Educando uma criança livre de rótulos 

Educar uma criança é o maior desafio que já recebi na vida. 

Esse desafio vai desde fazer ela entender as regras básicas da educação, respeito e empatia, até ensiná-la a se tornar uma pessoa livre e feliz.

Livre de preconceitos e de rótulos que são tão presentes na nossa sociedade!

O mundo não é um lugar  fácil e quanto mais crescemos mais entendemos que os desafios são muitos.

Ainda bem que as crianças são sábias e muitas vezes, por meio da pureza que só elas tem. São elas que nos ensinam.

Preconceito e empoderamento 

Para mim, a base da educação é o exemplo. E é só com ele que realmente passamos ensinamentos a alguém.

Certo dia ouvi uma frase em uma reportagem sobre racismo que me levou a uma grande reflexão.  

Na matéria uma especialista dizia que o Brasil tem um preconceito tão enraizado, que faz com que maioria da população se intitulasse como parda, para não aceitar que eram negras.

Diante disso, eu parei pra pensar na minha infância.

Eu, uma garota morena de cabelos cacheados. E que tinha a vontade de ser branquinha com cabelos lisos e de franjinha. 

Eu que era muito chamada, carinhosamente, de “pretinha”, “moreninha” “morena”… não entendia essas palavras como um carinho. Tinha algo errado aí, né?!

Sim, essa era a percepção de uma criança que não tinha coragem de dizer o que sentia, mas que guardava esse sentimento inconscientemente. Isso é uma prova do racismo que estava enraizado dentro de mim e nem eu mesma sabia.

Graças a quebra de muitos rótulos eu cresci e entendi que estava completamente errada. 

Depois dessa reflexão da minha própria vida foi que me dei conta do quanto era importante eu ensinar para a Maria, desde a infância, sobre ser livre e viver fora dos rótulos.

A Maria foi crescendo e o cabelinho que nasceu liso começou a encher de cachos. Ela sempre usou ele solto e onde ia as pessoas elogiavam seu “estilo”.

Mas o tempo foi passando e ela começou a entender mais sobre as diferenças

Certo dia me perguntou porque ela não podia ter o cabelo liso igual ao da priminha, pra ele ser “grandão” (já que os cachinhos encolhem quando secam). Já chorou dizendo que não queria os cachinhos.

Outro dia estava brincando com vários priminhos e me perguntou por que só ela era marrom? 

E foi assim, em meio a perguntas simples que eu fui percebendo ainda mais como precisava ensinar sobre diferença, respeito e amor próprio. 

Era o momento de ensinar que as pessoas são diferentes e que isso é normal. Que cada um tem o cabelo de um jeito e todos são lindos!

Eu sempre elogio os cachos dela, mostro como é linda. Mas também já deixei ela fazer prancha e experimentar o cabelo liso.

Quero que ela entenda que é linda do jeito que é, mas ao mesmo tempo que ela tem a liberdade de ser como quiser. Desde que a vontade seja sua e não por seguir padrões impostos por uma sociedade preconceituosa.

Eu já fui adepta de progressiva, prancha, botox capilar. E entendo bem a praticidade de um cabelo liso. Mas abri mão dessa praticidade no dia a dia pra dar vida aos meus cachos e ser uma referência pra ela. 

Sei que ela vai ter que passar por cima de muitos obstáculos até, inconscientemente, eu mesma coloco por ter aprendido desde sempre e não perceber que é algo que deve ser mudado.

Mas quero abrir cada dia mais minha mente, aprender muito e poder ensinar para ela como ser feliz e livre para ser como ela quiser.

Quero ensinar ela a crescer sem preconceito. Quero educar minha menina para ser uma mulher incrível, que respeita a todos. Que seja empoderada e, principalmente feliz!❤

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A coluna LiteralMente,mae! é publicada quinzenalmente aos domingos. As opiniões e fatos não refletem necessariamente a opinião de todas as mães, mas sim a vivência da colunista.

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