O poder das bibliotecas escolares

* Marília Paiva, presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (MG/ES)

As bibliotecas são importantes aliadas na disseminação do conhecimento, principalmente no processo de aprendizagem escolar, em parceria com a sala de aula.

Desde 2010, a Lei 12.244 determina a universalização obrigatória de bibliotecas em qualquer instituição de ensino até 2020, situação ainda longe de ser concretizada. O Brasil possui apenas uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes, sendo 7.166 cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas do Ministério da Cultura.

A leitura é um processo de desenvolvimento para competências crescentes que deve ser introduzida no cotidiano o mais cedo possível. Principalmente em países com grandes desigualdades como o Brasil, as bibliotecas acessíveis e de qualidade, com acervos adequados a cada público, seriam a grande chance de gerações inteiras de meninas e meninos se apropriarem da cultura escrita, especialmente por meio da literatura. Desde a primeira infância, passando pela fase escolar, até o aprendizado ao longo da vida, as bibliotecas são um lugar único na sociedade para se mergulhar no mundo da aventura e da expressão humana, registradas por meio das letras.

Um levantamento do portal Qedu da Fundação Lemann, com base em dados do Censo Escolar 2014 em todas as escolas do país, apontou grande disparidade regional em bibliotecas escolares. Enquanto na Região Sul, 77,6% das escolas públicas têm biblioteca, na Norte, apenas 26,7% das escolas têm o equipamento e, na Nordeste, 30,4%. No Sudeste, o índice é 71,1% e no Centro-Oeste, 63,6%.

Para as crianças que não encontram no ambiente familiar um local e situações propícias ao aprendizado da leitura e da literatura, as bibliotecas escolares passam a ser ainda mais fundamentais, pois representam a primeira oportunidade de letramento. A estrutura física, o acervo, as atividades e a equipe da biblioteca escolar devem ser voltados para a recepção e imersão infantil no mundo da leitura. É importante observar que todas as atividades das bibliotecas contribuem para a formação do leitor. No primeiro nível, a aprender a ler e, depois, ser um leitor competente para estabelecer suas opções em livros.

O bibliotecário também desempenha um importante papel nesse ambiente. Se há biblioteca, tem que ter bibliotecário. Todas as atividades da biblioteca contribuem para a formação do leitor. O profissional bem formado é que pode garantir que a biblioteca seja um lugar que auxilie no comprimento da meta número um do Plano Nacional de Educação (PNE): erradicação do analfabetismo.

A biblioteca escolar com um profissional auxilia ainda na aquisição de competências de formação, cada vez mais importantes. Um exemplo são as Fake News, cujo combate passa pela questão de saber identificar fontes. A biblioteca é um lugar para se aprender a pesquisar, identificando e avaliando fontes. Uma escola sem bibliotecário é uma escola deficiente.

As políticas públicas robustas e consistentes para bibliotecas são fundamentais, sobretudo as escolares e públicas, para poder mudar a realidade dos índices de leitura e letramento, principalmente, permitindo o pleno acesso à cultura letrada, por meio da qual a humanidade gravou grande parte de sua arte e de sua ciência.

Marília Paiva é presidenta do CRB-6 – 18ª  gestão. É Doutora (2016) e Mestre (2008) em Ciência da Informação pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, onde cursou a graduação em Biblioteconomia (2004). Atualmente é professora adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, atuando no Departamento de Organização e Tratamento da Informação, ministrando disciplinas para os cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Suas áreas de interesse são: políticas públicas de informação para bibliotecas; bibliotecas públicas e escolares.

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