Entre tweets, compartilhamentos, curtidas e stories, vamos seguindo destilando ódio pelas redes.

O perigo das Fake News

Com o surgimento das redes sociais, muitas pessoas ganharam voz. O que era pra ser totalmente positivo, uma vez que a plataforma, seja o Facebook, Twitter ou o Instagram, se tornaram os meios mais rápidos de propagação e compartilhamento de ideias, de forma gratuita e universal, estando disponível a qualquer um, tomou outro rumo. Aquele sentimento de pertencimento do mundo, de poder de igualdade, já que falamos de igual para igual, esfarelou.

Na verdade, com a chegada das redes sociais, nos tornamos cada vez menos sociais e cada vez mais confiantes em dizer e propagar ideias que ofendem, oprimem, diminuem e que transformam o outro em chacota mesmo não sendo verdadeiras. Muitas vezes retweetamos ou compartilhamos pensamentos e notícias sem ler o seu inteiro teor. Ficamos preguiçosos ou apenas fazemos da ideia daquele “famosinho”, a nossa ideia apenas para nos colocarmos inseridos em algo. Criamos e propagamos as chamadas fake news porque não checamos as informações. A ideia é compartilhar.

Imagem: Internet

 

Pior! O boom das redes sociais propagou a ideia de que tudo pode ser dito, que ter opinião não necessita ter responsabilidade e ter respeito pelo outro, pela religião do outro ou pela falta dela.  Desrespeitamos a mulher, praticamos racismo, homofobia e tantas outras formas de discriminação. Como desculpa, falamos que o mundo está chato e cheio de ‘mimimi’.

Ter uma opinião nas redes é muito mais que ter respeito pelo pensamento do outro, mesmo não concordando com ele. Não podemos apenas achar que temos condições de falar do que não sabemos (ou o que não existe, no caso das fake news) e do que não vimos apenas porque sentimos a necessidade de receber likes.

Há um limite?

São vários os casos de acontecimentos bárbaros (no sentido ruim da palavra) onde as pessoas justificam o “bem feito” para expressar um pensamento. Cabe aqui uma comparação interessante: lembra quando seu irmão ou amigo se machucava e você dizia ‘bem feito’ e sua mãe lhe repreendia? Pois é, esse ‘bem feito’ é dito nas redes sem a menor cerimônia. Já não respeitamos nem a morte. Para isso, basta a @ [assim são chamados os usuários do twitter] achar que a outra @ não compartilha de um pensamento igual.

A moda agora é a divisão entre esquerda e direita. Chegamos ao ponto de justificar um bárbaro assassinato porque alguém é de esquerda. Generalizamos pessoas, ações, sentimentos… Estamos cada vez menos humanos e ainda mais parecidos com robôs. Sem sentimentos, sem emoção, sem arrependimento. Apenas no automático, seguindo os outros como em uma linha de produção. Aliás, olha a ironia! Robôs estão movimentando as redes e podem inclusive decidir as eleições.

Antes dizíamos: “imagina na copa?”. Hoje te convido a ver o nosso presente e pensar: foi isso que você imaginou? Tenho certeza que não, mas lanço aqui outra questão: o que você fez ou tem feito para realizar o que imaginou?

 

A coluna  Território Livre é publicada aqui toda quarta-feira e. Converse com o colunista.  

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