Até eu te encontrar – Graciela Mayrink

Até eu te encontrar é o livro de estreia da autora Graciela Mayrink. Um romance que envolve elementos sobrenaturais que movem o destino de todos nós.

Na história, Flávia, uma jovem universitária se muda para Viçosa para estudar agronomia na UFV. Ela nasceu em Lavras e foi criada pelos tios desde que seus pais morreram em um acidente. É nessa nova cidade que Flávia vai começar a conhecer várias pessoas que fizeram parte de seu passado de alguma forma e outras que estão em seu futuro.

Logo, ela vai começar a perceber que é longe de sua terra que ela finalmente vai começar a conhecer a sua família, principalmente sua mãe. Sua nova vizinha, Sônia é quem vai ajudá-la a desvendar mistérios que rondam sua vida e coisas que ela sente e até então não conseguia explicar. Flávia vai descobrir que é uma bruxa, e das poderosas. E também vai aprender a usar e controlar seus dons, claro que sempre para bem!

Fazendo novos amigos, ela conhece Felipe, por quem sente algo muito especial. E também Karla, as duas não se gostam de cara e Flávia não consegue entender o porquê de sentir tamanho ranço de uma pessoa que nunca viu na vida. Mas é claro que tudo tem uma explicação e logo ela vai começar a entender que existem forças com as quais a gente nem precisa lutar. Mas o que Flávia não espera é que nessa nova cidade encontrará o grande amor da sua vida, sua alma gêmea. O que ela espera menos ainda é que quando esse grande amor surgir, nem tudo serão só flores.

Flávia é uma personagem carismática e divertida, mas com relação à construção de personagens como um todo dentro da narrativa, acho que tem muito personagem para pouco desenvolvimento. Muita gente surge na história, mas não há de fato um arco dramático que justifique sua presença.

No começo do livro eu ficava até meio perdida com os nomes. Além disso, acho que mesmo os protagonistas poderiam ser mais aprofundados psicologicamente para criamos mais empatia com a história deles.

Outro fato que me incomodou demais durante a leitura foi o excesso do famoso “encher linguiça”. O livro é cheio de descrições desnecessárias de coisas totalmente irrelevantes, que apenas fazem o livro ficar extenso, sem acrescentar em nada. Coisas como: “Ela resolveu preparar um macarrão, com molho de tomate e almôndegas, serviu um copo de refrigerante e sentou pra comer enquanto assistia ao Jornal Hoje na TV”, qual a necessidade? E isso se repete pelo livro todo. Conclui ao fim da leitura que o livro que tem quase 400 páginas, poderia ser bem melhor aproveitado em 200.

Além disso, outro fator que incomoda é a pouca comunicação entre os personagens. Sabe quanto existe uma situação que se resolveria com uma simples frase, mas o autor opta por não usar e aquilo se arrasta por vários capítulos? A protagonista vê uma situação que poderia ser explicada com uma única pergunta, mas prefere fechar a cara e ficar ‘de mal’ do outro, ignorando e tratando-o mal. Essa é uma técnica que incomoda muito o leitor, afinal, passa a sensação que os personagens são meio tapados, não dialogam, não resolvam seus problemas da maneira mais inteligente.

O casal protagonista segue a linha dos casais que não vão com a cara um do outro e eu adoro isso. Amo essas histórias em que eles começam se detestando e depois vai se aproximando aos poucos. Esse foi um ponto positivo na história. Gera aquela vontade de ler mais, pra ver quando vai ser a próxima briga, ou o próximo beijo.

De modo geral a narrativa de Graciela é instigante, mas tem muitos pontos que poderiam ser melhor trabalhados. O livro é bom passatempo, mas não muito além disso.

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