro em formato de romance. 

Leandro Bertoldo Silva é escritor e publica em máquina própria, artesanal, todos os seus livros. Além de Janelas da Alma, ele tem ainda Entrelinhas Contos mínimos, Relicário Pessoal – Haicais e o primeiro livro infantil O menino que aprendeu a imaginar, publicado recentemente.  

A trama conta a história de Jorge, um publicitário refém da vida moderna, atribulada, cheia de exigências e cobranças. Há anos sem descanso e completamente exausto da rotina, ele decide sair de férias e sonha com a chegada deste dia.

Sempre observador e meticuloso, Jorge narra cada segundo pré-férias com ansiedade e certa apreensão. Contudo no aeroporto, um encontro com uma jovem atriz, a Luana, vai interromper os planos de viagem do rapaz. Atraído pela sensualidade da enigmática mulher, Jorge decide seguir uma pista deixada por ela, e assim desiste da viagem para encontrá-la.

Mas não pense que ele está apaixonado ou algo do tipo, toda essa ação é movida pela inquietação do rapaz e sua curiosidade. Jorge embarcara numa jornada inusitada, com acontecimentos intrigantes e que de fato vão mudar sua vida.

“Estava sorvido por ela, mas não maneira em que as intenções nos despertam desejos miraculosos, desses que colocam os homens a mercê de seu sexo voraz. Confesso que isso até me surpreendeu. Estava, sim, atraído por ela, mas de forma singular, de querer conhece-la profundamente e deixar esvair o sentimento fraterno que me embriagava.” (pág.35)

Cada passo de Jorge é devidamente detalhado e compartilhado com o leitor. São dois dias bem loucos. Vamos acompanhando cada encontro, cada descoberta com aquela ruguinha de interrogação na testa, ávidos por saber o desfecho final desta história.

“Minha viagem de férias havia se transformado em um grande pesadelo e minha alma estava atormentada.” (pág.124)

A narrativa de Janelas da Alma é simples e de fato íntima. Bertoldo nos insere literalmente na vida e nos anseios do personagem. É como se estivéssemos, sem o mínimo esforço, assistindo e não lendo, a história. O único momento que gerou incômodo foi o capitulo reflexivo em tom carregado de autoajuda, que retardou um pouco o avançar da leitura.

“Não quero ser como a maioria que padece sob a pesada sombra das ideologias, esse peso opressivo da imagem do bom moço que nos governa por expectativas restritivas.” (pág 92).

Gostei das pílulas iniciais, os Haicais que o escritor inseriu na introdução de cada capítulo, que ajudam o leitor a se preparar para o próximo capítulo e a sequência da história, embora eu tenha sido completamente enganada por ela.  

Leandro Bertoldo Silva é autor do mês do LiteralMente. Veja mais sobre ele clicando aqui.

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