Ícone da história LGBT, travesti Cintura Fina ganha biografia

Enverga, mas não quebra – Cintura Fina em Belo Horizonte é o lançamento da editora O Sexo da Palavra e apresenta a biografia de uma das personagens mais importantes da história LGBT no Brasil, a travesti Cintura Fina. 

A travesti Cintura fina era temida por bandidos e policiais e amada por prostitutas, a nordestina que viveu em Minas Gerais teve vida movimentada, morreu no esquecimento, mas será eternizada nas páginas literárias.

Muito além do personagem da minissérie Hilda Furacão, Cintura Fina marcou época em BH dos anos 1950, especialmente nos arredores da boemia dos bairros Bonfim e Lagoinha. Na região, também foi diversas vezes detida. Sua identidade, que transitava entre o que era considerado masculino e feminino, causava incômodo na dita sociedade. Assim, entre conflitos e afetos, entrou para a memória da cidade.

Uma história que vale a leitura! A vida retratada no livro Enverga, mas não quebra, escrito pelo pesquisador Luiz Morando, especialista em memória LGBTQIA+ já está à venda no site da editora O Sexo da Palavra

Divulgação | Fotos dos autos

Quem foi Cintura Fina

Nascida no Ceará e mineira de vivência, Cintura Fina não passava despercebida. Negra de 1,74m de altura, era imponente. Para se defender, usava com perícia uma navalha, o que lhe rendeu 11 inquéritos policiais por furto e lesão corporal. Chegou a dar aulas de como manusear o artefato. 

Por outro lado, são vários os relatos da época dando conta da solidariedade e generosidade da travesti, sempre dedicada a resolver problemas sociais e de confronto junto à população mais vulnerável, especialmente entre as prostitutas.

Segundo o autor, o entendimento que Cintura Fina tinha sobre sua identidade sexual estava à frente de sua época. “Em 1953, em sua primeira detenção policial na cidade, ela foi levada para a delegacia vestida com traje feminino, maquiada, sobrancelhas pinçadas, unhas esmaltadas, cabelos cortados ao modo feminino. Isso foi uma constante nessas duas décadas. Era ousadia suficiente aos olhos da população e da imprensa, que viam isso como excentricidade e rompimento de regras sociais”, contextualiza.

Assim como ainda acontece com a imensa maioria da população travesti, Cintura Fina não encontrou outra possibilidade de renda senão a prostituição. Anos depois, aprendeu o ofício de alfaiate. Viveu no meio da boemia belo-horizontina e seu nome acabou ganhando holofotes entre policiais, malandros, bêbados e prostitutas.

Nascida em 1933, Cintura Fina morreu aos 62 anos, na cidade mineira de Uberaba, onde passou os últimos 15 anos de sua vida.

Sobre o autor

Especialista em memória LGBTQIA+, Luiz Morando é mestre em Literatura Brasileira e doutor em Literatura Comparada, ambos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foi atuante em trabalhos de prevenção ao HIV/Aids realizados pelo Grupo de Apoio e Prevenção à Aids de Minas Gerais (GAPA). Professor de literatura brasileira e teoria da literatura, é autor dos livros Paraíso das Maravilhas: uma história do Crime do Parque e Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte.

Também assina diversos artigos sobre seu tema de pesquisa em periódicos acadêmicos e livros. Há décadas se dedica à pesquisa sobre memória e performatividades LGBTQIA+ em Belo Horizonte e Minas Gerais. Seu imenso acervo é composto por artigos, reportagens e documentos históricos a respeito do tema.

Serviço:

Livro Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte

Editora: O Sexo da Palavra

340 páginas; R$ 58,00

À venda em www.osexodapalavra.com

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