O velho e o mar: uma jornada atemporal de sobrevivência, solidão e redenção

O velho e o mar está na galeria dos maiores clássicos da literatura moderna. Com honrosas menções a essa obra, especificamente, o americano Ernest Hemingway recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1954.

Quando falamos de clássicos da literatura, uma das primeiras questões levantadas é se é uma leitura de fácil compreensão. A resposta é: sim! Seja pela tradução assinada por Fernando de Castro Ferro, para a edição 78 da Bertrand do Brasil, ou pela trajetória como repórter de Hemingway, referência nos 1930, por recorrer a uma escrita objetiva, clara e, ao mesmo tempo, descritiva e efetiva, mais voltada para o jornalismo. 

É com essa simplicidade que conhecemos Santiago (o velho), que carrega na memória dias de glória nos mares cubanos, porém, já está há mais de 80 dias sem pescar nenhum peixinho sequer. Pra variar, o povo já está falando mal do pescador e atribuindo a ele a má sorte, e o desgaste do avanço da idade. Isso faz com que a família de Manolin (o garoto – seu melhor amigo) o proíba de ajudar o velho a acabar com esse recorde negativo. 

De muito afeto, é como defino a relação entre Santiago e Manolin — algo cada vez mais raro em nosso meio entre as gerações mais jovens e as de pessoas idosas. O respeito, o cuidado, a preocupação, e a veneração do garoto em relação à experiência do velho são tocantes. Mesmo com a proibição da família, Manolin faz o que pode para ajudar o amigo. E nos momentos mais difíceis, é o garoto que aparece na lembrança do velho. 

Desistir não está nos planos de Santiago, e no 85º dia ele, enfim, consegue fisgar algo. Mas é aí que começa o grande desafio. Ele está sozinho em alto mar, com seus pensamentos e seus demônios, tendo como companhia a solidão e o peixe. E olha, gente, Santiago não vai ter um minuto de paz!

A leitura é intensa e, por isso, exige que uma eventual adaptação esteja à altura da imaginação do leitor, que é constantemente estimulada em cada virada de página. 

O velho e o mar é uma história com descrições muito contundentes. O cenário do alto mar,  com suas nuances e belezas próprias, precisam ser contextualizadas a rigor. É uma leitura que, apesar de acompanhar a maior parte do tempo o personagem Santiago em seu barco, têm movimento, ação e suspense. Imaginar tudo isso, e até mesmo o sofrimento do Santiago e seus ferimentos causados pelo esforço da pescaria, é um exercício bem-vindo ao leitor e um problemão para os cineastas. 

Escolhi para comparar, a animação de 1999, vencedora do Oscar de melhor curta animado. 

E surpreendeu!

A animação mantém a fidelidade da obra literária. Como é um curta de pouco mais de 20 minutos, a produção de Alexander Petrov selecionou bem as cenas, valorizando a beleza dos cenários e aquelas marcantes, que para mim, tiveram grande impacto e ação durante a leitura. As imagens são belíssimas e a narrativa bem casada com a trilha sonora, composta de sons da natureza e músicas. 

Um detalhe interessante é que Alexander desenhou a mão todas as cenas da adaptação. E foi perfeito. Uma pena, de fato, é que a produção seja bem curtinha. Eu ficaria apreciando por horas essa história fantástica.  

O velho e o mar é uma obra-prima! 

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