A verdade sobre o caso Harry Quebert

Um livro bom e ruim ao mesmo tempo, consegue entender? Esse é o caso de “A verdade Sobre o Caso Harry Quebert”, um romance policial/investigativo do escritor suíço Joël Dicker, entretém e até instiga, contudo não consegue passar do ‘morno’. Em momento nenhum ele de fato ferve.

Na história, Marcus Goldam é um jovem escritor que lançou o primeiro livro e, primeiro clichê: o livro se tornou um best-seller mundial.  Agora, Marcus está sendo pressionado por seu editor para entregar o segundo livro e, clichezão 2: Marcus está totalmente sem inspiração, com o famoso bloqueio criativo.

Em busca de inspiração, Marcus deixa NY e segue para a cidadezinha onde mora seu antigo e grande mentor, Harry Quebert, mas por uma trágica coincidência, logo após sua chegada, o corpo de uma adolescente que já namorou Harry no passado é encontrado enterrado em seu jardim. Este é o ponto de partida do livro e da busca incessante de Marcus para provar que seu professor é inocente, mesmo que tudo comece a mostrar o contrário.

É um livro fácil de ser lido e, como passatempo, eu recomendo. Vou estruturar assim: motivos pelos quais eu gostei e pelos quais não gostei. As coisas boas do livro estão relacionadas à sua leitura fácil e a construção do relacionamento entre Harry e seu pupilo. A maneira como o texto é estruturado também é interessante, sempre mostrando os dias atuais e o passado, durante o relacionamento de Harry e Lola (a menina no jardim). Esse relacionamento é construído de uma maneira tão legal e é tão lindo, que você torce pelo casal, mesmo sabendo que a garota não está mais viva. Outro ponto positivo é uma incrível intertextualidade que você vai entender lá no final, infelizmente as coisas boas param por aí. 

Dentre os pontos negativos acho que o que mais pesa é a ‘encheção de linguiça’. Temos um livro de quase 600 páginas que caberia muito melhor em, no máximo, 300. Muitas e muitas páginas de conversas sobre como ser um bom escritor, lotadas de lugares comuns, que enchem o saco. O autor se delonga demais em momentos que não têm nenhuma importância para a história, e isso torna o livros, por vezes bem cansativo. 

Outro fator, que contou muito, pelo menos pra mim, foi a construção do plot final, que é bem mediano. Eu tenho adoração por livros que me enganam, me fazem passar o tempo inteiro bolando mil teorias e ao fim perceber que fui terrivelmente enganada, contudo isso só é bom, quando é feito de maneira inteligente. A maneira como o escritor construiu a grande revelação final foi de maneira que você é pego de surpresa, mas não de um jeito bom. 

Mesmo com seus problemas, é um livro interessante que leva a investigação muito bem. Algumas pistas são deixadas ao longo do texto, mas eu aposto que você se dará conta apenas depois da revelação. Em suma, vale a pena como passatempo. 

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comentários

6 Replies to “[Resenha] – A verdade sobre caso Harry Quebert – Joël Dicker”

  1. Olá!
    Achei interessante quando vc escreveu “Eu tenho adoração por livros que me enganam, me fazem passar o tempo inteiro bolando mil teorias e ao fim perceber que fui terrivelmente enganada…” e fiquei curioso para conhecer obras assim. Poderia indicar, por gentileza, os livros que te fizeram se sentir assim?
    Obrigado!

      1. Terminei de ler o livro, e gostei.
        Me lembrei de um livro que é nesse estilo. Você acha que sabe o que está acontecendo, e o final surpreende.. chama ‘por trás de seus olhos’, de Sarah Pinborough. Vale a pena a leitura.

      2. Oiii, Thalita! Obrigada pelo comentário! Vou te indicar os mesmos que indiquei ao Fábio: Suicidas, Raphael Montes; O Caso dos dez negrinhos e Assassinato no Expresso do Oriente, da Agatha Christie ( essa é rainha em surpreender a gente); Objetos cortantes, O Adulto e Garota Exemplar da Gillian Flynn, nesse último eu já tinha certeza do que tinha acontecido, até que virei uma página. Se eu lembrar de mais, comento aqui pra você! Bjs!!

    1. Oiii, Fábio! Obrigada pelo comentário! Alguns nesse estilo que você gostou são: Suicidas, Raphael Montes; O Caso dos dez negrinhos e Assassinato no Expresso do Oriente, da Agatha Christie ( essa é rainha em surpreender a gente); Objetos cortantes, O Adulto e Garota Exemplar da Gillian Flynn, nesse último eu já tinha certeza do que tinha acontecido, até que virei uma página. Se eu lembrar de mais, comento aqui pra você! Bjs!!

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