Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo

A história do escritor Benjamin Alire Sáenz, Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo, é uma das queridinhas dos Clubes de Leitura e entre os jovens. Não à toa, é grande a expectativa para o lançamento da continuação (prevista para 2022) e possível adaptação da obra.

É uma história bonita, com uma sensibilidade muito grande, e simplicidade com que os fatos são trazidos à tona pelo narrador e protagonista, Aristóteles, o Ari como ele gosta de ser chamado.

Ari é um adolescente reservado, com zero amigos, totalmente afetado por acontecimentos familiares: o mistério sobre o motivo da prisão do seu irmão mais velho; seu próprio nascimento; e a mudança de comportamento do pai, pós-guerra do Vietnã. 

“Sentir pena de mim mesmo era uma arte. Acho que parte de mim gostava disso. Talvez tivesse a ver com o momento em que nasci. Não sei, acho que influía. Não me agravada o fato de ser pseudo filho único. Era assim que eu me via. Era filho único sem ser de verdade. Um saco.” (pág.21)

As angústias de Ari, são reais e aproximam o leitor dos seus dramas. Diferentemente do Dante (apesar de que adorei ele), que é totalmente diferente do Ari, com uma família bem moderna, calorosa e compreensiva. Dante é extrovertido e expansivo, faz amizade fácil, fala e conhece vários assuntos.

“Onde será que Dante aprendera a desenhar? Fiquei com inveja dele. Ele sabia nadar, desenhar, conversar. Lia poesia e gostava de si mesmo. Me perguntei como devia ser a sensação de gostar de si mesmo. E por que algumas pessoas gostavam de si mesmas e outras não. Talvez fosse assim mesmo.” (pág. 88)

A amizade entre Aristóteles e Dante é algo improvável, a princípio, porém são personalidades que se completam e aproximam os dois e suas famílias. 

O livro trata, entre outros assuntos, sobre a força de uma amizade, luta contra o bullying e o preconceito, saúde mental, a descoberta do amor entre dois meninos, além de reforçar a importância da união familiar.

É uma leitura simples, com acontecimentos que, apesar de marcantes, se resolvem rapidamente e te prendem até seu desfecho.

Como disse lá em cima, a narração do ARI é de uma sensibilidade incrível, eu diria que até carregada de uma certa ingenuidade, porque ele de fato, se abre para o leitor. Faz jus a época em que se passou (1987), onde não havia tanto acesso a informações, debates de temas e pautas importantes, como saúde mental dos homens, homossexualidade, transfobia e xenofobia. E aqui destaco um ponto negativo, que faltou uma nota do autor ao final do livro explicando o uso de certos termos e antecipando desculpas que seriam muito bem-vindas.

Ao final, quando Aristóteles e Dante de fato começam a se descobrir, e também a desvendar alguns dos segredos do universo, a história acaba deixando o leitor ainda mais curioso e fascinado pela continuação da vida desses personagens incríveis. 

Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo é uma publicação da Editora SEGUINTE

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