O que estão fazendo com o nosso clássico?

Nos anos 1990, e claro, muito antes disso, ir a um estádio de futebol era algo formidável. Não tinha dinheiro? Tudo bem, o preço do ingresso custava cinco reais e você ia de “geral”.  Queria fazer festa? Tudo bem! Era só reunir a galera e levar papel picado, rolo de papel higiênico e pronto. Quando seu time entrava em campo, ou quando um gol era marcado, a festa estava garantida. Voava papel para todo lado. Era um espetáculo lindo de ver no campo ou de assistir pela TV.

Que pai ou mãe não gostava de ir com o filho aos estádios? Muitas vezes essa era a opção de lazer do trabalhador, uma vez que era esse o passeio do fim de semana e, principalmente a diversão que cabia no bolso das famílias. Mas e agora? O que fizeram com o futebol? A gente sabe que as coisas evoluem e que o futebol ficou caro e por aí vai. Mas por que deixá-lo chato?

imagem internet

Antes fazíamos campanhas para pedir paz nas torcidas. Dizíamos que somos rivais, nunca inimigos. A culpa era sempre das torcidas organizadas, que muitas vezes muito mais desorganizadas do que organizadas. Quantas vezes pedimos o fim dessas torcidas porque acreditávamos que ali estava o problema da violência e da intolerância no futebol?

Após o clássico mineiro, alguns jornais locais dedicavam uma edição para exibir a cobertura de brigas e do desrespeito entre os torcedores. Mortes, agressões, vandalismo… Era tanto problema que pedíamos o fim das organizadas. Não podemos esquecer: achávamos que esse era o único problema.

Anunciada a realização de uma Copa do Mundo no Brasil, os estádios entraram em reforma. Outros foram construídos. Veio a modernidade, o futebol encareceu e se gourmetizou. O Mineirão perdeu a geral, seu estacionamento virou uma enorme esplanada e as arquibancadas ganharam cadeiras. Tudo no mais moderno padrão FIFA. O torcedor precisou se adaptar, e claro, pagar mais caro. Passada a Copa, o que poderia ser uma nova fase para o futebol mineiro, não passou de um sonho.

Arena Independência – imagem internet

O Atlético decidiu não jogar no Mineirão. Os clássicos passaram a ser realizados com torcida única, quando muito, o time visitante tem apenas 10% do público presente. A Polícia Militar colocou uma série de restrições e o grande clássico ganhou como palco a Arena Independência.

A pá de cal veio em 2018, quando diretorias de Cruzeiro e Atlético, no maior estilo alunos de escolinha, resolveram brigar entre si. E pasmem: o que parecia impossível aconteceu! O clássico do último domingo não teve registro de brigas entre torcidas, mas entre dirigentes que estão praticando o mais patético ‘toma lá, dá cá’.

Mineirão – imagem internet

O famoso clássico mineiro que reúne dois gigantes do futebol brasileiro acabou virando notícia nacional por causa da picuinha entre mandatários Celeste e Alvinegro. Assistir aos noticiários esportivos pós-clássico deu uma vergonha… Será que os dirigentes de Cruzeiro e Atlético tem noção do mal que estão fazendo para o futebol? Será que eles não perceberam que após a reforma do Mineirão, os dois times não conseguiram transformar em lucro um dos maiores clássicos do Brasil?

Cabe a nós torcedores mudarmos esse jogo. Futebol é pra trazer alegria, descontração e, apesar de ser um contra o outro dentro de campo, o futebol deve sempre unir. Juntar aqueles que gostam do esporte, de brincar com o resultado dos jogos, de zoar o amigo que torce para o outro time. Esse é o combinado. Porém, já que teremos um novo clássico no segundo turno do Brasileirão, lanço aqui uma campanha para que não se repita as cenas dos últimos confrontos: #PazNasDiretorias

A que ponto chegamos… 

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