As Alegrias da Maternidade – Buchi Emecheta

Quando li o título As alegrias da maternidade acreditei que o livro fosse abordar um assunto totalmente voltado para maternidade. Imaginei que seria algo sobre as dificuldades e as alegrias da maternidade, ou um guia de como ser mãe. Ao ler o resumo do livro, percebi que estava totalmente enganada.

As alegrias da maternidade acompanha a vida de Nnu Ego uma jovem nigeriana, da etnia igbo, filha de um grande líder africano, que tem sua vida definida e pautada pela maternidade, que na naquela época era sinônimo de sucesso ou fracasso na vida de uma mulher. 

Nnu Ego possuía o sonho de ser mãe, casar, ter uma família e cumprir sua missão de servir e cuidar do marido até o fim dos dias. Porém, no decorrer da história, percebemos que esse desejo era totalmente influenciado pela cultura e pela sociedade que ela vivia. A mulher igbo, só seria “completa” se gerasse muitos filhos, principalmente, se gerasse filhos homens, não importasse o contexto de vida “se rico ou pobre”, tinha que ter filhos e muitos.

“Vejo que você deu um filho a seu marido. Não é tão comum as pessoas terem um menino como primeiro filho. Você tem muita sorte.” (p. 75)

Nnu Ego se submete a diversas situações, para cumprir seu dever de esposa e se tornar um orgulho para seu povo. Por ser uma mulher jovem, vivendo na capital da Nigéria, Nnu Ego também se vê confrontada pela vontade de manter as tradições de seu povo e a necessidade de abrir espaço para os costumes dos homens brancos colonizadores. Aqui temos um panorama de como a colonização transformou a vida dos nigerianos. 

“Os homens daqui estão muito ocupados em ser empregados dos brancos para poder ser homens. Nós, mulheres, cuidamos da casa. Não de nossos maridos. Eles já não têm hombridade. O lamentável é que não tem noção disso. A única coisa que enxergam é o dinheiro, o cintilante dinheiro dos brancos.” (p.73)

Preciso dizer que amei a leitura. A escrita da autora Buchi Emecheta é leve, sútil, sem deixar de ser intensa. O livro oferece uma série de informações sobre os costumes, tradições e o modo de vida de alguns grupos étnicos nigerianos, na década de 30. Isso me fez ter muita curiosidade e ficar totalmente envolvida com a leitura. Acompanhar Nnu Ego, a sua dificuldade de se adaptar aos costumes europeus, manter as tradições de seu povo e cuidar da sua família, foi fascinante.

“Contudo, só por ser mãe de três filhos, era obrigada a ser feliz em sua pobreza, em sua agonia que a levava a roer as unhas, em seu estômago convulsionado, em seus farrapos, em seu quarto atulhado…Ah, que mundo desconfortante!” (p.236)

Ao mesmo tempo que Nnu Ego busca cumprir o seu papel de gerar filhos, ela também luta para cumprir a tarefa de educar e sustentar sua família. 

No final da leitura, percebemos que algumas dificuldades enfrentadas pela personagem, não estão tão distantes das dificuldades enfrentadas pelas mulheres, atualmente. Alguns valores, por mais que estejam menos enraizados, ainda permanecem vivos na nossa sociedade e são motivos de contestação. Sem falar que, o título do livro, pode se tornar uma grande ironia para o leitor.

As alegrias da maternidade é uma publicação da editora Dublinense

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