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[Resenha] – Azul da cor do Mar – Marina Carvalho

por Elis Rouse
6 minutos de leitura

Marina Carvalho é a nossa autora do mês de dezembro. Já falamos aqui dos seus vilões, crushs, capas mais bonitas, apresentamos as resenhas das séries Ana e “Tempos do Ouro“. Para fechar bem o mês, confira as resenhas dos livros “Azul da cor do mar” e o spin-off “A menina dos olhos molhados”.

“Azul da cor do mar” traz a marca da escritora, que nos brinda com um romance fofo, leve, mais uma vez bem amarrado, divertido e repleto de elementos bem mineiros. O que nos garante uma rápida identificação e a empatia é inevitável. A história atual se passa em BH, mas começa há alguns anos, durante as férias em uma praia, adivinhem onde? No Espírito Santo. A nossa protagonista Rafaela Villas Boas não consegue esquecer um garoto de olhos azuis e mochila xadrez, que viu durante quase todos os seus dias de férias, em Iriri. Eles nem chegaram a conversar, mas o olhar perdido e a aparente solidão do garoto, marcaram a sua vida. Desde então, o garoto misterioso passa a fazer parte da vida dela, que não só pensa e sonha constantemente com um reencontro, como também escreve diversas versões para o primeiro contato na praia, um possível reencontro e quem sabe, um futuro com o tal garoto da mochila xadrez. Rafaela é uma mineirinha, da cidade de São Pedro dos Ferros, que mora atualmente na capital, com seus dois irmãos mais velhos. Ela é estudante de jornalismo na PUC Minas, adora andar na moda, nunca tira o salto, tem três melhores amigas e está prestes a realizar seu grande sonho: um estágio no melhor jornal do estado, a Folha de Minas. Mas o estágio no jornal não será nada fácil, porque aquele que deveria ser o seu “mentor”, não vai facilitar as coisas para sua estagiária. Estamos falando do melhor jornalista investigativo de Minas, Bernardo Venturini, um verdadeiro embuste.

Bernardo é um cara tão complexo que ganhou até um spin-off, sim! O livro “A menina dos olhos molhados” é  a versão dele para os fatos de “Azul da cor do mar”. Extremamente necessário para entendermos as suas atitudes. Nele, conhecemos as marcas que o passado deixou no coração do garoto. Apesar de ser descrito como lindo, Bernardo é antissocial e não sabe trabalhar em equipe. Assim como a Rafaela, desenvolvi uma antipatia inicial pelo personagem, principalmente pela forma machista e grosseira com que ele a tratava. Torci e muito para que um romance entre a Rafaela e um jornalista da editoria de esportes, Marcelo Novaes, desse certo, esse aliás, é um dos pontos altos da história. Rafaela tenta se relacionar com outro homem para esquecer o garoto da praia e aliviar um pouco a tensão que o Bernardo exerce na sua vida. Ele transforma os dias de estágio dela em um inferno, a ponto de ganhar um apelido bem apropriado, “Cria de Satanás”. É claro que tudo vai se explicando aos poucos, e essa guerrinha entre os dois não passa de uma paixão enrustida. Mas, até isso se concretizar, desenvolvi uma antipatiazinha dele, principalmente, quando ele pega uma das melhores amigas da Rafa, só pra fazer ciúmes nela. Mas a Rafaela, apesar de chorona e estabanada em excesso, é também uma garota afrontosa. Ela responde as grosserias do Bernardo à altura, e aos poucos vai mostrando para ele e toda a sua editora que é uma profissional competente, e assim conquista seu espaço e a admiração de todos, inclusive, a do Bernardo. A parceria entre os dois rende bons frutos para o jornal, e claro, uma linda e emocionante história de amor. Para Rafaela, só a constatação do seu amor por Bernardo é capaz de fazer esquecer o garoto da mochila xadrez. Mas, o passado pode estar mais perto do que ela imagina.

“Azul da cor do mar” é um livro muito especial, e assim como o “8 Segundos” da Camila Moreira, sempre que tenho que dar um presente, são os meus escolhidos. Adoro os macetes jornalísticos no início de cada capítulo. Fico encantada com a escrita da Marina, e a forma sutil com que ela insere diversos elementos de Minas e de BH na história, mostrando que é possível fazer uma literatura nacional de qualidade, com uma história simples, bem construída, usando a nossa linguagem diária e os problemas comuns a todos. É muito bom identificar nas suas histórias os locais que conhecemos, como a Praça da Liberdade, Fórum Lafayette, Kahlúa Café, na rua Guajajaras, Avenida do Contorno, Mercado do Cruzeiro. Saber que os nossos personagens torcem para Cruzeiro e Atlético, vão ao Mineirinho ver a seleção brasileira de vôlei, fazem compras no Verde Mar, ouvem Rádio CBN e Jovem Pan. Vão ao Cine Belas Artes e passam por bairros como Sion, Belvedere, Gutierrez e Aglomerado da Serra. Assim como conhecemos outros países e suas culturas, lendo a literatura estrangeira, temos a chance de nos conhecer e, principalmente, apresentar nosso estado e a riqueza da nossa cultura por meio da literatura também. E, com escritoras como a Marina Carvalho, a certeza é de que estamos muito bem representados.

Marina Carvalho é a nossa escritora do mês do dezembro. Se você também tem um escritor nacional preferido indique ele para autor do mês.

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